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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

coisas que sei fazer

sei rir muito. e dançar. sei gostar de música. de todo tipo. sei gostar de música quase sem preconceito. sei ser curiosa. sei ser sagaz. sei ser boba demais. sei limpar. lavar. passar. cozinhar. e sei desaprender a vontade de fazer tudo isso. sei desaprender sem culpa. sei sentir culpa. sei fazer yakisoba do bom. mas só pros amigos. quase não sei fazer pra namorado. depende muito. depende. sei gostar de café. e de boa comida. sei comer e elogiar. sei pedir pra fazer mais. sei ser conquistada por uma boa comida. sei fazer sexo. sei gostar de fazer sexo. sei pedir pra fazer mais. sei morder. lamber. sei chupar um homem. e uma mulher. sei ter vontade. sei fazer vontade. sei amar. mas raramente. já soube me casar, mas me esqueci. sei ter só um filho. sei ter filho amado. sei ser brava. sei ser dura. sei guardar mágoa e sei ser de lua. sei me apaixonar sempre. mas não sem medo. sei ser tímida. e espalhafatosa. sei entrar em pânico. sei entrar em risco. sei escrever texto na rua. sei ação. sei fazer sem autorização. sei ter problema com autoridade. sei gostar de pessoa. sei gostar de coisa também. até mais do que eu gostaria. sei falar muito. mais do que devia. sei ser excessivamente franca. sei ser indelicada. sei ser cruel. mas não gostar disso. sei gostar de ser debochada. sei gostar sem pudor. sei gostar de ser sem pudor. 
ah, sei gostar disso.

domingo, 19 de outubro de 2014

or-ação

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amem

amém

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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

hai kai II

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eu falo vagina
tu falo vagino
ela vagina fala
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domingo, 24 de agosto de 2014





esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.esquecer.

sábado, 25 de janeiro de 2014

conto pornográfico

 (uma imitação barata de Hilda Hilst)


         o dia em que nasci. eu tinha 13 anos e era virgem. meu pai, um velho bêbado e babão, resolveu me vender antes que fosse tarde demais. como ele já tinha tirado o cabaço das minhas duas irmãs (e o destino delas tinha sido a prostituição, sem que ele nada lucrasse com isso) ele resolveu me poupar e, dessa vez, levar algum lucro com a minha rara virgindade me vendendo para o maior bordel da cidade.
o dia em que nasci. eu tinha treze anos e meu pai resolvera me vender apesar dos meus peitos mal empinarem a blusa.
quem sabe? meu pai pensou. ela tinha uma pele bonita, macia. as coxinhas grossas, uma bunda redonda, carnuda. A carne tenra... os peitinhos. Os peitinhos... meu pai resolveu dar-me um banho.
éramos pobres e o banho tomávamos em uma bacia de metal. o banheiro era um quadrado de cimento sujo e quebrado, coberto por uma telha de zinco que fazia dali um inferno. meu pai encheu a bacia de água morna, me arrastando até ela. minha blusa, um pouco rasgada, deixava entrever o bico do seio. a respiração do meu pai se acelerou. os olhos tinham um brilho mau. ele puxou minha calcinha, arrancando minha saia avidamente. eu estava imóvel e meu pai, diante do meu corpo nu, ajoelhou-se como diante de uma santa. abriu as minhas pernas e roçou os dedos pelo meu grelo. pediu-me que pegasse a caneca e jogasse água no meu corpo. que a deixasse correr. ele a recolheria ali, no encontro das coxas. comecei a sentir um calor me invadindo. ele lambeu a água, devagar. Esticou a língua e lambeu de novo, abrindo caminho entre os meus pêlos. Meu corpo bambeou e ele agarrou minha bunda, invadindo ainda mais minha vagina como um cachorro sedento, a língua de fora, os olhos saltados a me lamber também. e gemia como uma criança diante do peito da mãe. suas mãos agarravam minha bunda como se fossem duas redondas luas. a língua misturava fogo à água. Sem nem sentir eu empurrava o meu quadril contra seu rosto num movimento instintivo de prazer. Ele acelerou as lambidas mais e mais mais mais mais mais... gozei. Meu corpo bambeou mais uma vez. 
meu pai abriu a calça...



... ainda não entendi que graça tem ficar lendo sobre a vida das outras pessoas! eu, por mim, nunca gostei nem de falar da vida alheia.
sabe, leitor, estive pensando...será que eu não devo começar me apresentando primeiro? Afinal, que graça é que tem... calma, leitor ansioso!
cerre um pouco a cortina. pediram-me para contar a minha vida e é o que vou fazer! mas se você nem souber de quem se trata, que graça tem querer dar uma espiadinha atrás da minha cortina?! credo, que pressa!
... não tema, meu gostoso leitor, tentarei ao máximo não ser “literária” como Sade. pois cá muito entre a gente, ele, pelo menos no que concerne à escrita, era um tanto monótono... já sei, já sei! para um conto pornográfico, eu também já estou sendo bem – com o perdão da palavra antiga – caceteadora...   (desculpe, não resisti ao trocadilho).
Pois então, prepare-se, meu caralheitor!
o passeio será longo, cheio de paisagens inesperadas. sugiro que fique mais à vontade. desabotoe a camisa, tire os sapatos... deixe mesmo a calça entreaberta. como eu disse, as paisagens podem ser inesperadas...

meu pai abriu a calça. foi o primeiro caralho que vi. grosso. grande. e sujo. ele lavou a imensa pica vermelha na bacia e depois se ergueu, me puxando pelo cabelo. fez com que me ajoelhasse. diante dos meus olhos, a cabeça luzia. uma gota brilhava. lambi. meu pai gemeu. lambi de novo, como quem lambe um gostoso sorvete. meu pai de olhos fechados agarrava a minha cabeça. eu chupava, lambia, sorvia. meu pai me chamava de puta gostosa safada piranha enquanto jatos de porra inundavam minha garganta.
e esse foi meu nascimento.
então, ele vestiu-me uma roupa branca e limpa e me levou para o maior bordel da cidade. era uma casa grande e suntuosa, construída em estilo neo clássico (coisa que, evidentemente, eu não sabia naquele momento. A cultura fui adquirir bem mais tarde). colunas cercavam a entrada. a casa era branca como eu.
quando entramos, a primeira coisa que me impressionou foi o forte cheiro de coxas que pairava naquele lugar. e em seguida as luzes. coloridas. difusas. tudo ali era difuso. contra esse fundo, Madame se destacava: era alta, loura e majestosa. o rosto era muito maquiado e ela toda cheirava, o perfume misturado ao creme e ao pó de arroz. as pernas eram longuíssimas sobre o salto incomensurável. apesar disso, Madame não nascera mulher. nascera homem. sim, a cafetina daquele bordel era uma travesti.
quando Madame me viu sorriu. para o meu pai ela fez cara feia, não gostava daquele velho bêbado e sujo na sua casa de fantasia. ela pagou, ele foi embora e me deixou.
nunca mais o vi.
Madame me pegou pela mão e me conduziu escada acima. louro ou moreno?
moreno... eu queria sentir meu primeiro homem bruto dentro de mim. nada de amor. nada de refinamentos. que fosse rico! muito. Madame sorriu novamente e me disse que eu seria a rainha daquele bordel. Depois abriu a porta do quarto dela, fazendo-me entrar em um paraíso cor-de-rosa. Havia duas moças lá dentro, as duas também muito jovens. Uma delas, loirinha e magra, empurrou-me contra o colchão macio... Madame tirou, ela mesma, meu vestido e passou óleo sobre meu corpo, perfumando-me. A moça negra, de ancas largas e peitos estupendos de tão duros, trouxe uma caixa de jóias de fantasia, da qual madame tirou pérolas tão virginais quanto eu. sobre o meu corpo, somente um pano branco.
Madame então abriu minhas pernas e prendeu meus pés aos pés da cama. eu gosto de chupar mulher, sabia? meus peitos imediatamente eriçaram, machucando o tecido. o gostinho ácido das virgens. atou minhas mãos à cabeceira. eu não sentia medo. sentia sua respiração quente invadindo meus pêlos. o cheiro de cabelo de milho...
e esse foi o meu batismo.
quando terminou, Madame me desamarrou depois lavou a boca e retocou o batom. lavou, ela mesma, a minha buceta molhada. Então foi para a sala e escolheu um fazendeiro, um homem acostumado a comprar tudo como se tudo fosse novilhas. Madame vendeu-me cara, afinal eu era produto raro.
o homem era baixo, forte, atarracado. a pele era sebosa, suada. os olhos, miúdos, tinham um brilho maldoso como os olhos de meu pai. vendo-me nua sobre a cama, limpa, linda em meu pano transparente, ele subiu sobre mim e abriu as minhas pernas. pôs o pau curto e grosso dentro da minha vagina apertada, rompendo meu hímen com facilidade. o homem ficou ali, metendo em mim até gozar. apertava meus peitos, babava neles. beliscava um pouco, com certa maldade. e gozava.
resolvi surpreendê-lo.
virei-me de costas, oferecendo-lhe a bunda redonda. ele arregalou os olhos, espantado. então, eu fiquei de quatro, como uma égua, e como uma égua no cio rocei as minhas carnes brancas na sua pica que estourava de tesão. ele sentia a porra invadir cada centímetro do seu pau, enquanto me agarrava pelas ancas. dava uns tapinhas na minha bunda, falava bunda gostosa minha potranca e metia a vara no buraco quente, gostoso, apertado do meu cu. meu rego latejante engolia apertava a cabeçorra vermelha do seu pau. ele gozou.
depois dessa noite, tornou-se meu amante oficial e financiava todos os meus luxos e extravagâncias. e eu as tinha muitas. como uma menina caprichosa, eu não cansava de pedir. gostava de dar festas estrondosas, verdadeiras orgias, para todo o bordel. como uma rainha, eu tomava banhos de champagne e andava nua, sobre um cavalo, pelos jardins do bordel, além de financiar alguns pintores dos quais era musa e amante.
O leitor bem tava gostando, né? Desse linguajar meio século dezoito salvando a dignidade das minhas memórias... é o espírito livresco querendo encarnar outra vez! claro, nada disso é verdade. ou, pelo menos, quase nada. mesmo sendo puta eu gostava mesmo era de ler e essa era uma das poucas extravagâncias que eu tinha. Madame tinha me ensinado o gosto pelos livros e eu os tinha aos montes e de todos os tipos. Eu era uma devoradora e o comprador de novilhas gostava de mim assim, presa ao quarto e em delírio eu inventava orgias, banhos de champagne e vida de princesa. vá lá, eu era a teúda e manteúda do fazendeiro. tinha jóias, dinheiro. mas era uma caipira de treze anos que acabara de entrar para a vida.
o fazendeiro tinha se viciado em comer o meu cu. todos os dias, como um bom padre Sádico, ele vinha ao bordel enfiar a pica nas carnes brancas da minha bunda. às vezes, uma boa chupada me salvava. era outra das minhas especialidades. fazia questão de tirar sua roupa e ia lambendo seu corpo, traçando uma linha de fogo até o pau. caralho em riste. após pesar suas bolas com minha língua, eu enfiava, sem aviso, aquela vara grossa em minha boca entreaberta. a cabeça, descoberta, estava à minha mercê e eu a apertava, suavemente, entre meus lábios. de repente, eu enfiava aquela verga toda na minha boca. a boca, apertada como uma buceta quente, sugava sugava. para em seguida torturar cada centímetro de sua pica latejante com lambidas bem... bem vagarosas... com a desculpa de prepará-lo para a “empreitada”, muitas vezes fiz com que gozasse ali mesmo, na minha boca. uma boa parte das vezes, no entanto, meu cu era agraciado.
como eu era muito nova, Madame não queria me ver “arrombada” e deu um jeito de me arrumar outro cavalheiro. dessa vez ela não pediu minha opinião, resolvera me arrumar um velho pacato e sem extravagâncias. era um banqueiro, um homenzinho magro e sorridente, sempre com um ar de quem pede desculpas. eu tinha uma vontade imensa de maltratá-lo e ele parecia gostar, pois jamais reclamava. 
habitualmente, ele aparecia no fim da tarde e nesse dia resolvi esperá-lo com uma surpresa. o entregador de bebidas do bordel era um jovem negro, impetuoso como um garanhão. quer me comer de graça, sem pagar nada? ele, com o pau endurecido roçando minha bunda, me seguiu até o quarto. sem paciência, rasgou minha roupa. chupava os meus peitos, era voraz, bruto e aquilo me agradava. abri as pernas. o negro afastou minha calcinha de lado e meteu a imensa pica roxa na minha buceta molhadinha. a pele negra contrastava com a brancura das minhas coxas. ele me mordia, chupava, metia. eu gozava gozava gozava sem fim.
ele me virou de costas, lambuzou o pau grosso, cheio de veias, assombroso, assustador, com sua saliva e abriu no meio a minha bunda, branca como uma lua. eu gemi de medo. ele encostou a cabeçorra. a porta se abriu. impaciente com a interrupção, ele olhou para a porta. eu disse: entra. pode entrar...
enquanto o negro entrava no meu cu ardente, o cavalheiro magrinho entrava no quarto, mortalmente pálido.  







O leitor deve admitir: o trocadilho é tão perfeito que impede a continuidade da obra. Entra, pode entrar... e eis que a porta se fecha bem na minha cara.
O que pode vir depois disso? Hein, meu caralheitor?




sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Rhoda Collage

Agora, estamos a salvo. Agora, nous pouvons voltar a nos endireitar. Agora, nous pouvons estender les bras no meio desta vegetação tão alta, dans ce vaste bois.
Não ouço nada.
– Agora vous voulez se afastar de mim, você e suas frases. Agora, vous voilà! me puxa a saia, olha para trás e constrói mais frases. 
Je vais placer ici une tête de pois de senteur, je vais colocar um farol aqui. Agora, vou embalar a minha taça d´argent d´un coté à l´autre para que os meus navios possam cavalgar as ondas. Quelques-uns vão se afundar. D´autres vont se briser contra os rochedos.
Mas há um que navega sozinho. C´est le mien, celui-là.
Le choeur nocturne a commencé. des chiens, rodas, des hommes que gritam, des cloches qui sonnent. O começo de um cântico.
Visto a roupa de dormir e je me couche por baixo deste fino lençol qui flotte dans la clarté diffuse.  Estou coberta por carne quente.
Contudo, sei que vou esticar os pés para que possam toucher na barra de ferro da cama; En touchant le barreau de fer, je constate la présence rassurante de quelque chose de... sólido.
Agora, já não posso afundar; agora, já não posso cair complètement à travers le lençol. Agora, estendo mon corps nesse frêle colchão et je plane suspendue. Je suis au-dessus de la terre. Já não estou de pé, já não podem me derrubar ou me ferir.
É melhor sair destas águas. Mais les vagues elas amontoam-se à minha volta, elles me roulent por entre leurs larges épaules; fazem-me virar; fazem-me tombar; je suis estendida parmi ces longues lumières, nestas ondas enormes, nestes caminhos sem fim.




Jinny


Tomo consciência deste mundo. Parmi les êtres femmes vertes, roses, perles-grises, sont les corps droits des hommes. Ils sont blanc et noir ; semblent un secret, tellement encaixados assim em suas roupas. Volto a ver a imagem de um túnel refletida na janela. En mouvement. Moi, j´avance e as figuras pretas e brancas daqueles homens desconhecidos miram-me. Suas mãos esvoaçam até as gravatas. Tocam coletes, bolsos, lenços. Ils sont très jeunes et ils sont ansiosos por causar boa impressão. Sinto brotar em mim milhares de possibilidades. Je suis brejeira, gaie. Mais oui também sou languissante, melancólica...



Apesar de enraizada, j´ondoie. Penchée à droit, toda dourada, je dis à un homem: “Viens”. Puis, ondulando nas sombras, eu digo a outro: “Non”. Há um que se afasta do grupo. Ele sai de sua imobilidade. Il approche.  Il vient em minha direção. C´est le moment le plus excitant que eu já vivi. Je frémis, j´ondule. J´ondoie comme une plante flottant dans la rivière, deslizando ora nessa direção, ora em outra... mas sob a superfície da água, solidamente enraizada: pois só assim ele poderá vir ao meu encontro, sem medo que a corrente me leve...
“Viens”, digo, “viens”. E ele pálido, de cabelos escuros, romântico, melancólico. Pour lui, eu me mostro brejeira, volúvel, caprichosa, justamente porque ele é romântico, melancólico. E está aqui, ao meu lado.
Agora, com um ligeiro puxão, sou arrebatada: sou levada para longe, junto com ele. Uma douce courant nos emporte. Saímos e entramos ao som desta música hesitante. Corpos rochedos interrompem a torrente de dança. Elle s´agit, estremece. Nossos corpos, forte o dele, fluido o meu, ils sont pressionés, um contra o outro, dentro do corpo cercle parfait dessa dança. Ah, ela nos embala, em suas dobras sinuosas, d´un coté a l´autre. A música para, de repente.
Apesar disso, o meu sangue continua a correr. 

estou coberta por carne quente


O beijo


Próximos daqui, Bernard, Neville, Jinny e Susan (mas não Rhoda) afagam os canteiros com as suas redes. Caçam as borboletas que pousam nas flores. Varrem a superfície do mundo. As redes estão cheias de asas esvoaçantes. “Louis! Louis! Louis!”, eles gritam. Mas não podem me ver. Estou do outro lado da sebe. Entre as folhas existem apenas diminutos orifícios para espreitar. Oh, Deus, fazei com que passem! Fazei com que deponham suas borboletas sobre um lenço no chão. Fazei com que contem as suas borboletas com manchas pretas e amarelas, as suas vanessas e borboletas-da-couve, mas que não me vejam. Sou verde como um teixo à sombra da sebe. Estou enraizado no centro da Terra. O meu corpo é um caule. Espremo o caule. Uma gota poreja na cavidade da boca, vagarosa, densa, e, aos poucos, vai-se tornando maior, cada vez maior. Agora, qualquer coisa cor-de-rosa passa pelo orifício. Agora, o raio de luz de um olho desliza pela fenda. A luz que dele emana incide sobre mim. Sou um menino num traje de flanela cinza. Ela me encontrou. Um toque na nuca. Beija-me. Tudo se desmorona.
Eu corria depois do café – disse Jinny. – Vi folhas que se mexiam num buraco na sebe. Pensei: “É um pássaro em seu ninho”. Afastei os ramos e olhei, mas não vi pássaro nem ninho. As folhas continuavam a mover-se. Fiquei assustada. Passei correndo por Susan, Rhoda, por Neville e Bernard, que conversavam no galpão. Enquanto corria, cada vez mais depressa, eu gritava. O que movia as folhas? O que move meu coração, minhas pernas? Foi então que aqui cheguei e te vi, verde como um arbusto, como um ramo, muito quieto, Louis, com os olhos vítreos. “Estará morto?”, pensei, e te beijei. Por baixo do vestido-rosa, o meu coração saltava como as folhas que, sem nada que as faça mexer, não param de oscilar. Agora, sinto o aroma dos gerânios; agora o cheiro do húmus. Danço. Ondulo. Sou lançada sobre você como uma rede de luz. E deixo-me ficar deitada sobre você, tremendo.
Pela fresta na sebe, eu a vi beijando-o – disse Susan. – Ergui minha cabeça do vaso de flores e espreitei pela fenda da sebe. Vi-a beijando-o. Vi Jinny e Louis beijando-se. Agora, vou embrulhar minha angústia dentro do meu lenço. Vou amassá-la numa bola apertada. Antes das aulas, irei sozinha ao bosque das faias. Não ficarei sentada à mesa fazendo cálculos. Não vou sentar perto da Jinny e do Louis. Vou levar minha angústia e depositá-la nas raízes, sob as faias. Vou examiná-la, pegá-la entre meus dedos. Não me encontrarão. Comerei nozes e procurarei ovos em meio aos espinheiros, meu cabelo ficará emaranhado, e vou dormir sob as sebes, bebendo água das poças, e vou morrer lá.
Susan passou por nós – disse Bernard. – Passou pela porta do galpão com seu lenço todo amassado numa bola. Não chorava, mas seus olhos, tão bonitos, estavam apertados como os de um gato antes do pulo. Vou atrás dela, Neville. Vou atrás dela com todo o cuidado para estar a seu alcance, com meu interesse, para confortá-la quando toda aquela fúria explodir e ela pensar: “Estou sozinha”. Agora ela atravessa o campo com toda a calma, para nos enganar. Agora chega à encosta: pensa que ninguém a vê e começa a correr com os punhos cerrados. As unhas cravam-se na bola em que o lenço se transformou. Corre para o bosque das faias, para longe da luz. Quando chega, abre os braços e entra na sombra como se nadasse. Mas está cega depois de tanta luz, e acaba por tropeçar e cair junto às raízes das árvores, onde a luz aparece e desaparece, inspira e expira. Os ramos movem-se para cima e para baixo. Aqui, a agitação é muita. Há sombra e a luz é indecisa. Tudo está pleno de angústia. As raízes formam um esqueleto no solo, com folhas mortas amontoadas nos cantos. Susan espalhou sua angústia. Pousou o lenço nas raízes das faias e soluça, dobrada sobre si mesma no ponto onde caiu.

a luz azul passeia.


A luz azul passeia. Recorta uma paisagem enluarando. No quadrado de luz, recostam-se duas pessoas. Elas conversam e sorriem relaxadas, mas não as ouvimos. O homem na guitarra improvisa a sua melodia enquanto a mulher que observa folheia o livro. Ela diz:
(enquanto ela narra, pode-se alterar, se for desejável, a luz da paisagem, talvez dando a ela os tons luminosos do sol).
“O Sol ainda não nascera. O mar não se distinguia do céu, a não ser pelo encrespado que cortava sua superfície, como um tecido que se enrugasse. Aos poucos, à medida que o céu clareava, uma faixa escura estendeu-se no horizonte, dividindo o céu e o mar. Então, o tecido cinzento coloriu-se de manchas movendo-se uma após outra, junto à superfície, perseguindo-se mutuamente, sem parar.
(pode-se também jogar com a projeção de paisagens, talvez substituindo a luz pura, a partir de algum momento. Sugere-se uma sucessão de cores ondas árvores folhas raiosol)
Aproximando-se da praia, cada uma dessas ondas erguia-se, acumulando-se para então quebrar-se e espalhar pela areia um fino véu de água branca. A onda parava, e partia novamente, suspirando como uma criatura adormecida, cuja respiração vai e vem sem que disso se aperceba. Aos poucos, a faixa escura do horizonte acabou por clarear, tal como se a borra numa velha garrafa de vinho se tivesse acomodado, restituindo à garrafa a sua cor verde. Atrás dela, também o céu ficou translúcido, como se os sedimentos brancos que ali se encontravam tivessem afundado, ou como se um braço de mulher oculto por detrás da linha do horizonte tivesse erguido uma lâmpada que espalhasse, por todo o céu, raios de várias cores, branco, verde, amarelo, como se fossem as varetas de um leque. Então, ela levantou ainda mais o lampião, e o ar pareceu tornar-se fibroso e apartar-se daquela superfície verde, bruxuleando e chamejando em flamas vermelhas e amarelas, como às que se elevam de uma fogueira. Docemente, as fibras da fogueira fundiram-se numa só brasa, uma incandescência que levantou o peso do céu cor de chumbo que a cobria, transformando-o num milhão de átomos de um macio azul. Docemente, transluziu a superfície do mar, e as ondas ali se deixaram ficar, murmurando e brilhando, até que as faixas escuras quase desapareceram. Docemente, o braço que segurava a lanterna elevou-se ainda mais, até uma chama brilhante se tornar visível; um disco de fogo ardendo na fímbria do horizonte, acendendo o mar inteiro em ouro.
A luz incidiu sobre as árvores no jardim, tornando, primeiro, esta folha transparente, e só depois aquela. Lá no alto, um trinado de pássaro. Depois pausa. E logo abaixo, outra ave soltou seu gorjeio. O sol aguçou os contornos da casa e pousou como ponta de um leque sobre uma cortina branca do quarto de dormir, deixando ali uma impressão digital azulada. A cortina estremeceu ligeiramente, mas, dentro da casa, tudo era penumbroso e sem substância. Fora, os pássaros cantavam uma melodia sem sentido.           

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Exercício para um teatro que virá




Agora, estamos a salvo. Já nos podemos voltar a endireitar. Já podemos estender os braços no meio desta vegetação tão alta, no meio deste bosque tão grande.
Não ouça nada.
– Estás-te a afastar, tu e as tuas frases. Agora, puxas-me a saia, olhas para trás e constróis mais frases. 
Vou colocar um farol aqui. Agora, vou embalar a minha taça castanha de um lado para o outro para que os meus navios possam cavalgar as ondas. Alguns afundar-se-ão. Outros despedaçar-se-ão contra os rochedos.
Mas há um que navega sozinho. É o que é verdadeiramente meu.
...
Estou coberta por carne quente.
Aperto o pijama e deito-me por baixo deste fino lençol, flutuando numa luz pálida. 
O começo de um cântico. rodas, cães, homens a gritar, sinos de igreja. o começo de um um cântico.
- No momento em que dobro o vestido, ponho de parte o desejo.
Contudo, sei que vou esticar os pés para que possam tocar na barra da cama; quando a tocar, ficarei mais segura por sentir qualquer coisa de sólido.
Agora, já não me posso afundar, agora, já não posso cair através do lençol. Agora, estendo o corpo neste frágil colchão e fico suspensa. Estou por cima da terra. Já não estou de pé, já não me podem derrubar nem estragar.
É melhor sair destas águas. Mas elas amontoam-se à minha volta, arrastam-se por entre os seus grandes ombros; fazem-me virar; fazem-me tombar; fazem-me estender por entre estas luzes esguias, estas ondas enormes, estes caminhos sem fim.

(apropriando-me de as ondas, de virginia woolf: cortes, colagens, transformações)

‎"eu quero poder falar com vida, sem que a palavra pareça... folha? falsa? fraca?"


Uma douce courant... interrompe. 
belo tango. ações corporais. 
Fred e Lica giram numa quasedança. 
Leandro e Saulo compõem com Wagner um só animal. ele bate palmas. 
a dramaturga escreve, sob a luz da lanterna. faz parte da cena? 
gritos gorgolejos da música lembram à Lica as mulheres galinhas de strange fish. ela dança as mulheres com Saulo em um salão de baile cheio de corpos. 
Clarissa examina Matheus. Depois examina Admar. Ela examina rostos em meio à dança.
 Why? Why? Why? Uai! Uai... Why... É a palavra do corpo. O corpo é frase.


Ensaio das Ondas, ontem, dia 18.09.2012. na Gruta!

domingo, 12 de dezembro de 2010

possíveis textos

você me ama?
amo.
por quê?
porque você é loira. e gostosa.
melhor, porque você é muda. e está em cima da mesa. pronta pra mim.


gelada.
loira gelada.


(isso poderia ser o texto de uma propaganda de cerveja. mas não é.)
*
*
*

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

formas de morrer lentamente.

lipo.
aspiração mata.
mata sorrir. servir bem para servir sempre.
mata amar casar parir amamentar cuidar limpar. agradar. esquecer. perdoar.
transar. mesmo sem vontade.
o soutien. a calcinha de renda e o sexo oral nele como nunca nela (ela finge que não gosta para não ter que enfrentar sua cara de nojo).
o botox. o hidratante. o batom. o rosa. o rosa. o rosa. e o sorriso.
vai matando devagarinho. comendo a alma da gente. isso é o que me mata, sabe?

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Arquitetura III

Daqui de cima eu vejo tudo.
a cidade inteira.

luzes. prédios. ruas. carros. pessoas passam.

É uma questão de destino.
Uma arquitetura é feita de planos traçados. de linhas. retas. direções.
Uma arquitetura é Grande. Dura. Magnífica.
mas por dentro dela. de mim.
algo acontece.
(o interior carcomido)
uma arquitetura é feita de vazios. de cheios. é feita de passagens. de lugares vivências.
no interior pleno de mulheres algo sobe pelos muros. infiltra-se pelas paredes. escorre pelos canos. pelas velhas. veias. pelas coxas. cabelos. escorre das bucetas. bucetas. bucetas. sobem pelas paredes.
os corpos conformados nos vazios escrevem um texto que não conseguem ler.
Nos corredores. Nas grades, nas celas. No pátio. No cimento.
Na veia.
Dentro dela. de mim. uma mulher espera pegar a dureza daquele lugar torto.
Por dentro, estou carcomida e ela também. Somos cheias de segredos. Eu e ela. a mulher. O cheiro da urina grudada na pele.
Quanto tempo até o chão? Quanto tempo até seu rosto tocar o chão vermelho?
A carne. Em direção à queda.

Ela grita e ninguém escuta. Ela (eu) está numa cela que faz parte de um andar que faz parte de um pavilhão que faz parte de uma cadeia de prédios que faz parte de um quarteirão que faz parte de um bairro que faz parte de um distrito que faz parte de uma cidade que faz parte de um estado que faz parte de um país... Ela grita. eu grito. e ninguém escuta.

Do alto da torre, o olho passeia. eu invento um altar.
Para um deus possível que lá do alto da torre vê a vida passar.
Na televisão. Na esquina do mundo.
E eu (ela) aqui sentada. nessa cela. nessa sala. nesse tubo de ensaio.
A gente só devia conhecer o que vive.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Arquitetura II

Daqui de cima eu vejo tudo.
a cidade inteira.
luzes. prédios. ruas. carros. pessoas passam.
É uma questão de destino.
Uma arquitetura é feita de planos traçados. de linhas. retas. de vazios. de cheios.
Uma arquitetura é feita de passagens. E de muros.
Uma arquitetura é magnífica. Grande. Dura.
mas por dentro dela.
de mim. (o interior cheio de mulheres)
algo acontece. escorre pelos canos. sobe pelas paredes. pelas coxas. cabelos. bucetas. bucetas.
pelas veias.
o cheiro. (o interior carcomido)
os corpos conformados nos vazios escrevem um texto que não conseguem ler.
Nos corredores. Nas grades, nas celas. No pátio. No cimento.
Na veia.
Dentro dela. de mim. uma mulher espera pegar dureza daquele lugar torto.
Por dentro, estou carcomida. Ela também. Somos cheias de segredos. Eu e ela. a mulher.
O cheiro da urina grudada na pele.
Quanto tempo até o chão? Quanto tempo até seu rosto tocar o chão vermelho?
A carne. Em direção à queda.

Ela grita e ninguém escuta. Ela (eu) está numa cela que faz parte de um andar que faz parte de um pavilhão que faz parte de uma cadeia de prédios que faz parte de um quarteirão que faz parte de um bairro que faz parte de um distrito que faz parte de uma cidade que faz parte de um estado que faz parte de um país... Ela grita. eu grito. e ninguém escuta.

Do alto da torre, o olho passeia. eu invento um altar.
Para um deus possível que lá do alto da torre vê a vida passar.
Na televisão. Na esquina do mundo.
E eu (ela) aqui sentada. nessa cela. nessa sala. nesse tubo de ensaio.
"A gente só devia conhecer o que vive".

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

fênix

para as criaturas de ar, é necessário que as coisas respirem. são como flautas: quando o ar circula, fazem música.
já para as criaturas de fogo, a circulação de ar implica em incêndio. as coisas queimam dentro delas.
são como fênix: precisam queimar tudo, se queimar inteira.
para nascer de novo outra.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

conversas possíveis para um absurdo fim

eu não te conheço.
conhece sim. você vinha muito aqui.
você mora aqui?
moro. você ia perguntar: e eu?
como?
você ia perguntar: e eu?
eu sussurro: você mora dentro de mim. como agora.   

você ficou emocionado, não?
porque eu sei que é verdade. eu estou aqui, dentro de você, e sei que moro aqui. desde sempre.
você está chorando?

também estou emocionada. estamos nos despedindo, não é?
você disse: nunca amei uma mulher como você.

nunca amei uma mulher como você. por isso também fico emocionado.
de novo as lágrimas.
eu acho que você nem devia chorar. já passamos pelo pior. agora é a calmaria.
tem razão. fiquei pensando como seríamos nós agora. depois de tudo.
pode ficar tranquilo porque, antes, você explicou tudo perfeitamente bem. você foi claro. Sobretudo.
não. quero dizer agora, enquanto você se aninha ao meu corpo e eu acaricio seus cabelos.
achei que não ia perguntar. queria que o abraço nos tivesse derretido. mas isso não aconteceu.
então nada mudou.
nada mudou.

sábado, 16 de outubro de 2010

conversas possíveis para um absurdo fim II

você sabe o que estamos fazendo?
sim. já fizemos isso antes.
mas você sabe mesmo o que é isso que estamos fazendo?
não estamos casando. nem namorando. nunca mais.
e agora que você sabe continuaremos fazendo isso?
eu já sabia disso quando começamos.