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sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Um soco no estômago
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Em busca do deus
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
sem juízo: experimentos para um roteiro
como orientador do projeto, leo havia proposto trabalhar conosco a partir de workshops que cobririam certos temas, relacionados à linguagem audiovisual. como sou dramaturga e sempre trabalhei com teatro, minha perspectiva era bem distinta do trabalho com a imagem que se faz com a câmera. nesse sentido, as contribuições do leo têm sido extremamente valiosas, bem como os desafios que ele tem nos proposto.
a partir das primeiras conversas (ainda em agosto), quando ele levantou as várias possibilidades de relações entre o som e a imagem, já começamos a produzir materiais para trabalhar, como ele dizia, a partir do quadro e não da imagem ao vivo, da imagem presa pela lente da câmera e não pelo olho nu.
revendo as anotações, leio:
"antes de tudo, eu gostaria que a senhora me fizesse um breve relato do fato.
luz incide sobre a mulher. Barulho do projetor. vemos: sua boca? sua sombra? a mulher acuada sob a luz?
work in process: hoje demos início aos experimentos com luzes/projeções, fizemos o primeiro teste com a câmera, a partir das questões levantadas pelo leo".
em setembro, tivemos o primeiro workshop: sonoridades. e o desafio: construir 3 ações sonoras e 3 imagens sonoras. reproduzo abaixo as viagens em torno das possíveis idéias para realizar isso
- ações/imagens sonoras:
1. Humilhação: mulher tentando agradar (felicidade conjugal) e é subjugada por um som que a humilha (vaias? risadas?) - leo pergunta: ao invés de utilizar o som de humilhação mais óbvio, poderíamos pensar que som humilharia essa mulher, talvez sons tirados do cotidiano dela?
2. Apanhar: mesma situação, sons de espancamento.
3. Emudecer: contraste voz masculina/feminina. mulher tenta falar, mas vozes masculinas a abafam (sons do universo masculino? risadas? cantadas chulas?). mulher tenta falar um assunto, é cortada por um homem que a elogia.
4. Mudança na imagem pelo som: o som mudaria o ritmo da imagem? mulher dançando, ritmos musicais diferentes (trabalhar também com O SOM DA QUEDA DELA).
5. Mulher sendo torturada pelo som. pode ser: dança sem fim, com diversidades sonoras. tortura: música. ruídos (quais?). vozes/palavra. menor aceleração corporal/maior aceleração musical e vice-versa.
6. Mudança na imagem pelo som II: corpo feminino/peça de roupa. progressão de imagens: peças de roupas soltas até o corpo (imagem clichê de sexo). Sons de coisas quebrando. silêncio. Leo sugere começar com um som que pareça uma coisa (o sexo), que seja ambíguo, mas que é outra: por exemplo: gemidos que logo vemos ser de dor, que se transformam em gritos...
essas eram as minhas ações/imagens (paisagens?) sonoras... as de lissandra eram outras, e brincavam com os sons da casa, numa casa vazia. com a imagem da mulher porta. foram feitos vários testes de imagens, para imagens minhas e dela: da dança, da porta, do sexo/violência?
experimentamos fazer com que o som produzisse relações até então inusitadas (pelo menos para nós) com a imagem... o projetor de slides tem se mostrado bastante produtivo! sim, o trabalho tem sido bem produtivo...
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
eu aborto, tu abortas, somos todas clandestinas
Por fim, com uma ONG internacional, consegui o oferecimento dos medicamentos, em um valor razoável (cobrado para que outras mulheres, sem condição financeiras, possam recebê-los de graça)
Nesse meio tempo ficava o tempo inteiro imaginando se eu não tivesse as condições que eu tinha: financeiras, emocionais, familiares. Eu estaria perdida! Sozinha, sem opções e sem ajuda e com muito medo: da punição legal, do risco físico concreto e confrontada com a possibidade de ter que criar um filho indesejado. UM FILHO INDESEJADO. Quando, de fato, as coisas poderiam (e deveriam) ocorrer de modo muito mais simples e seguro.
Finalmente, os medicamentos chegaram no último minuto do segundo tempo e realizei o aborto: este foi fisicamente muito tranquilo. Ou seja, se houvesse descriminalização do aborto, o processo seria bastante simples: sem medo, sem culpa e sem risco. Não para mim. Mas para as milhares de mulheres que engravidam sem querer e que não têm condições ou não querem levar a gravidez a termo. Está na hora de acabar com essa hipocrisia social: os abortos acontecem, independente da ilegalidade. Esta só favorece a exploração da situação de desespero em que as mulheres se encontram. Só favorece o mercado negro dos medicamentos. Só favorece o risco e a morte de milhares de mulheres, todos os anos.
As mulheres "entre 20 e 29 anos, em união estável, com até oito anos de estudo, trabalhadoras, católicas e com pelo menos um filho" formam o maior grupo que pratica aborto no país,segundo estudo realizado pela Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Ainda segundo a pesquisa, entre "70,8% e 90,5% de quem opta pelo procedimento já tem filhos".
- Pelo menos 3,7 milhões de brasileiras entre 15 e 49 anos realizaram aborto. Ou seja, 7,2% das mulheres em idade reprodutiva. Menos da metade chega ao Sistema Único de Saúde (SUS).
- De 51% a 82% dos abortos são realizados por mulheres entre 20 e 29 anos. Adolescentes respondem por 7% a 9% das estatísticas.
- Somente 2,5% das interrupções de gravidez ocorreram em um contexto de relações eventuais.
- Mulheres que vivenciam relações estabelecidas (tem marido, companheiro ou namorado) responde pela maior parte dos abortos: 70% dos casos.
- Entre 70,8% e 90,5% de quem decide pelo procedimento já possui filhos.
- Mais de 50% das mulheres que abortaram nas regiões Sul e Sudeste usavam algum método anticoncepcional, principalmente pílulas. No Nordeste, essa porcentagem oscila entre 34% e 38,9%.
- Das adolescentes, entre 60% e 83,7% delas não pretendiam engravidar, e 73% cogitaram a interrupção da gestação, sendo que 12,7% a 40% das garotas tentaram abortar. Entre aquelas que consumaram o ato, 25% voltaram a esperar um filho.
- A maior parte das mulheres que fizeram aborto se declarara católica, com 51% a 82% de prevalência, seguida pela que professa a fé espírita, com 4,5% a 19,2%. Em último lugar estão as evangélicas - entre 2,6% e 12,2%.
- De 50,4% a 84,6% das mulheres que cessaram a gestação utilizaram o medicamento Cytotec. Entre as adolescentes, o método também aparece com destaque: mais de 50% afirmaram tomar o Cytotec ou ingerir algum tipo de chá.
- Nos anos 2000, um estudo entre jovens de 18 a 24 anos mostrou que renda familiar e escolaridade foram fatores associados à indução do aborto na primeira gravidez: quanto maior a renda e a escolaridade, maiores as chances de a primeira gravidez resultar em um aborto.
Estudos do Instituto Alan Guttmacher (IAG, em www.agi-usa.org) informam que nos países em desenvolvimento ocorrem 182 milhões de gestações anuais. Estima-se que 36% dessas gestações não foram planejadas, entre as quais 20% terminam em aborto.
A América Latina e o Caribe contribuem significativamente para estes números. As estimativas feitas pelo IAG apontam que, a cada ano, são realizados cerca de 4 milhões de abortos clandestinos e inseguros nas duas regiões.
A Organização Mundial de Saúde divulgou dado sobre mortes maternas relacionadas ao aborto. Segundo a OMS, 21% das mortes (cerca de 6 mil/ano) relacionadas com a gravidez, o parto e o pós-parto, nesses países, têm como causa as complicações do aborto realizado de forma insegura.
Segundo o documento Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, publicado pelo Ministério da Saúde em março de 2004, no Brasil 31% de gestações terminam em aborto. Anualmente, ocorrem no país aproximadamente 1,4 milhão de abortamentos, entre espontâneos e inseguros, com uma taxa de 3,7 abortos para 100 mulheres de 15 a 49 anos.
Segundo a ANDI (Agência de Notícia dos Direitos da Infância), a cada dia cerca de 140 meninas têm a gravidez interrompida. A cada hora, seis adolescentes entram em processo de abortamento.
Ainda segundo o documento, em 2002 foram registrados 53,77 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos, devido a complicações na gestação, no parto ou no puerpério (período de 42 dias após o parto). Entre as principais causas dessas mortes, destacam-se a hipertensão (13,3%), hemorragia (7,6%), infecção puerperal (3,9%) e aborto (2,7%). No entanto, o documento faz uma importante ressalva: para a Área Técnica de Saúde da Mulher, os casos de mortes por abortamento podem ter sido maiores, já que muitas vezes as complicações decorrentes do aborto são registradas como hemorragias e infecções, o que pode camuflar as estatísticas do abortamento.
Dados do SUS indicam que em 2004 foram realizados 1.600 abortos legais em 51 serviços especializados do SUS ao custo de R$ 232 mil. No mesmo ano, ocorreram no SUS 244 mil internações motivadas por curetagens pós-aborto ? entre estes abortamentos espontâneos ou voluntários e feitos na clandestinidade - orçadas em R$ 35 milhões. As curetagens são o segundo procedimento obstétrico mais praticado nas unidades de internação, superadas apenas pelos partos normais.
este post faz parte da blogagem coletiva pela descriminalização e legalização do aborto: http://blogueirasfeministas.com/2011/09/chamada-blogagem-aborto/
domingo, 31 de julho de 2011
Convite para a defesa da tese de doutorado de Nina Caetano
ops! Elvina M. Caetano Pereira
Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes da USP
TÍTULO: TECIDO DE VOZES: texturas polifônicas na cena contemporânea mineira
ORIENTADOR: Profa. Dra. Sílvia Fernandes Telesi da Silva
BANCA EXAMINADORA:
Profa. Dra. Maria Lúcia Pupo – titular- ECA/USP
Prof. Dr. Antônio Araújo Silva – titular– ECA/USP
Prof. Dr. Fernando Pinheiro Villar – titular - UnB
Profa. Dra. Cecília Almeida Salles – titular - PUC/SP
LOCAL: Sala Egon Schaden (1º andar do prédio principal da ECA/USP).
Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443. Cidade Universitária. Butantã, São Paulo/Sp.
Dia 03 de agosto de 2011 (quarta-feira, dia de iansã), às 14 horas.
domingo, 24 de julho de 2011
sobre como se fabrica uma mulher?
a oficina foi realizada durante o festival de inverno de ouro preto e mariana, de 19 a 22 de julho de 2011, por mim e por lica guimarães.
Mulheres em ação: diálogos obscênicos
sexta-feira, 17 de junho de 2011
só a antrofagia nos une (guest post)
Ctrl C Ctrl V
Caro senhor Orlando Orube, viva a diversidade, a diferença e a liberdade de expressão, o senhor tem todo o direito de manifestar sua opinião. Nós também. Segue a nossa:
2 - Primeiramente.....
A Primeira Campainha gostaria de agradecer ao SINPARC e demais membros da comissão de avaliação pelo prêmio de Melhor Texto Inédito concedido na última quinta-feira.
A respeito das considerações feitas pelo Sr. Orlando Orube à presidência do sindicato, cabe apenas o seguinte esclarecimento:
O agradecimento mencionado na cerimônia de premiação diz respeito à linguagem e pesquisa dramatúrgica realizada pelo coletivo - plagicombinação de linguagens e mídias - um termo originalmento utilizado na música pelo multiartista Tom Zé (que também foi mencionado durante o agradecimento) e a um pequeno trecho do texto vencedor:
"Eu estou com você Marina Viana. Eu estou com você Mariana Blanco. Eu estou com você em Belo Horizonte. Eu estou em Belo Horizonte, onde o sertão não virou mar, o mar não virou sertão, onde se desfaz uma panela para criar outra mas mesmo assim a gente senta no cimento."
Não houve em nenhum momento tentativa de ridicularizar a premiação ou desrespeitar a comissão que demonstrou tamanho reconhecimento ao nosso trabalho.
Esperamos com isso esclarecer e dissipar qualquer interpretação equivocada de nosso discurso de agradecimento.
Atenciosamente,
Primeira Campainha
Mariana Blanco - Marina Arthuzzi - Marina Viana
Nosso Manifesto entusiasmado:
SOU MOLEQUE SIM!
MEU JEANS É RASGADO SIM!
SOU A DAMA INDIGNA DAS ALTEROSAS, MEU SENHOR!
SINTO SE TE AFRONTO, SOU DE OUTRO TEMPO, CRESCI EM OUTRO TEMPO, ESCREVEMOS EM OUTRO TEMPO!
EU ESTOU EM BELO HORIZONTE E FAREI BARULHO O QUANTO PUDER.
Muitos amigos meus saíram desta cidade, mas nós batemos o pé. Vamos ficar aqui e bater panela desde as alterosas. As idéias estão aí. Ovo de Colombo. Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?
Ditadura nunca mais! A vida não se resume em festivais!
No dia 15 de Junho de 2011, o primeiro prêmio do SINPARC dos anos 10, a minha geração esteve no palco. Muitas vezes. Gente com quem convivi, estudei, trabalhei, gente que se formou na escola de teatro da UFMG.
Portanto é inegável a importância que esta escola, (tão jovem quanto nós) tem para esta cidade de horizontes montanhosos onde gorjeia Lô Borges e eu também!
Vocês não estão entendendo nada! Diria Caetano. Bundamolice! Diria Lobão.
Sou só uma moça latindo à mera cana sem dinheiro e sem banca, e sei que assim falando pensas que esse desespero é moda em 2016, mas deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara, e tem gente que grita que tudo vai dar pé! Mas ah! VAI DAR PÉ... e eu não vou parar, não vamos parar, estamos aqui. Estamos em Belo Horizonte!
E quem será esse desgraçado dono dessa zorra toda? Tem dono? Num tem dono não!
Todo mundo tem arquivo! O cntrl c cntrl v quem faz é você! Por um pensamento auto sustentável: vomite e coma de novo.
Primeira Campainha
Ano 1 da deglutição do B(ob)ispo S(ponja)rdinha
4 - Resposta de nossa Querida amiga Júnia Pereira ao Senhor Orlando Orube:
Caro Orlando,
Tomei conhecimento de suas considerações sobre o Prêmio
Usiminas/Sinparc e tomo a liberdade de lhe responder, pois acredito no
debate de idéias.
Primeiramente, gostaria de dizer que os grupos e artistas jovens
também são profissionais, mesmo que não tenham um grande passado. É
seu direito dizer que, na sua opinião, dar um prêmio a quem está
começando não é legítimo, e eu entendo a sua colocação que é
pertinente sob determinado ponto de vista, mas acho uma grande ofensa
você nos excluir, em seu texto, da categoria de profissionais da nossa
área. Se trabalhamos ou não com criação de personagem, e que tipo de
metodologia utilizamos para criação de texto, é uma questão estética
que você pode até não gostar, mas não tem o direito de nos excluir da
categoria, ok? Nós também gostamos de respeito. Tenho certeza de que
as artistas que ganharam o prêmio de Melhor Texto não quiseram ofender
ninguém com o seu discurso. Dizer que utilizaram “Ctrl c, Ctrl v” como
procedimento de criação não é uma ofensa a ninguém que trabalha de
outra forma. Se você se sentiu ofendido é porque não consegue
reconhecer o direito à diferença, o que é lamentável.
Em segundo lugar, gostaria de dizer que na minha opinião eu não estava
mal arrumada. Estava de calça jeans, tênis e blusa de frio. Ainda bem
que não fui de salto e vestido porque fui obrigada a sentar no chão,
já que, embora estivesse de posse do convite do SINPARC, pois meu
espetáculo estava indicado a um prêmio, não havia lugares para eu
sentar, pois os lugares constantes do meu convite foram ocupados por
outras pessoas. Isso sim eu achei uma grande falta de glamour. Mas eu
não estou reclamando disso, porque eu não ligo exatamente a mínima
para o glamour, o que na minha humilde opinião é uma coisa de uma
elite opressora. No entanto, eu respeito quem liga. Por isso, por
respeito a quem liga para isso, peço desculpas se incomodei alguém por
ter vibrado, por ter rido alto, por ter me manifestado efusivamente em
alguns momentos durante a premiação. É a primeira vez que participo do
prêmio e não imaginei que fosse um evento tão formal e talvez o fato
de ter sentado no chão tenha me induzido à informalidade. Peço
desculpas então se incomodei e devo ter incomodado pois mesmo não
tendo ganhado nenhum prêmio, fazia parte do que você chamou de
“molecada mal arrumada”, mas esclareço sinceramente e com todo o meu
coração que jamais o meu riso foi de deboche a qualquer um dos
artistas presentes, a quem respeito profundamente como colegas de
profissão.
Aproveito a oportunidade para convidá-lo a assistir o meu espetáculo
It, que esteve em cartaz no seu teatro durante a Campanha de
Popularização, e hoje está na FUNARTE MG até o dia 26 de junho, quinta
a sábado 20h e domingo 19h. O texto é meu e de Amanda Dias Leite, é
inspirado em Clarice Lispector e em outros autores, tendo como um dos
procedimentos de criação a colagem, e a direção de cena é de Marina
Viana.
Abraços
Júnia Pereira.
4 - Texto de Orlando Orube
Considerações sobre o Premio SINPARC:
Estou triste, fiquei triste e não sei por que todo mundo engoliu o
deboche das moças que obtiveram o premio de dramaturgia adulta.
Sinto me isento para comentar, pois esse ano eu particularmente não
concorri a nada, e mesmo que o tivesse feito acho que não ficaria
calado.
Ir ao palco e jogar na cara de todo o mundo que o texto foi o premio
ao “Ctrl c, Ctrl v”, admitindo que o texto foi tudo colado de diversos
textos de outros autores, foi a maior afronta que já vi em muito
tempo. (E o premio deveria ser revisto pela comissão).
Acredito que os textos que não tem um autor reconhecido
individualmente ou inserido no meio de um grupo de criação coletiva
não devam concorrer a esse premio a exemplo de outras categorias, e
sim ao premio revelação, já que ele agora é multidisciplinar.
O premio SINPARC é e deve ser uma homenagem a produção profissional e
aos profissionais que de ela participam, e por tanto em todas as
categorias além do desempenho eventual de um artista deve-se respeitar
também o passado de todos e dar um peso a isso, não é legal dar um
premio a quem ainda não demonstrou nada e pode ter tido um dia feliz
ou ser simplesmente ele o que está no palco, sem criação nenhuma de
personagem.
Outra coisa:
Longe estão às datas em que o premio tinha glamour, hoje assistimos a
um bando de moleques mal arrumados debocharem (até politicamente) de
todos nós. E o pior é que ninguém fala nada, Rômulo, me ajuda cara,
você é um guerreiro, não deixa a coisa desandar por conta de uma
democracia falsa e risonha que em nada ajuda a nossa instituição.
Assisti na rua após o evento essa molecada morrer de rir de nós, que é
isso!
Respeito é bom, e eu gosto dele em qualquer situação.
Orlando Orube
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Bloguemus quae sera tamen
nos dias 10 e 11 de junho será realizado, em belo horizonte, o Bloguemus Quae Sera Tamen: o primeiro encontro de blogueiros progressistas mineiros e vou integrar, convidada pela querida cynthia semiramis, uma mesa sobre cultura e ativismo no sábado, às 14 horas. a idéia é não só nos prepararmos para o encontro nacional dos blogueiros progressistas, que será realizado em brasília, mas também começarmos a juntar forças para a ação.
considero muito potente a percepção dos espaços das redes sociais como possibilidade de fabricação de "discursos sediciosos", rementendo à tradição mineira de inconfidência.
vejam maiores informações no link:
http://cynthiasemiramis.org/2011/06/05/blogueirs-de-minas-gerais-realizam-o-evento-bloguemus-quae-sera-tamen/
para a programação, vejam o link:
http://bloguemusqstmg.blogspot.com/2011/06/blogueiros-mineiros-realizam-bloguemus.html
sexta-feira, 27 de maio de 2011
como se fabrica uma mulher?
pensado em um formato intensivo, de 12 horas distribuídas em dois dias de atividade, o workshop possibilitou a experimentação de intervenções feministas na cidade de ouro preto, nos dias 23 e 24 de maio, as quais visaram discutir o modelo de feminino vigente na sociedade brasileira contemporânea. como pontapé inicial das atividades, decidimos apresentar nosso trabalho às mulheres participantes em sua realização prática, realizando uma intervenção no centro histórico da cidade, classificação zoológica da mulher.
a partir do que foi experimentado e visto, discutimos o modelo de mulher e a sua "fabricação" em nossa sociedade como algo naturalizado. ao problematizar esse lugar, buscamos levantar as possibilidades de uma atuação política gerada a partir de nossas questões e críticas. daí, partimos para a discussão da proposta de ação a ser realizada nessas doze horas de trabalho e solicitamos, às participantes do workshop, os materiais que serviriam de base para a produção de ações por meio das relações do corpo com espaços e objetos associados ao universo da mulher.
à tarde desse primeiro dia (23), propusemos um trabalho sensorial, a partir de objetos relacionais, e uma prática de deriva pela cidade, para levantamento de uma cartografia afetiva por parte delas. o trabalho as sensibilizou para as possibilidades de ocupação na intervenção que realizaríamos no dia seguinte.
no dia 24, já com os materiais que elas e nós trouxemos - revistas, jornais, objetos e roupas - construímos as mulheres painel e, à tarde, já com os corpos montados, partimos para a "invasão" da cidade.
as mulheres participantes se mostraram potentes, cada uma em sua individualidade e criação, e potencializadas pela força de uma ação coletiva.
seus corpos, em confronto com a cidade e o cidadão ouropretano, causaram um acontecimento no qual estranhamento e ludicidade se encontravam.
para nós e para elas, repensar e criticar as relações que são estabelecidas com o corpo feminino em uma sociedade machista como a nossa, na qual somos vistas ainda como objetos de propriedade masculina - como "brinquedos de homem" como afirmava o recorte de uma matéria de revista ostentado por mariana hippert, uma das mulheres em ação (ver foto logo acima) - produziu mergulhos que, com certeza, ainda vão encontrar reverberações mais profundas no que diz respeito às questões relacionadas ao nosso eu social e ao nosso papel, em questões - algumas adormecidas e esquecidas - também associadas à nossa atuação como cidadãs e como artistas.
esse foi só o início...
quinta-feira, 28 de abril de 2011
FECHADA PARA BALANÇO
mas volto à toda depois de 15 de maio!
aguardem... aguardo.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
meninas massacradas
procurando entender a tragédia que aconteceu ontem em realengo, rio de janeiro. um rapaz de 23 ou 24 anos invadiu uma escola e matou 12 crianças, deixando outras 13 feridas.
procurando entender também a cobertura irresponsável e sensacionalista que a mídia fez/faz do caso (ironicamente, ontem também foi o dia do jornalista brasileiro). já o chamaram de terrorista islâmico, já disseram que tinha hiv. já fizeram do caso o nosso columbine.
mas essa mídia não se lembra de um detalhe. o que ele tinha era ódio contra mulheres.
um sujeito que invade uma escola e mata meninas. sim, meninas, nas quais ele atirou para matar, tem ódio. mas não é um ódio generalizado, contra todo o mundo. wellington não atirava a esmo.
wellington escolheu as vítimas: meninas bonitas. ele mirou em suas cabeças e atirou. entre as 12 crianças mortas, 10 eram meninas.
seu ódio era contra mulheres. isso tem nome: misoginia.
pode ser que ele tivesse problemas mentais. pode ser que ele tivesse treinamento militar. pode ser que fosse religioso (pois em sua carta, ele expressa claramente o desejo de se manter puro e perdoado por deus. mas não por alá). pode ser que ele sofresse bullying na escola.
com certeza, wellington tinha uma mente carregada de imagens de violência que essa mesma mídia que faz desse caso um circo, adora divulgar.
mas, acima de tudo, ele tinha ódio.
sim, esse foi um crime de ódio. como são os crimes contra judeus, negros ou homossexuais.
um CRIME DE ÓDIO: feminicídio. é preciso dar nome aos bois.
sexta-feira, 25 de março de 2011
classificação zoológica da mulher
Seu habitat natural é o lar, o ambiente doméstico. Adora passar, limpar, cozinhar e cuidar, mesmo sem vontade.O temperamento dócil das mulheres vacas associado à sua indiscutível utilidade econômica, fez da domesticação da espécie a mais antiga da história da civilização. Estima-se que já eram domesticadas pelos homens das cavernas.
Além da força de trabalho, esse animal é extremamente útil porque dele se aproveita tudo: você pode comer a carne e até arrancar o couro que a mulher vaca não reclama. Além disso, ela tem como qualidade a capacidade de tudo suportar, sem frescura. Carga, peso, culpa.
Cuidado! Não alimente com idéias, pode ser perigoso.
Mulher cachorra. Nome científico: femina vulgaris.
foto: nina caetano
Seu habitat natural é a rua, o bar, o baile funk. Normalmente tem hábito noturno, mas há espécies que funcionam dia e noite.
É um animal extremamente sociável, aceitando seu dono como chefe da matilha. Aliás, essa espécie precisa de dono para se sentir feliz.
Bastante utilizada como bichinho de estimação e enfeite de namorado, a mulher cachorra aceita bem a coleira, que usa como se fosse um colar de diamantes.
A mulher cachorra é relativamente dócil e leal. Se bem adestrada, ela lambe e até balança o rabinho. Mesmo sem vontade.
Para o adestramento, pode ser necessário o uso de tapinhas. Mas não se preocupe porque, para a verdadeira mulher cachorra, um tapinha não dói.
Cuidado! Não alimente com idéias, pode ser perigoso.
sábado, 19 de março de 2011
só muda de endereço

sábado, 12 de março de 2011
a mãe é culpada de tudo: elaine césar
fiquem com elaine. acompanhem sua história e sigam seu blog (idéia, bem como o guest post de elaine, copiada do blog solteiras e descoladas).
tomem atitudes, cada uma: divulguem, criem cartas de repúdio, mobilizem outras pessoas.
Hoje vivo um Câncer Linfoma Não-Hodkin das Células T num estágio avançado.
Vivo um grande amor.
Vivo uma grande luta que esta sendo um sucesso contra esse câncer e a certeza que logo Théo estará de volta nos meus braços junto com Rudá, esse bebezinho que segue guerreiro dentro de mim, nos alimentando nessa grande batalha que é a vida.
Ali, eu morri. Poucos dias depois soube do câncer.
A acusação foi feita pelo pai do meu filho; Rafael Gonçalves e aceita pelo tribunal de justiça que segue um código antigo que “protege” a criança de pais pedófilos, imediatamente dando a guarda para o “autor do processo”.
Blog da Elaine: http://elainecesar.blogspot.com/
quarta-feira, 9 de março de 2011
Saia de bruxa hoje (Maíra Kubík Mano)
Não, nada de sair por aí fantasiada de princesa, noiva ou prostituta. E nem pense em aparecer de cigana ou palhaça! Se eu te encontrar de odalisca, juro que viro a cara.
A idéia é a seguinte: pegue um chapéu preto ou roxo bem alto. Uma capa vai bem também – pode ser das mesmas cores, para ficar combinando. E uma vassoura, sempre tem que ter uma vassoura. Se quiser, ponha um nariz comprido e disforme, afinal, nossas homenageadas eram feias de dar dó – pelo menos segundo os desenhos animados da Disney. Um toque especial. Ah, e desenhe uma verruga, fundamental!
Saia, enfim, de bruxa! Por quê? Porque hoje é 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, e essas libertárias ousadas foram um pedaço da nossa história rumo a uma sociedade mais igualitária. Queimadas nas fogueiras da Inquisição sem piedade simplesmente porque estudavam a natureza e exerciam a medicina alternativa, elas entraram para os anais como forças maléficas. Óbvio: eram um símbolo do poder da mulher e isso não poderia ser tolerado.
Mas agora sim. Dê gargalhadas sinistras por aí. Você pode. E deve!