<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405</id><updated>2011-12-21T16:28:36.077-02:00</updated><category term='escritas performadas'/><category term='baby dolls'/><category term='questões feministas outras'/><category term='experimentos textuais'/><category term='experimentos obscênicos'/><category term='críticas de espetáculos'/><category term='questões feministas nina'/><category term='artigos e ensaios'/><title type='text'>desautoria</title><subtitle type='html'>desautorias escritas ações articulações relações desvarios incômodos perguntas semresposta
texturas cênicas desautorizadas</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>62</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-3409474646089643434</id><published>2011-11-11T16:43:00.002-02:00</published><updated>2011-12-21T16:28:36.084-02:00</updated><title type='text'>Um soco no estômago</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormalCxSpFirst" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Leitura crítica de &lt;i&gt;Borboletas de Sol de Asas Magoadas&lt;/i&gt;, espetáculo assistido durante o FENATA.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpFirst" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Ponta Grossa/PR&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 7.0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;“Se a pessoa está tendo muito problema com a sexualidade do outro é porque alguma coisa não está bem resolvida dentro dela” (travesti Bety).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O Brasil é campeão mundial de crimes contra LGBTT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais). Contra 35 assassinatos ocorridos no México (segundo lugar nas estatísticas) e 25 ocorridos nos EUA (terceiro lugar), no ano passado, são aproximadamente 200 crimes por ano (cerca de um assassinato a cada dois dias) no país. Destes, 37% são contra travestis. Ainda segundo o levantamento, realizado pelo GGB (Grupo Gay da Bahia), os estados mais homofóbicos são a Bahia e o Paraná que, só no ano passado, contabilizaram 25 mortes cada um. No Paraná, a maioria das mortes é de travestis, sendo Curitiba a metrópole na qual mais homossexuais foram assassinados no Brasil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Construído a partir de uma pesquisa de campo realizada com travestis nas ruas de Porto Alegre/RS, o espetáculo &lt;i&gt;Borboletas de Sol de Asas Magoadas&lt;/i&gt;, com concepção, criação e magnífica atuação de Evelyn Ligocki (que divide a&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 16px;"&gt;direção com Celina Alcântara)&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 16px;"&gt;, trata, justamente, do universo de brilho e preconceito, riso e desprezo, violência e solidão em que elas vivem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;O espetáculo começa ainda no saguão de entrada, onde Bety, nossa anfitriã, nos recepciona e nos convida a entrar em sua “casa”. É impressionante a mímesis da atriz que, sendo mulher, representa um homem que quer ser mulher, superlativa em sua feminilidade. Seus gestos, posturas, linguajar e inflexões vocais, minuciosamente construídos, criam um jogo de ambigüidade (é homem ou é mulher?) que me parece absolutamente necessário para o que será tratado em cena. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Com o público já acomodado, Bety transita pela platéia e chama alguns espectadores para se sentarem no palco, junto a ela. Ela brinca, usa e abusa dos trejeitos típicos das travestis, do jogo de cabelo, do vocabulário. Captada a simpatia da platéia, ela vai, aos poucos, revelando-nos o seu dia-a-dia, no qual se misturam a alegria e a dor: seus truques, mascaramentos e pequenas tragédias, como o assassinato da amiga, sua “mãe de quadra”. Bety expõe seu corpo, chora, dá risada, relata as agressões diárias que sofre e o seu trabalho na prostituição, aproximando-nos da humanidade desses seres que, em geral, são vistos (e tratados) como aberrações. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No entanto, ao assistir ao trabalho ontem, no Cine-Teatro Ópera, fiquei com a nítida impressão de que ele foi concebido para outro tipo de espaço, que permitisse ao público, de fato, adentrar a intimidade da travesti, estar em sua casa. Nesse sentido, a estrutura de palco italiano – que, nesse caso, parecia exigir outra forma de dramaturgia – prejudica a cumplicidade que a atriz, por meio de uma relação direta, olho no olho, constrói com o espectador. Este, em diversos momentos, se afasta dos fatos narrados em cena: foi especialmente perceptível o momento em que Bety, ao sair para o trabalho – a atriz se dirige para o fundo do palco, no qual simula uma rua da zona de prostituição – é cuspida, depois espancada e estuprada. A ação toda é construída a partir das reações da atriz, que simula as agressões com o próprio corpo. A cena, embora forte e violenta, provocou risadas na platéia, talvez pela dificuldade de construí-la, naquele espaço, com verossimilhança. Talvez pela dificuldade de construí-la com verossimilhança, à vista do espectador. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em seguida, machucada no corpo e na alma, Bety retorna à sua casa e este me parece ser o momento chave do espetáculo, no qual, por meio do desabafo da travesti, a atriz Evelyn pode colocar em cena o seu posicionamento e escancarar a hipocrisia moral e social na qual vivemos mergulhados. Momento precioso em que, devido ao patético da ação – na qual se misturam o sofrimento e a revolta, o choro pungente e o espanto – esse desmascaramento encontra eco, pela contundência de seu discurso, em nossa mais profunda humanidade.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-3409474646089643434?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/3409474646089643434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=3409474646089643434' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/3409474646089643434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/3409474646089643434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2011/11/um-soco-no-estomago.html' title='Um soco no estômago'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-2183461555098967875</id><published>2011-11-08T12:30:00.002-02:00</published><updated>2011-11-08T17:20:06.185-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='críticas de espetáculos'/><title type='text'>Em busca do deus</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormalCxSpFirst" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Leitura crítica de &lt;i&gt;Agda&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;(espetáculo apresentado durante o FENATA, em Ponta Grossa)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 0.0001pt 191.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 150%;"&gt;“E outras vezes, Potente Implacável Senhor, que teria sido melhor não morrer e ficar fiando o destino das gentes e Agda-daninha às noites só cantando e dançando, que é verdade que sei melhor cantar e dançar do que morrer.”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;O cenário é simples: três painéis, no fundo do palco, delicadamente iluminados. Vozes começam a soar, em sussurros ininteligíveis, ganidos de cães. Corpos se movimentam no escuro, em gestualidade animal. Assim começa &lt;i&gt;Agda&lt;/i&gt;, espetáculo que é fruto da parceria, iniciada em 2001, entre a Boa Companhia e o Grupo Matula Teatro (Campinas/SP). Como no conto homônimo de Hilda Hilst – no qual o espetáculo é inspirado – Agda é também o nome da personagem central, mulher que, por romper com os tabus da comunidade em que vive, atrai sobre si todo o ressentimento, fúria e crueldade de seus habitantes. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Misturando elementos do teatro e da dança, Melissa Lopes, Aldiane Dala Costa e Veronica Fabrini, as três atrizes em cena, personificam não só Agda, mas também as vozes da aldeia, principalmente dos três homens – Kalau, Celônio e Orto – que são seus amantes. E são justamente as vozes dos três que ouvimos soar, já no início do espetáculo, como percepções supersticiosas da mulher: Agda-cadela, Agda-daninha, Agda-lacraia. Agda, aquela que aparece, para cada um deles, como distinta e sempre outra. Agda inapreensível. Como Orto diz, nesse primeiro diálogo que soa em off, enquanto as três atrizes-bailarinas se movimentam, construindo e desconstruindo, com seus corpos e vozes, imagens que remetem à animalidade dessa mulher, maldita por todos: “muita coisa junta vive dentro de Agda e a nossa parte é nada”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JjPv2Mqi4hs/Trk81LFN4WI/AAAAAAAADfQ/0gzWTOEwnNw/s1600/agda.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="136" src="http://3.bp.blogspot.com/-JjPv2Mqi4hs/Trk81LFN4WI/AAAAAAAADfQ/0gzWTOEwnNw/s320/agda.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;A partir do que poderíamos chamar de uma dramaturgia do corpo, o espetáculo constrói com delicadeza a oposição entre Agda – mulher em busca da transcendência, angustiada entre suas dimensões sagrada e profana – e o olhar, violento e opressor, que a comunidade lança sobre ela. Para isso, coopera, além do ótimo desempenho das três atrizes, a manipulação do figurino, assinado por Juliana Pfeifer e Sandra Pestana. Simples, belo e versátil, encontra especial destaque nas saias que, se transformando em calças, vão compor, juntamente com paletós e punhais, as figuras masculinas. Ao serem manipuladas pelas atrizes, elas se tornam véus, mortalhas, extensões do corpo de Agda. Ao final do espetáculo, às saias e paletós, as atrizes acrescem panos vermelhos – que lembram, em chave metonímica, trajes eclesiásticos – para compor os diversos tipos que habitam a aldeia e que se dirigem ao público, como promotores, juízes e carrascos, na condenação da mulher da qual não conseguem suportar a singularidade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Essa mesma delicadeza está presente no movimento quase coreográfico da cena – e aqui quero destacar um dos momentos mais belos de &lt;i&gt;Agda&lt;/i&gt;: o insólito tango dançado pelos homens que relembram, com raiva e desejo, sua amante – bem como na inspirada trilha sonora, composta por Mauro Braga e Silas de Oliveira, e no trabalho vocal das atrizes, principalmente de Aldiane Dala Costa que, em alguns momentos, consegue produzir suspensões poéticas, em outros, uma musicalidade quase encantatória. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;O texto, aliás, merece especial destaque: a potente transcriação dramatúrgica, a cargo de Moacir Ferraz (que também assina a direção), não só conserva a natureza híbrida do conto de Hilda Hilst – no qual se mesclam as instâncias dramática, narrativa e lírica – como, ainda, mantém toda a intensidade de sua escrita, ganhando preciosas nuances no jogo entre a poesia e os corpos que transitam entre as energias masculina e feminina, entre o humano e o animal, entre o profano e o divino. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-2183461555098967875?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/2183461555098967875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=2183461555098967875' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/2183461555098967875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/2183461555098967875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2011/11/em-busca-do-deus.html' title='Em busca do deus'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-JjPv2Mqi4hs/Trk81LFN4WI/AAAAAAAADfQ/0gzWTOEwnNw/s72-c/agda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-7795549439678277491</id><published>2011-10-19T19:26:00.010-02:00</published><updated>2011-10-19T20:11:40.301-02:00</updated><title type='text'>sem juízo: experimentos para um roteiro</title><content type='html'>em julho demos partida, lissandra guimarães e eu, à pesquisa de materiais que fundamenta o processo de criação de sem juízo, roteiro work in process objeto do projeto (em andamento) aprovado no fundão 2011. a partir de agosto, começamos a exercitar as práticas necessárias para o exercício de criação de cenas que serão/são material para o roteiro. começamos também a experimentar o uso da câmera. mas foi a partir da participação de leo souza no trabalho, já em meados de agosto, que a coisa começou a deslanchar.&lt;br /&gt;como orientador do projeto, leo havia proposto trabalhar conosco a partir de workshops que cobririam certos temas, relacionados&amp;nbsp; à linguagem audiovisual. como sou dramaturga e sempre trabalhei com teatro, minha perspectiva era bem distinta do trabalho com a imagem que se faz com a câmera. nesse sentido, as contribuições do leo têm sido extremamente valiosas, bem como os desafios que ele tem nos proposto.&lt;br /&gt;a partir das primeiras conversas (ainda em agosto), quando ele levantou as várias possibilidades de relações entre o som e a imagem, já começamos a produzir materiais para trabalhar, como ele dizia, a partir do quadro e não da imagem ao vivo, da imagem presa pela lente da câmera e não pelo olho nu.&lt;br /&gt;revendo as anotações, leio:&lt;br /&gt;"antes de tudo, eu gostaria que a senhora me fizesse um breve relato do fato.&lt;br /&gt;luz incide sobre a mulher. Barulho do projetor. vemos: sua boca? sua sombra? a mulher acuada sob a luz?&lt;br /&gt;work in process: hoje demos início aos experimentos com luzes/projeções, fizemos o primeiro teste com a câmera, a partir das questões levantadas pelo leo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-BfNKgb4nTiU/Tp88pMgPb6I/AAAAAAAADe4/_MpzBSxdXEk/s1600/DSC05884.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://1.bp.blogspot.com/-BfNKgb4nTiU/Tp88pMgPb6I/AAAAAAAADe4/_MpzBSxdXEk/s320/DSC05884.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;foto: nina caetano&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;em setembro, tivemos o primeiro workshop: sonoridades. e o desafio: construir 3 ações sonoras e 3 imagens sonoras. reproduzo abaixo as viagens em torno das possíveis idéias para realizar isso&lt;br /&gt;- ações/imagens sonoras:&lt;br /&gt;1. Humilhação: mulher tentando agradar (felicidade conjugal) e é subjugada por um som que a humilha (vaias? risadas?) - leo pergunta: ao invés de utilizar o som de humilhação mais óbvio, poderíamos pensar que som humilharia essa mulher, talvez sons tirados do cotidiano dela?&lt;br /&gt;2. Apanhar: mesma situação, sons de espancamento.&lt;br /&gt;3. Emudecer: contraste voz masculina/feminina. mulher tenta falar, mas vozes masculinas a abafam (sons do universo masculino? risadas? cantadas chulas?). mulher tenta falar um assunto, é cortada por um homem que a elogia.&lt;br /&gt;4. Mudança na imagem pelo som: o som mudaria o ritmo da imagem? mulher dançando, ritmos musicais diferentes (trabalhar também com O SOM DA QUEDA DELA).&lt;br /&gt;5. Mulher sendo torturada pelo som. pode ser: dança sem fim, com diversidades sonoras. tortura: música. ruídos (quais?). vozes/palavra. menor aceleração corporal/maior aceleração musical e vice-versa.&lt;br /&gt;6. Mudança na imagem pelo som II: corpo feminino/peça de roupa. progressão de imagens: peças de roupas soltas até o corpo (imagem clichê de sexo). Sons de coisas quebrando. silêncio. Leo sugere começar com um som que pareça uma coisa (o sexo), que seja ambíguo, mas que é outra: por exemplo: gemidos que logo vemos ser de dor, que se transformam em gritos...&lt;br /&gt;essas eram as minhas ações/imagens (paisagens?) sonoras... as de lissandra eram outras, e brincavam com os sons da casa, numa casa vazia. com a imagem da mulher porta. foram feitos vários testes de imagens, para imagens minhas e dela: da dança, da porta, do sexo/violência?&lt;br /&gt;experimentamos fazer com que o som produzisse relações até então inusitadas (pelo menos para nós) com a imagem... o projetor de slides tem se mostrado bastante produtivo! sim, o trabalho tem sido bem produtivo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-4090af0c64898d51" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v8.nonxt1.googlevideo.com/videoplayback?id%3D4090af0c64898d51%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330236717%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D79E533514C123A8EFA3F2C71188ABF7223B1E74D.34AFBCD1CA246CFCF6A68B7DB669FEFF9D6564D4%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D4090af0c64898d51%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D4gYeQM6bLMv_oO-Xm93adi_NFro&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v8.nonxt1.googlevideo.com/videoplayback?id%3D4090af0c64898d51%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330236717%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D79E533514C123A8EFA3F2C71188ABF7223B1E74D.34AFBCD1CA246CFCF6A68B7DB669FEFF9D6564D4%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D4090af0c64898d51%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D4gYeQM6bLMv_oO-Xm93adi_NFro&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-560732b93b99286d" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v19.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3D560732b93b99286d%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330236717%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D5A923CB6C2BE6BF76FAA56361EE9549C19BDE5A1.39BB09A4957A43BB96C69DADBCAEEE628D04ED6A%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D560732b93b99286d%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D4fMDc6mqmYAzucM5_t0YveuKQi4&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v19.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3D560732b93b99286d%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330236717%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D5A923CB6C2BE6BF76FAA56361EE9549C19BDE5A1.39BB09A4957A43BB96C69DADBCAEEE628D04ED6A%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D560732b93b99286d%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D4fMDc6mqmYAzucM5_t0YveuKQi4&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;vídeos: leonardo souza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-7795549439678277491?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/7795549439678277491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=7795549439678277491' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/7795549439678277491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/7795549439678277491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2011/10/sem-juizo-experimentos-para-um-roteiro.html' title='sem juízo: experimentos para um roteiro'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-BfNKgb4nTiU/Tp88pMgPb6I/AAAAAAAADe4/_MpzBSxdXEk/s72-c/DSC05884.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-5084342365444102134</id><published>2011-09-28T11:58:00.007-03:00</published><updated>2011-09-28T18:55:29.877-03:00</updated><title type='text'>eu aborto, tu abortas, somos todas clandestinas</title><content type='html'>&lt;div class="content-description" style="margin-top: 20px;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;Eu fiz um aborto. Já mãe, com a minha vida resolvida e sem desejo nenhum de ter outro filho e "começar tudo de novo", resolvi abortar. E como foi difícil! Não dentro de mim. A decisão estava tomada e eu estava tranqüila, apesar dos sentimentos de culpa e sensações superticiosas (resquícios de minha criação católica) de que eu seria punida. Sensações que eram intensificadas na medida em que eu percebia como era difícil fazer um aborto em um país no qual ele não é legalizado. Não conseguia referências médicas - quando as conseguia, os médicos não mais atuavam pelo risco que isso implicava - e não consegui acesso aos remédios que possibilitariam realizar um aborto medicinal. Quando obtinha informações, os remédios eram caríssimos e a fonte não confiável (corria o risco de comprar os remédios, tomá-los e a gravidez não ser interrompida). Percebi o quanto a ilegalidade do procedimento favorece o nascimento de um mercado que se aproveita da fragilidade da situação em que as mulheres se encontram, de um mercado que explora o desespero alheio.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Por fim, com uma ONG internacional, consegui o oferecimento dos medicamentos, em um valor razoável (cobrado para que outras mulheres, sem condição financeiras, possam recebê-los de graça) &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Nesse meio tempo ficava o tempo inteiro imaginando se eu não tivesse as condições que eu tinha: financeiras, emocionais, familiares. Eu estaria perdida! Sozinha, sem opções e sem ajuda e com muito medo: da punição legal, do risco físico concreto e confrontada com a possibidade de ter que criar um filho indesejado. UM FILHO INDESEJADO. Quando, de fato, as coisas poderiam (e deveriam) ocorrer de modo muito mais simples e seguro.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Finalmente, os medicamentos chegaram no último minuto do segundo tempo e realizei o aborto: este foi fisicamente muito tranquilo. Ou seja, se houvesse descriminalização do aborto, o processo seria bastante simples: sem medo, sem culpa e sem risco. Não para mim. Mas para as milhares de mulheres que engravidam sem querer e que não têm condições ou não querem levar a gravidez a termo. Está na hora de acabar com essa hipocrisia social: os abortos acontecem, independente da ilegalidade. Esta só favorece a exploração da situação de desespero em que as mulheres se encontram. Só favorece o mercado negro dos medicamentos. Só favorece o risco e a morte de milhares de mulheres, todos os anos.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mulheres "entre 20 e 29 anos, em união estável,  com até oito anos de estudo,  trabalhadoras, católicas e com pelo menos  um filho" formam o maior grupo  que pratica aborto no país,segundo estudo realizado pela Universidade Federal de Pelotas, no  Rio Grande do Sul. Ainda  segundo a pesquisa, entre "70,8% e 90,5% de quem opta pelo procedimento  já tem filhos".&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;div class="content-description" style="margin-top: 20px;"&gt;&amp;nbsp;- Mais de 1 milhão de gestações foram interrompidas em 2005.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Pelo menos 3,7 milhões de brasileiras entre 15 e 49 anos realizaram  aborto. Ou seja, 7,2% das mulheres em idade reprodutiva. Menos da metade  chega ao Sistema Único de Saúde (SUS). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De 51% a 82% dos abortos são realizados por mulheres entre 20 e 29 anos. Adolescentes respondem por 7% a 9% das estatísticas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Somente 2,5% das interrupções de gravidez ocorreram em um contexto de relações eventuais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Mulheres que vivenciam relações estabelecidas (tem marido, companheiro   ou namorado) responde pela maior parte dos abortos: 70% dos casos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Entre 70,8% e 90,5% de quem decide pelo procedimento já possui filhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Mais de 50% das mulheres que abortaram nas regiões Sul e Sudeste   usavam algum método anticoncepcional, principalmente pílulas. No   Nordeste, essa porcentagem oscila entre 34% e 38,9%. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Das adolescentes, entre 60% e 83,7% delas não pretendiam engravidar, e   73% cogitaram a interrupção da gestação, sendo que 12,7% a 40% das   garotas tentaram abortar. Entre aquelas que consumaram o ato, 25%   voltaram a esperar um filho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A maior parte das  mulheres que fizeram aborto se declarara católica,  com 51% a 82% de  prevalência, seguida pela que professa a fé espírita,  com 4,5% a 19,2%.  Em último lugar estão as evangélicas - entre 2,6% e  12,2%. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  De 50,4% a 84,6% das mulheres que cessaram a gestação utilizaram o   medicamento Cytotec. Entre as adolescentes, o método também aparece com   destaque: mais de 50% afirmaram tomar o Cytotec ou ingerir algum tipo  de  chá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nos anos 2000, um estudo entre jovens de 18  a 24 anos mostrou que  renda familiar e escolaridade foram fatores  associados à indução do  aborto na primeira gravidez: quanto maior a  renda e a escolaridade,  maiores as chances de a primeira gravidez  resultar em um aborto.&amp;nbsp; &lt;/div&gt;Fonte da UFPel: relatório Aborto e Saúde Pública: 20 anos de Pesquisas no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudos  do Instituto Alan Guttmacher (IAG, em www.agi-usa.org) informam que nos  países em desenvolvimento ocorrem 182 milhões de gestações anuais.  Estima-se que 36% dessas gestações não foram planejadas, entre as quais  20% terminam em aborto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A América Latina e o Caribe contribuem  significativamente para estes números. As estimativas feitas pelo IAG  apontam que, a cada ano, são realizados cerca de 4 milhões de abortos  clandestinos e inseguros nas duas regiões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Organização Mundial  de Saúde divulgou dado sobre mortes maternas relacionadas ao aborto.  Segundo a OMS, 21% das mortes (cerca de 6 mil/ano) relacionadas com a  gravidez, o parto e o pós-parto, nesses países, têm como causa as  complicações do aborto realizado de forma insegura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o  documento Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher,  publicado pelo Ministério da Saúde em março de 2004, no Brasil 31% de  gestações terminam em aborto. Anualmente, ocorrem no país  aproximadamente 1,4 milhão de abortamentos, entre espontâneos e  inseguros, com uma taxa de 3,7 abortos para 100 mulheres de 15 a 49  anos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Segundo a ANDI (Agência de Notícia dos  Direitos da Infância), a cada  dia cerca de 140 meninas têm a gravidez  interrompida. A cada hora,  seis adolescentes entram em processo de  abortamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda segundo o documento, em 2002 foram registrados 53,77  óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos, devido a complicações na  gestação, no parto ou no puerpério (período de 42 dias após o parto).  Entre as principais causas dessas mortes, destacam-se a hipertensão  (13,3%), hemorragia (7,6%), infecção puerperal (3,9%) e aborto (2,7%).  No entanto, o documento faz uma importante ressalva: para a Área Técnica  de Saúde da Mulher, os casos de mortes por abortamento podem ter sido  maiores, já que muitas vezes as complicações decorrentes do aborto são  registradas como hemorragias e infecções, o que pode camuflar as  estatísticas do abortamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dados do SUS indicam que em 2004  foram realizados 1.600 abortos legais em 51 serviços especializados do  SUS ao custo de R$ 232 mil. No mesmo ano, ocorreram no SUS 244 mil  internações motivadas por curetagens pós-aborto ? entre estes  abortamentos espontâneos ou voluntários e feitos na clandestinidade -  orçadas em R$ 35 milhões. As curetagens são o segundo procedimento  obstétrico mais praticado nas unidades de internação, superadas apenas  pelos partos normais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="content-description" style="margin-top: 20px;"&gt;Foram fontes para essa compilação, os artigos&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.nominuto.com/noticias/cidades/aborto-e-a-terceira-causa-de-morte-materna-no-brasil/52084/"&gt;http://www.nominuto.com/noticias/cidades/aborto-e-a-terceira-causa-de-morte-materna-no-brasil/52084/&lt;/a&gt; e&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.skyscraperlife.com/boteco/14530-aborto-no-brasil.html"&gt;http://www.skyscraperlife.com/boteco/14530-aborto-no-brasil.html&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="content-description" style="margin-top: 20px;"&gt;Veja também: &lt;a href="http://www.womenonweb.org/article-174-pt.html"&gt;precisa de um aborto?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;este post faz parte da blogagem coletiva pela descriminalização e legalização do aborto: &lt;a href="http://blogueirasfeministas.com/2011/09/chamada-blogagem-aborto/"&gt;http://blogueirasfeministas.com/2011/09/chamada-blogagem-aborto/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-5084342365444102134?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/5084342365444102134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=5084342365444102134' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/5084342365444102134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/5084342365444102134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2011/07/eu-aborto-tu-abortas-somos-todas.html' title='eu aborto, tu abortas, somos todas clandestinas'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-7148689958469814588</id><published>2011-07-31T17:50:00.005-03:00</published><updated>2011-08-01T09:41:16.974-03:00</updated><title type='text'>Convite para a defesa da tese de doutorado de Nina Caetano</title><content type='html'>Tenho o prazer de convidá-l@s para a defesa da Tese de Doutorado de Nina Caetano.&lt;br /&gt;ops! Elvina M. Caetano Pereira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes da USP&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TÍTULO: &lt;i&gt;&lt;b&gt;TECIDO DE VOZES: texturas polifônicas na cena contemporânea mineira&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ORIENTADOR: Profa. Dra. Sílvia Fernandes Telesi da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BANCA EXAMINADORA:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Profa. Dra. Maria Lúcia Pupo – titular- ECA/USP&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prof. Dr. Antônio Araújo Silva – titular– ECA/USP&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prof. Dr. Fernando Pinheiro Villar – titular - UnB&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Profa. Dra. Cecília Almeida Salles – titular - PUC/SP&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LOCAL: Sala Egon Schaden (1º andar do prédio principal da ECA/USP).&lt;br /&gt;Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443. Cidade Universitária. Butantã, São Paulo/Sp.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 03 de agosto de 2011 (quarta-feira, dia de iansã), às 14 horas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-7148689958469814588?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/7148689958469814588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=7148689958469814588' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/7148689958469814588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/7148689958469814588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2011/07/convite-para-defesa-da-tese-de.html' title='Convite para a defesa da tese de doutorado de Nina Caetano'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-5365269833334623571</id><published>2011-07-24T22:14:00.002-03:00</published><updated>2011-07-24T22:14:47.025-03:00</updated><title type='text'>sobre como se fabrica uma mulher?</title><content type='html'>matéria feita por leandro alves, para a tv ufop sobre a oficina &lt;i&gt;como se fabrica uma mulher?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;a oficina foi realizada durante o festival de inverno de ouro preto e  mariana, de 19 a 22 de julho de 2011, por mim e por lica guimarães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://3.gvt0.com/vi/eHepLdNKgdM/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/eHepLdNKgdM&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/eHepLdNKgdM&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-5365269833334623571?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/5365269833334623571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=5365269833334623571' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/5365269833334623571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/5365269833334623571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2011/07/sobre-como-se-fabrica-uma-mulher.html' title='sobre como se fabrica uma mulher?'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-6480916461892483172</id><published>2011-07-24T12:54:00.000-03:00</published><updated>2011-07-24T12:54:39.745-03:00</updated><title type='text'>Mulheres em ação: diálogos obscênicos</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Constantia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;artigo publicado no caderno pensar, do estado de minas do dia 16 de julho de 2011.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-igoHja8sPY8/TixAKfv-DvI/AAAAAAAADSI/CRXHY-uX5eU/s1600/DSC05031.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-igoHja8sPY8/TixAKfv-DvI/AAAAAAAADSI/CRXHY-uX5eU/s320/DSC05031.JPG" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Constantia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Constantia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Confins, 22 de junho de 2011: 14:00 pm. Dentro de 10 minutos, embarcamos para Curitiba, onde iniciaremos nossa participação no Festival do Teatro Brasileiro – Cena Mineira. Integramos o Obscena agrupamento independente de pesquisa cênica e somos eu, Nina Caetano, escritora performer, e as atrizes Erica Vilhena, Joyce Malta e Lissandra Guimarães. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Constantia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Quando iniciamos, em 2008, a pesquisa que culminou na intervenção urbana &lt;i&gt;Baby Dolls, uma exposição de bonecas&lt;/i&gt;, não imaginávamos o fôlego que o trabalho teria, nem os desdobramentos que alcançaria. Éramos quatro pesquisadoras que, desejosas de colocar suas questões como artistas, queriam também colocá-las como mulheres. &lt;span&gt;Em uma sociedade como a nossa, em que se multiplicam mulheres comida (mulher melancia, mulher jaca, mulher filé), em que as mulheres, como propriedades e objetos, são cada vez mais mortas, excomungadas e transformadas em bens de consumo, nosso desejo era produzir uma ação que pudesse desorganizar os estereótipos que se reproduzem em torno da imagem da mulher e da noção de feminino. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Constantia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Baby Dolls &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Constantia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;é uma ação performática que tem como eixo de discussão a fabricação da mulher padrão, por meio da composição e transformação de três “bonecas” que transitam entre papéis sociais femininos ainda dominantes na sociedade contemporânea: a mãe, a prostituta, a noiva, a loira, a rainha do lar. Interrompendo o fluxo cotidiano do espaço urbano, essas bonecas terão, posteriormente, seus corpos mortos marcados a giz no chão e prenchidos com escritas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Constantia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Fizemos &lt;i&gt;Baby Dolls&lt;/i&gt; nas ruas de Belo Horizonte e, posteriormente, em festivais pelo país. Em Recife, havíamos, pela primeira vez, ministrado uma oficina exclusivamente para mulheres e, agora, pelo Festival do Teatro Brasileiro – Cena Mineira, teríamos a oportunidade de levar o trabalho para as terras do sul, intervindo nos espaços urbanos de Curitiba e Porto Alegre e, ao mesmo tempo, ministrando oficinas em presídios femininos. Isso nos permitiria aprofundar outro aspecto da pesquisa que vínhamos desenvolvendo, pois, concomitante às intervenções urbanas que realizávamos desde 2008, a investigação temática do Obscena nos conduzira às mulheres marginalizadas, em especial aquelas em privação de liberdade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Constantia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Percebendo as instituições prisionais para mulheres como locais de potencialização das questões do feminino em relação à sociedade patriarcal e capitalista, o agrupamento realizou, de agosto a dezembro de 2009, um projeto com as adolescentes em privação de liberdade do Centro de Reeducação Social São Jerônimo. A partir dessa experiência, foi proposta ao FTB – juntamente com &lt;i&gt;Baby Dolls&lt;/i&gt; – a oficina &lt;i&gt;Diálogos Obscênicos&lt;/i&gt;, na qual visávamos a construção de um espaço relacional com 20 mulheres de instituições prisionais, em cada estado: um espaço para o afeto, para o toque, para a recuperação de identidades e auto-estima.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Constantia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Em Curitiba trabalhamos com o CRAF – Centro de Regime Semi-Aberto Feminino, no qual tivemos, por parte das mulheres, uma acolhida surpreendentemente calorosa. Durante quatro dias, buscamos trocar experiências sensoriais, físicas, afetivas e proporcionar a nós e a essas mulheres – que, em sua grande maioria, foram presas a partir do envolvimento de seus companheiros com o tráfico de drogas e alijadas de suas famílias e do contato com seus filhos – a possibilidade de repensar nosso lugar social como mulheres e de exercitar nossa voz por meio da criação de um corpo cênico. Para isso, ao longo da oficina propúnhamos também, a partir de materiais diversos – de revistas e jornais a roupas, meias e maquiagem, de canetas e papéis a gravadores e câmeras – a construção de “objetos” ou de elementos expressivos e simbólicos que pudessem compor esse corpo cênico que atuaria, depois, em uma intervenção coletiva. Em Curitiba, acabamos realizando um grande desfile desses corpos-instalações para todas as mulheres do CRAF, ação novamente experimentada em Porto Alegre. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Constantia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Na capital gaúcha, trabalhamos no presídio Madre Pelletier, em um espaço frio e inóspito, pouco propício às trocas e ao contato. Nesse presídio, de regime fechado e super lotação, em que muitas das mulheres não tinham sequer um cobertor para passar as noites que chegavam a 2 graus, tivemos que contar, mais do que nunca, com nossa potência feminina. Como salienta Erica Vilhena, “é muito difícil ser mulher e estar presa. Mais que o homem, a mulher sofre por estar afastada dos filhos e da família”. Por isso, mais do que abordá-las como atrizes, buscamos, como relatou Mendonça (jornalista que acompanhou nosso trabalho em Porto Alegre) chegar como mulheres que propunham, com doçura, destrinchar seus corpos a partir da redescoberta dos sentidos, há muito embotados pelos anos vividos nas galerias. Nossas “armas” eram massagens, relaxamento, a experimentação de cheiros e sabores comuns para nós, mas raros para quem vive na carência absoluta de tudo: morango, chocolate, leite condensado... Para nós, obscênicas, a experiência em ambas as instituições, foi transformadora. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Constantia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Quanto às intervenções de rua, foi muito potente a troca que tivemos, principalmente, em Porto Alegre. Nessa cidade de povo aguerrido não passamos incólumes. A ação provocou reações, discursos exaltados, indignações e concordâncias. O chão liso de lajotas da maior parte das calçadas foi, para mim em especial, um presente: como uma lousa, o chão recebia os desenhos dos corpos mortos e a minha escrita amorosamente.&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Constantia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Confins, 03 de julho de 2011: 22:34 pm. Foram dez dias de um trabalho maravilhoso e intenso. Agora, só quero ir para casa.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Constantia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Constantia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Maiores informações sobre o trabalho de pesquisa do agrupamento Obscena em &lt;a href="http://www.obscenica.ning.com/"&gt;www.obscenica.ning.com&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.obscenica.blogspot.com/"&gt;www.obscenica.blogspot.com&lt;/a&gt; .&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-6480916461892483172?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/6480916461892483172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=6480916461892483172' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/6480916461892483172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/6480916461892483172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2011/07/mulheres-em-acao-dialogos-obscenicos.html' title='Mulheres em ação: diálogos obscênicos'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-igoHja8sPY8/TixAKfv-DvI/AAAAAAAADSI/CRXHY-uX5eU/s72-c/DSC05031.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-1329044871888095900</id><published>2011-06-17T17:05:00.002-03:00</published><updated>2011-06-17T17:05:45.147-03:00</updated><title type='text'>só a antrofagia nos une (guest post)</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;h2 class="uiHeaderTitle"&gt;Ctrl C Ctrl V&lt;/h2&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="clearfix"&gt;&lt;div class="mbs uiHeaderSubTitle lfloat fsm fwn fcg"&gt;por &lt;a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=1648968474"&gt;Marina Arthuzzi&lt;/a&gt;, sexta, 17 de junho de 2011 às 16:42&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;1&amp;nbsp;- &lt;/b&gt;Orlando   Orube escreveu sobre nós. Não concordou com a Primeira Campainha ter   ganhado o prêmio de melhor texto inédito. (segue no final da nota, o   texto dele). Estou respondendo...&lt;br /&gt;Caro senhor Orlando  Orube, viva  a diversidade, a diferença e a liberdade de expressão, o  senhor tem  todo o direito de manifestar sua opinião. Nós também. Segue a  nossa:&lt;br /&gt;&lt;b&gt;2&amp;nbsp;- Primeiramente.....&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A   Primeira Campainha gostaria de agradecer ao SINPARC e demais membros  da  comissão de avaliação pelo prêmio de Melhor Texto Inédito concedido  na  última quinta-feira.&lt;br /&gt;A respeito das considerações feitas pelo Sr. Orlando Orube à presidência do sindicato, cabe apenas o seguinte esclarecimento:&lt;br /&gt;O   agradecimento mencionado na cerimônia de premiação diz respeito à   linguagem e pesquisa dramatúrgica realizada pelo coletivo -   plagicombinação de linguagens e mídias - um termo originalmento   utilizado na música pelo multiartista Tom Zé (que também foi mencionado   durante o agradecimento) e a um pequeno trecho do texto vencedor:&lt;br /&gt;"Eu   estou com você Marina Viana. Eu estou com você Mariana Blanco. Eu  estou  com você em Belo Horizonte. Eu estou em Belo Horizonte, onde o  sertão  não virou mar, o mar não virou sertão, onde se desfaz uma panela  para  criar outra mas mesmo assim a gente senta no cimento."&lt;br /&gt;Não   houve em nenhum momento tentativa de ridicularizar a premiação ou   desrespeitar a comissão que demonstrou tamanho reconhecimento ao nosso   trabalho.&lt;br /&gt;Esperamos com isso esclarecer e dissipar qualquer interpretação equivocada de nosso discurso de agradecimento.&lt;br /&gt;Atenciosamente,&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Primeira Campainha&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mariana Blanco - Marina Arthuzzi - Marina Viana&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Nosso Manifesto entusiasmado:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;SOU MOLEQUE SIM!&lt;br /&gt;MEU JEANS É RASGADO SIM!&lt;br /&gt;SOU A DAMA INDIGNA DAS ALTEROSAS, MEU SENHOR!&lt;br /&gt;SINTO SE TE AFRONTO, SOU DE OUTRO TEMPO, CRESCI EM OUTRO TEMPO, ESCREVEMOS EM OUTRO TEMPO!&lt;br /&gt;EU ESTOU EM BELO HORIZONTE E FAREI BARULHO O QUANTO PUDER.&lt;br /&gt;Muitos   amigos meus saíram desta cidade, mas nós batemos o pé. Vamos ficar  aqui  e bater &amp;nbsp;panela desde as alterosas. As idéias estão aí. Ovo de  Colombo.  Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?&lt;br /&gt;Ditadura nunca mais! A vida não se resume em festivais!&lt;br /&gt;No dia 15 de Junho de 2011, o primeiro prêmio do SINPARC &lt;b&gt;dos anos 10,&lt;/b&gt;   a minha geração esteve no palco. Muitas vezes. Gente com quem convivi,   estudei, trabalhei, gente que se formou na escola de teatro da UFMG.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto&amp;nbsp;é   &amp;nbsp;inegável a importância que esta escola, (tão jovem quanto nós) tem   para esta cidade de horizontes montanhosos onde gorjeia Lô Borges e eu   também!&lt;br /&gt;Vocês não estão entendendo nada! Diria Caetano. Bundamolice! Diria Lobão.&lt;br /&gt;Sou   só uma moça latindo à mera cana sem dinheiro e sem banca, e sei que   assim falando pensas que esse desespero é moda em 2016, mas &lt;b&gt;deixa eu cantar&lt;/b&gt;   que é pro mundo ficar odara, e tem gente que grita que tudo vai dar  pé!  Mas ah! VAI DAR PÉ... e eu não vou parar, não vamos parar, estamos   aqui. Estamos em Belo Horizonte!&lt;br /&gt;E quem será esse desgraçado dono dessa zorra toda? Tem dono? Num tem dono não!&lt;br /&gt;Todo mundo tem arquivo! O cntrl c cntrl v quem faz é você! Por um pensamento auto sustentável: vomite e coma de novo.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Primeira Campainha&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ano 1 da deglutição do B(ob)ispo S(ponja)rdinha&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;4 - Resposta de nossa Querida amiga Júnia Pereira ao Senhor Orlando Orube:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Caro Orlando,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei conhecimento de suas considerações sobre o Prêmio&lt;br /&gt;Usiminas/Sinparc e tomo a liberdade de lhe responder, pois acredito no&lt;br /&gt;debate de idéias.&lt;br /&gt;Primeiramente, gostaria de dizer que os grupos e artistas jovens&lt;br /&gt;também são profissionais, mesmo que não tenham um grande passado. É&lt;br /&gt;seu direito dizer que, na sua opinião, dar um prêmio a quem está&lt;br /&gt;começando não é legítimo, e eu entendo a sua colocação que é&lt;br /&gt;pertinente sob determinado ponto de vista, mas acho uma grande ofensa&lt;br /&gt;você nos excluir, em seu texto, da categoria de profissionais da nossa&lt;br /&gt;área. Se trabalhamos ou não com criação de personagem, e que tipo de&lt;br /&gt;metodologia utilizamos para criação de texto, é uma questão estética&lt;br /&gt;que você pode até não gostar, mas não tem o direito de nos excluir da&lt;br /&gt;categoria, ok? Nós também gostamos de respeito. Tenho certeza de que&lt;br /&gt;as artistas que ganharam o prêmio de Melhor Texto não quiseram ofender&lt;br /&gt;ninguém com o seu discurso. Dizer que utilizaram “Ctrl c, Ctrl v” como&lt;br /&gt;procedimento de criação não é uma ofensa a ninguém que trabalha de&lt;br /&gt;outra forma. Se você se sentiu ofendido é porque não consegue&lt;br /&gt;reconhecer o direito à diferença, o que é lamentável.&lt;br /&gt;Em segundo lugar, gostaria de dizer que na minha opinião eu não estava&lt;br /&gt;mal arrumada. Estava de calça jeans, tênis e blusa de frio. Ainda bem&lt;br /&gt;que não fui de salto e vestido porque fui obrigada a sentar no chão,&lt;br /&gt;já que, embora estivesse de posse do convite do SINPARC, pois meu&lt;br /&gt;espetáculo estava indicado a um prêmio, não havia lugares para eu&lt;br /&gt;sentar, pois os lugares constantes do meu convite foram ocupados por&lt;br /&gt;outras pessoas. Isso sim eu achei uma grande falta de glamour. Mas eu&lt;br /&gt;não estou reclamando disso, porque eu não ligo exatamente a mínima&lt;br /&gt;para o glamour, o que na minha humilde opinião é uma coisa de uma&lt;br /&gt;elite opressora. No entanto, eu respeito quem liga. Por isso, por&lt;br /&gt;respeito a quem liga para isso, peço desculpas se incomodei alguém por&lt;br /&gt;ter vibrado, por ter rido alto, por ter me manifestado efusivamente em&lt;br /&gt;alguns momentos durante a premiação. É a primeira vez que participo do&lt;br /&gt;prêmio e não imaginei que fosse um evento tão formal e talvez o fato&lt;br /&gt;de ter sentado&amp;nbsp; no chão tenha me induzido à informalidade. Peço&lt;br /&gt;desculpas então se incomodei e devo ter incomodado pois mesmo não&lt;br /&gt;tendo ganhado nenhum prêmio, fazia parte do que você chamou de&lt;br /&gt;“molecada mal arrumada”, mas esclareço sinceramente e com todo o meu&lt;br /&gt;coração que jamais o meu riso foi de deboche a qualquer um dos&lt;br /&gt;artistas presentes, a quem respeito profundamente como colegas de&lt;br /&gt;profissão.&lt;br /&gt;Aproveito a oportunidade para convidá-lo a assistir o meu espetáculo&lt;br /&gt;It, que esteve em cartaz no seu teatro durante a Campanha de&lt;br /&gt;Popularização, e hoje está na FUNARTE MG até o dia 26 de junho, quinta&lt;br /&gt;a sábado 20h e domingo 19h. O texto é meu e de Amanda Dias Leite, é&lt;br /&gt;inspirado em Clarice Lispector e em outros autores, tendo como um dos&lt;br /&gt;procedimentos de criação a colagem, e a direção de cena é de Marina&lt;br /&gt;Viana.&lt;br /&gt;Abraços&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Júnia Pereira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;4 - Texto de Orlando Orube&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Considerações sobre o Premio SINPARC:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou triste, fiquei triste e não sei por que todo mundo engoliu o&lt;br /&gt;deboche das moças que obtiveram o premio de dramaturgia adulta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto me isento para comentar, pois esse ano eu particularmente não&lt;br /&gt;concorri a nada, e mesmo que o tivesse feito acho que não ficaria&lt;br /&gt;calado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ir ao palco e jogar na cara de todo o mundo que o texto foi o premio&lt;br /&gt;ao “Ctrl c, Ctrl v”, admitindo que o texto foi tudo colado de diversos&lt;br /&gt;textos de outros autores, foi a maior afronta que já vi em muito&lt;br /&gt;tempo. (E o premio deveria ser revisto pela comissão).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que os textos que não tem um autor reconhecido&lt;br /&gt;individualmente ou inserido no meio de um grupo de criação coletiva&lt;br /&gt;não devam concorrer a esse premio a exemplo de outras categorias, e&lt;br /&gt;sim ao premio revelação, já que ele agora é multidisciplinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O premio SINPARC é e deve ser uma homenagem a produção profissional e&lt;br /&gt;aos profissionais que de ela participam, e por tanto em todas as&lt;br /&gt;categorias além do desempenho eventual de um artista deve-se respeitar&lt;br /&gt;também o passado de todos e dar um peso a isso, não é legal dar um&lt;br /&gt;premio a quem ainda não demonstrou nada e pode ter tido um dia feliz&lt;br /&gt;ou ser simplesmente ele o que está no palco, sem criação nenhuma de&lt;br /&gt;personagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa:&lt;br /&gt;Longe estão às datas em que o premio tinha glamour, hoje assistimos a&lt;br /&gt;um bando de moleques mal arrumados debocharem (até politicamente) de&lt;br /&gt;todos nós. E o pior é que ninguém fala nada, Rômulo, me ajuda cara,&lt;br /&gt;você é um guerreiro, não deixa a coisa desandar por conta de uma&lt;br /&gt;democracia falsa e risonha que em nada ajuda a nossa instituição.&lt;br /&gt;Assisti na rua após o evento essa molecada morrer de rir de nós, que é&lt;br /&gt;isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respeito é bom, e eu gosto dele em qualquer situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orlando Orube&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-1329044871888095900?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/1329044871888095900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=1329044871888095900' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/1329044871888095900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/1329044871888095900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2011/06/so-antrofagia-nos-une-guest-post.html' title='só a antrofagia nos une (guest post)'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-8054193464033337405</id><published>2011-06-09T11:10:00.001-03:00</published><updated>2011-06-09T11:15:44.620-03:00</updated><title type='text'>Bloguemus quae sera tamen</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-9vSQhJsW7kA/TfDVHwRcnEI/AAAAAAAACzI/4vaX-3ibZeM/s1600/DSC04385.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/-9vSQhJsW7kA/TfDVHwRcnEI/AAAAAAAACzI/4vaX-3ibZeM/s320/DSC04385.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;nos dias 10 e 11 de junho será realizado,&amp;nbsp; em belo horizonte, o Bloguemus Quae Sera Tamen: o primeiro encontro de blogueiros progressistas mineiros e vou integrar, convidada pela querida cynthia semiramis, uma mesa sobre cultura e ativismo no sábado, às 14 horas. a idéia é não só nos prepararmos para o encontro nacional dos blogueiros progressistas, que será realizado em brasília, mas também começarmos a juntar forças para a ação.&lt;br /&gt;considero muito potente a percepção dos espaços das redes sociais como possibilidade de fabricação de "discursos sediciosos", rementendo à tradição mineira de inconfidência.&lt;br /&gt;vejam maiores informações no link:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://cynthiasemiramis.org/2011/06/05/blogueirs-de-minas-gerais-realizam-o-evento-bloguemus-quae-sera-tamen/"&gt;http://cynthiasemiramis.org/2011/06/05/blogueirs-de-minas-gerais-realizam-o-evento-bloguemus-quae-sera-tamen/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para a programação, vejam o link: &lt;br /&gt;&lt;a href="http://bloguemusqstmg.blogspot.com/2011/06/blogueiros-mineiros-realizam-bloguemus.html"&gt;http://bloguemusqstmg.blogspot.com/2011/06/blogueiros-mineiros-realizam-bloguemus.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-8054193464033337405?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/8054193464033337405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=8054193464033337405' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/8054193464033337405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/8054193464033337405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2011/06/bloguemus-quae-sera-tamen.html' title='Bloguemus quae sera tamen'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-9vSQhJsW7kA/TfDVHwRcnEI/AAAAAAAACzI/4vaX-3ibZeM/s72-c/DSC04385.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-809702110002968190</id><published>2011-05-27T14:41:00.004-03:00</published><updated>2011-05-29T20:00:21.397-03:00</updated><title type='text'>como se fabrica uma mulher?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-4BECfbKhrc8/Td_hJMPfc9I/AAAAAAAACRY/zT8va6aUUSw/s1600/DSC04445-1.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-4BECfbKhrc8/Td_hJMPfc9I/AAAAAAAACRY/zT8va6aUUSw/s320/DSC04445-1.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;foto: nina caetano&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;foi realmente especial o workshop &lt;i&gt;como se fabrica uma mulher?&lt;/i&gt; que lissandra guimarães - companheira do obscena agrupamento independente de pesquisa cênica&amp;nbsp; - e eu aplicamos para um grupo de 15 mulheres, alunas do curso de artes cênicas da ufop, durante a vii semana de artes, evento realizado pelos alunos do deart/ufop.&lt;br /&gt;pensado em um formato intensivo, de 12 horas distribuídas em dois dias de atividade, o workshop possibilitou a experimentação de intervenções feministas na cidade de ouro preto, nos dias 23 e 24 de maio, as quais visaram discutir o modelo de feminino vigente na sociedade brasileira contemporânea. como pontapé inicial das atividades, decidimos apresentar nosso trabalho às mulheres participantes em sua realização prática, realizando uma intervenção no centro histórico da cidade, &lt;i&gt;classificação zoológica da mulher&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-uqPum1vpCz8/Td_ieKRvBTI/AAAAAAAACRc/JOacBirMErs/s1600/DSC04322-1.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-uqPum1vpCz8/Td_ieKRvBTI/AAAAAAAACRc/JOacBirMErs/s320/DSC04322-1.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;foto: paula reis vianna&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;a partir do que foi experimentado e visto, discutimos o modelo de mulher e a sua "fabricação" em nossa sociedade como algo naturalizado. ao problematizar esse lugar, buscamos levantar as possibilidades de uma atuação política gerada a partir de nossas questões e críticas. daí, partimos para a discussão da proposta de ação a ser realizada nessas doze horas de trabalho e solicitamos, às participantes do workshop, os materiais que serviriam de base para a produção de ações por meio das relações do corpo com espaços e objetos associados ao universo da mulher.&lt;br /&gt;à tarde desse primeiro dia (23), propusemos um trabalho sensorial, a partir de objetos relacionais, e uma prática de deriva pela cidade, para levantamento de uma cartografia afetiva por parte delas. o trabalho as sensibilizou para as possibilidades de ocupação na intervenção que realizaríamos no dia seguinte.&lt;br /&gt;no dia 24, já com os materiais que elas e nós trouxemos - revistas, jornais, objetos e roupas - construímos as mulheres painel e, à tarde, já com os corpos montados, partimos para a "invasão" da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ASQ7HwKLnwI/Td_i109eCTI/AAAAAAAACRg/QBtMkwcNRSY/s1600/DSC04390.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://1.bp.blogspot.com/-ASQ7HwKLnwI/Td_i109eCTI/AAAAAAAACRg/QBtMkwcNRSY/s320/DSC04390.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;foto: nina caetano&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;as mulheres participantes se mostraram potentes, cada uma em sua individualidade e criação, e potencializadas pela força de uma ação coletiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-s4dLEFbcFTE/Td_jPIcR2SI/AAAAAAAACRs/SpkyNpkO7jE/s1600/DSC04393.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-s4dLEFbcFTE/Td_jPIcR2SI/AAAAAAAACRs/SpkyNpkO7jE/s320/DSC04393.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;foto: nina caetano&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;seus corpos, em confronto com a cidade e o cidadão ouropretano, causaram um acontecimento no qual estranhamento e ludicidade se encontravam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-NEy9KP1nbR8/Td_jIh-m-TI/AAAAAAAACRo/qJntIhNYcHA/s1600/DSC04412.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-NEy9KP1nbR8/Td_jIh-m-TI/AAAAAAAACRo/qJntIhNYcHA/s320/DSC04412.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;foto: nina caetano&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;para nós e para elas, repensar e criticar as relações que são estabelecidas com o corpo feminino em uma sociedade machista como a nossa, na qual somos vistas ainda como objetos de propriedade masculina - como "brinquedos de homem" como afirmava o recorte de uma matéria de revista ostentado por mariana hippert, uma das mulheres em ação (ver foto logo acima) - produziu mergulhos que, com certeza, ainda vão encontrar reverberações mais profundas no que diz respeito às questões relacionadas ao nosso eu social e ao nosso papel, em questões - algumas adormecidas e esquecidas -&amp;nbsp; também associadas à nossa atuação como cidadãs e como artistas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ZdZcQievJGo/Td_jCZN0rpI/AAAAAAAACRk/eUVwXI9KAe8/s1600/DSC04402.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/-ZdZcQievJGo/Td_jCZN0rpI/AAAAAAAACRk/eUVwXI9KAe8/s320/DSC04402.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;foto: nina caetano&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;esse foi só o início...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-809702110002968190?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/809702110002968190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=809702110002968190' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/809702110002968190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/809702110002968190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2011/05/como-se-fabrica-uma-mulher.html' title='como se fabrica uma mulher?'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-4BECfbKhrc8/Td_hJMPfc9I/AAAAAAAACRY/zT8va6aUUSw/s72-c/DSC04445-1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-6167322302472369367</id><published>2011-04-28T11:26:00.003-03:00</published><updated>2011-04-28T11:27:58.716-03:00</updated><title type='text'>FECHADA PARA BALANÇO</title><content type='html'>olá! tem estado "fechada para balanço" desde fevereiro, em função da escrita de minha tese de doutorado.&lt;br /&gt;mas volto à toda depois de 15 de maio!&lt;br /&gt;aguardem... aguardo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-6167322302472369367?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/6167322302472369367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=6167322302472369367' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/6167322302472369367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/6167322302472369367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2011/04/fechada-para-balanco.html' title='FECHADA PARA BALANÇO'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-4696051660764772096</id><published>2011-04-08T15:18:00.016-03:00</published><updated>2011-04-10T11:36:03.955-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='questões feministas nina'/><title type='text'>meninas massacradas</title><content type='html'>hoje estou de luto. chocada.&lt;br /&gt;procurando entender a tragédia que aconteceu ontem em realengo, rio de janeiro. um rapaz de 23 ou 24 anos invadiu uma escola e matou 12 crianças, deixando outras 13 feridas.&lt;br /&gt;procurando entender também a cobertura irresponsável e sensacionalista que a mídia fez/faz do caso (ironicamente, ontem também foi o dia do jornalista brasileiro). já o chamaram de terrorista islâmico, já disseram que tinha hiv. já fizeram do caso o nosso columbine.&lt;br /&gt;mas essa mídia não se lembra de um detalhe. o que ele tinha era ódio contra mulheres.&lt;br /&gt;um sujeito que invade uma escola e mata &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/04/07/atirador-preferia-matar-meninas-e-atirava-sem-do-diz-aluno-sobrevivente-da-tragedia-no-rio.jhtm"&gt;meninas&lt;/a&gt;. sim, meninas, nas quais ele atirou para matar, tem ódio. mas não é um ódio generalizado, contra todo o mundo. wellington não atirava a esmo.&lt;br /&gt;wellington escolheu as vítimas: &lt;a href="http://www.jb.com.br/rio/noticias/2011/04/07/o-assassino-optou-por-matar-apenas-as-meninas-bonitas-diz-tia-de-menina-morta-com-tiro-na-testa/"&gt;meninas bonitas&lt;/a&gt;. ele mirou em suas cabeças e atirou. entre as &lt;a href="http://g1.globo.com/Tragedia-em-Realengo/noticia/2011/04/onze-baleados-em-escola-do-rio-seguem-internados-em-6-hospitais.html"&gt;12 crianças mortas&lt;/a&gt;, 10 eram meninas.&lt;br /&gt;seu ódio era contra mulheres. isso tem nome: &lt;a href="http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2011/04/por-que-fechar-os-olhos-pra-hipotese-de.html"&gt;misoginia&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;pode ser que ele tivesse problemas mentais. pode ser que ele tivesse treinamento militar. pode ser que fosse religioso (pois em sua carta, ele expressa claramente o desejo de se manter puro e perdoado por deus. mas &lt;a href="http://www.conversaafiada.com.br/politica/2011/04/08/santayana-analisa-a-carta-do-suicida-de-realengo/"&gt;não por alá&lt;/a&gt;). pode ser que ele sofresse &lt;a href="http://www.blogcidadania.com.br/2011/04/a-motivacao-do-atirador-de-realengo/"&gt;bullying&lt;/a&gt; na escola.&lt;br /&gt;com certeza, wellington tinha uma mente carregada de imagens de violência que essa mesma mídia que faz desse caso um circo, adora divulgar.&lt;br /&gt;mas, acima de tudo, ele tinha ódio.&lt;br /&gt;sim, esse foi um crime de ódio. como são os crimes contra judeus, negros ou homossexuais.&lt;br /&gt;um CRIME DE ÓDIO: feminicídio. é preciso &lt;a href="http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2011/04/assassinos-de-mulheres-e-seus-crimes-de.html"&gt;dar nome aos bois&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-4696051660764772096?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/4696051660764772096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=4696051660764772096' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/4696051660764772096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/4696051660764772096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2011/04/meninas-massacradas.html' title='meninas massacradas'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-2289281657662465621</id><published>2011-03-25T15:03:00.002-03:00</published><updated>2011-04-06T13:56:39.716-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escritas performadas'/><title type='text'>classificação zoológica da mulher</title><content type='html'>Mulher vaca. Nome científico: &lt;i style=""&gt;femina docilis&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-sxH34ISby5c/TYq7o9jGZaI/AAAAAAAAB8s/YfkDcWepvxc/s1600/DSC04197-1.JPG"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-sxH34ISby5c/TYq7o9jGZaI/AAAAAAAAB8s/YfkDcWepvxc/s320/DSC04197-1.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5587484600097465762" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;foto: nina caetano&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Seu  habitat natural é o lar, o ambiente doméstico. Adora passar, limpar,  cozinhar e cuidar, mesmo sem vontade.O temperamento dócil das mulheres  vacas associado à sua indiscutível utilidade econômica, fez da  domesticação da espécie a mais antiga da história da civilização.  Estima-se que já eram domesticadas pelos homens das cavernas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Além  da força de trabalho, esse animal é extremamente útil porque dele se  aproveita tudo: você pode comer a carne e até arrancar o couro que a  mulher vaca não reclama. Além disso, ela tem como qualidade a capacidade  de tudo suportar, sem frescura. Carga, peso, culpa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Cuidado! Não alimente com idéias, pode ser perigoso. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Mulher cachorra. Nome científico: &lt;i style=""&gt;femina vulgaris&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-PC3zEAD4R_A/TYq5tY8qr6I/AAAAAAAAB8k/mPCI6rHdO90/s1600/DSC04210-1.JPG"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-PC3zEAD4R_A/TYq5tY8qr6I/AAAAAAAAB8k/mPCI6rHdO90/s320/DSC04210-1.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5587482477148680098" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;foto: nina caetano&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Seu habitat natural é a rua, o bar, o baile funk. Normalmente tem hábito noturno, mas há espécies que funcionam dia e noite. &lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;É  um animal extremamente sociável, aceitando seu dono como chefe da  matilha. Aliás, essa espécie precisa de dono para se sentir feliz. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Bastante  utilizada como bichinho de estimação e enfeite de namorado, a mulher  cachorra aceita bem a coleira, que usa como se fosse um colar de  diamantes. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;A mulher cachorra é relativamente dócil e leal. Se bem adestrada, ela lambe e até balança o rabinho. Mesmo sem vontade. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Para  o adestramento, pode ser necessário o uso de tapinhas. Mas não se  preocupe porque, para a verdadeira mulher cachorra, um tapinha não dói. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Cuidado! Não alimente com idéias, pode ser perigoso.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-2289281657662465621?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/2289281657662465621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=2289281657662465621' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/2289281657662465621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/2289281657662465621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2011/03/classificacao-zoologica-da-mulher.html' title='classificação zoológica da mulher'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-sxH34ISby5c/TYq7o9jGZaI/AAAAAAAAB8s/YfkDcWepvxc/s72-c/DSC04197-1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-6996492883871892088</id><published>2011-03-19T17:14:00.014-03:00</published><updated>2011-04-12T18:35:42.601-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escritas performadas'/><title type='text'>só muda de endereço</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-wAxDq3W1Do8/TYSVXha4nSI/AAAAAAAABsY/K0a9zwDs9JU/s1600/600--Violencia1-JC020420.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 273px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-wAxDq3W1Do8/TYSVXha4nSI/AAAAAAAABsY/K0a9zwDs9JU/s320/600--Violencia1-JC020420.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585753669186919714" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:donotpromoteqf/&gt;   &lt;w:lidthemeother&gt;PT-BR&lt;/w:LidThemeOther&gt;   &lt;w:lidthemeasian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt;   &lt;w:lidthemecomplexscript&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeComplexScript&gt; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="19" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="21" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="31" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="32" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="33" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Book Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="37" name="Bibliography"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" qformat="true" name="TOC Heading"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-priority:99;  mso-style-qformat:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin-top:0cm;  mso-para-margin-right:0cm;  mso-para-margin-bottom:10.0pt;  mso-para-margin-left:0cm;  line-height:115%;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:11.0pt;  font-family:"Calibri","sans-serif";  mso-ascii-font-family:Calibri;  mso-ascii-theme-font:minor-latin;  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-theme-font:minor-fareast;  mso-hansi-font-family:Calibri;  mso-hansi-theme-font:minor-latin;  mso-bidi-font-family:"Times New Roman";  mso-bidi-theme-font:minor-bidi;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpFirst" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center; line-height: 150%;" align="center"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;Coleção escritas performadas: só muda de endereço&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right; line-height: 150%;" align="right"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;(por nina caetano)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right; line-height: 150%;" align="right"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;Todos os dias, nas ruas da cidade, mulheres são construídas. Mulher princesa. Mulher boneca. mulher dócil muda. mulher rosa. mulher doce. Mulher sobremesa. Mulher de cama e mesa.  Mulher para desfrute. Mulher melancia, jaca, melão. Mulher Filé: "Chega de fruta. Homem gosta é de comer carne".&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;Todos os dias, nas ruas da cidade, mulheres são construídas. Sorriso. Batom Boca Beijo. Faca Tiro. Todos os dias, nas ruas da cidade, mulheres são destruídas. 70% das mulheres mortas no país são vítimas de seus namorados, noivos, maridos. Amar. Casar. Cuidar. Compreender. Perdoar. Esquecer. Esquecer. Esquecer. Transar. Mesmo sem vontade. Morrer. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;Mesmo sem vontade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt; Mulher, uma obra em construção. &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;Desculpe o transtorno, estamos trabalhando para você. &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;Depiladores hidratantes sutiãs rolinhos pregadores talheres gleidy sache vassoura escova progressiva inteligente. Servir bem para servir sempre. Mulher. &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;Ser humano do sexo feminino capaz de conceber e gerar outro ser humano e que se distingue do homem por essa característica.&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt; Mãe. &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;A mulher em relação ao marido. Esposa. &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;Plano de saúde, férias, filhos. Feia. Gorda. Jogada fora. Mulher, parcela da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;Mulher da vida. Meretriz. Mulher à toa. Meretriz. Mulher da rua. Meretriz. Mulher da zona. Meretriz. Mulher da comédia. Meretriz. Mulher. Meretriz. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;Engulo tudo sem frescura.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;A gente pensa que é mulher e é só fêmea, bichinho de estimação. Gatinha. Cachorra, cadela. Vaca, galinha, piranha. Filé. Gostosa. Quente. Pronta para consumo imediato. 100% completa. Samy, 18 aninhos. Loirinha e sapeca como você gosta. Adoro beijar. Mesmo sem vontade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;A cada 2 segundos, uma boneca Barbie é vendida em alguma parte do mundo. A cada 15 segundos, uma mulher é espancada no Brasil. Como você gosta. A cada ano, No Brasil, são feitas 629 mil plásticas. Silicone. Lipoaspiração. Peito. Bunda. Coxa. Como você gosta. Drenagem linfática. Jet bronze. Botox. Diet. Light. In. Out. Enterrada menina de 14 anos encontrada morta e estuprada. Arregaçada. Como você gosta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;Engulo tudo, sem frescura. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;Sarada. Turbinada. Siliconada. Preparada. Espancada. Excomungada. Esquartejada. Jogada pros cachorros. na rodovia. na lagoa. na lixeira. Morta. Como você gosta. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;Destruir. Matar. Aniquilar. Dar cabo de. Ex-terminar. &lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;Leonice, 40 anos, 13 facadas, ex-companheiro. Maria Islaine, 31 anos, ex-marido. Ele apontou a arma para ela e atirou 7 vezes, sem que ela reagisse. Maria de Jesus, 28 anos, 3 tiros, ex-marido. Luciene, 24 anos, 2 tiros, ex-namorado. Polyana, 23 anos, 18 facadas, ex-marido. Eloá, 15 anos, 1 tiro, ex-namorado. sem que ninguém reagisse. Janine, 16 anos, grávida de 8 meses, morta pelo namorado com pelo menos 42 facadas, sem que ela eu sem que ninguém reagisse. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormalCxSpMiddle" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;Amar. Sacrificar. Padecer. Parir. Amar. Amamentar. Cuidar. Limpar. Amar. Jogar fora. É tudo igual, só muda de endereço. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-6996492883871892088?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/6996492883871892088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=6996492883871892088' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/6996492883871892088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/6996492883871892088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2011/03/so-muda-de-endereco.html' title='só muda de endereço'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-wAxDq3W1Do8/TYSVXha4nSI/AAAAAAAABsY/K0a9zwDs9JU/s72-c/600--Violencia1-JC020420.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-4480701620374578225</id><published>2011-03-12T10:13:00.009-03:00</published><updated>2011-04-06T13:47:23.587-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='questões feministas outras'/><title type='text'>a mãe é culpada de tudo: elaine césar</title><content type='html'>essa história está acontecendo agora, nesse país. e o impacto enorme muito que me causa  é porque o caso de elaine césar é emblemático de um posicionamento atávico que vejo em notícias de jornal diárias, em comentários cotidianos. resumo em: a culpa é da mulher. talvez, até mais especificamente, a culpa é da mãe. porque ama demais. porque não dá amor. porque não educa direito. porque separou. porque não pensa nos filhos. porque casou de novo. porque fica junto desse aí. porque trabalha fora. porque é egoísta. porque não trabalha e depende do marido. e cada expressão desse pensamento é apontado como um julgamento, como uma sentença: a mãe não é capaz de criar o filho que carregou 9 meses no ventre, alimentando-o de sua carne e sangue.&lt;br /&gt;fiquem com elaine. acompanhem sua história e sigam seu blog (idéia, bem como o guest post de elaine, copiada do blog &lt;a href="http://solteirasedescoladas.blogspot.com/2011/03/elaine-cesar.html"&gt;solteiras e descoladas&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;tomem atitudes, cada uma: divulguem, criem cartas de repúdio, mobilizem outras pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-KTzpQ0GoHbM/TXolHA2GRcI/AAAAAAAAAeo/w1LBShPTm-k/s1600/quimio8.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img src="https://lh5.googleusercontent.com/-KTzpQ0GoHbM/TXolHA2GRcI/AAAAAAAAAeo/w1LBShPTm-k/s1600/quimio8.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Meu nome é Elaine Cesar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;42 anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Decidi   escrever como uma forma de expor uma realidade que estou vivendo e sei   que várias mulheres e homens estão passando o mesmo nesse momento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Esse   momento acabou me levando no desejo de produzir  um documentário_filme   sobre  um dos temas que estou vivendo: Alienação Parental.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;É aqui nesse espaço que vou, livremente, fazer meu caderno de produção e estender meu diário a essas paginas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Não   quero que esse blog se torne um espaço para defesa, e sim um espaço   onde se possa também trocar experiências com pessoas que já viveram ou   vivem situações ligadas a alienação parental, falsas acusações de abuso   sexual e implantação de falsas memórias, um crime muito comum que a   sociedade e parte da justiça não estão preparados para enfrentar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-Ey0hc8sslx4/TXolRWLgqlI/AAAAAAAAAes/xci4JRi6Cuk/s1600/quimio9.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img src="https://lh4.googleusercontent.com/-Ey0hc8sslx4/TXolRWLgqlI/AAAAAAAAAes/xci4JRi6Cuk/s1600/quimio9.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Hoje vivo uma gravidez de risco de 5 meses.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Hoje  vivo um Câncer Linfoma Não-Hodkin das Células T num estágio avançado.&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Hoje vivo uma separação litigiosa onde fui acusada falsamente de ter abusado sexualmente de meu filho de 3 anos de idade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Fui acusada de ser viciada em drogas, portanto incapacitada de criar uma criança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Hoje   vivo um processo na justiça, também parte dessa separação onde um   desembargador decidiu que por trabalhar num teatro como Oficina não sou   capacitada de criar um filho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Hoje só posso ver meu filho a cada 15 dias, sem poder pernoitar e com visitas vigiadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Hoje vivo a maior esperança que tudo isso é só uma passagem. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Vivo um grande amor. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Vivo uma grande luta que esta sendo um sucesso contra   esse câncer e a certeza que logo Théo estará de volta nos meus braços   junto com Rudá, esse bebezinho que segue guerreiro dentro de mim, nos   alimentando nessa grande batalha que é a vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-Q4b0Vtl2pJ4/TXolXxUbnTI/AAAAAAAAAew/HneJn50fzxY/s1600/quimio5.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img src="https://lh5.googleusercontent.com/-Q4b0Vtl2pJ4/TXolXxUbnTI/AAAAAAAAAew/HneJn50fzxY/s1600/quimio5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Desde   que recebi de um Oficial de justiça um documento com acusação de   PEDOFILIA, meu corpo  murchou. Naquele dia, era uma quinta feira em   dezembro, perdi todas as minhas forças, pela segunda vez estavam me   roubando meu filho. Um papel cheio de inverdades com tantas acusações   falsas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Ali, eu morri. Poucos dias depois soube do câncer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Achei   que tudo aquilo era um grande engano, ainda mais vendo que a acusação   estava vindo da pessoa com quem dividi alguns anos da minha vida, que   morou comigo por esse tempo e que juntos fizemos nosso maior tesouro, o   menino Théo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;A acusação foi feita pelo pai do meu filho; Rafael   Gonçalves e aceita pelo tribunal de justiça que segue um código antigo   que “protege” a criança de pais pedófilos, imediatamente dando a guarda   para o “autor do processo”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"  style=";font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span style="font-size:medium;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Até   hoje não fui chamada para depor, até hoje nenhum assistente social ou   psicólogo vieram conhecer minha casa, até hoje ninguém relacionado a   vida de Théo, escola, amiguinhos, vizinhos foram contatados.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;;&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Toda   acusação foi aceita em cima do discurso e um ex-marido que não aceita   nossa nova condição. E que desde então não aceita falar e nem olhar pra   mim, nem sequer pra falar de nosso filho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;;&amp;quot;;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Até hoje acredito que foi só um pesadelo, mas não foi.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" face="&amp;quot;" style=""&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;É realidade e uma realidade de que não faço parte sozinha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" face="&amp;quot;" style=""&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;É   um ato desesperado feito por pessoas fracas que não tem forças de   assumir a realidade nova, que vestidos de uma fantasia paternal usam   seus filhos como armas e não percebem que tudo isso ataca diretamente a   personalidade de uma criança que na verdade só que ser amada e   respeitada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Hoje,  estou mais forte em  tratamento e focada nessa luta de ter meu filho de  volta e para isso  tenho que estar mais viva que nunca.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Blog da Elaine: &lt;a href="http://elainecesar.blogspot.com/"&gt;http://elainecesar.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;    &lt;span class="post-author vcard"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-4480701620374578225?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/4480701620374578225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=4480701620374578225' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/4480701620374578225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/4480701620374578225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2011/03/mae-e-culpada-de-tudo-elaine-cesar.html' title='a mãe é culpada de tudo: elaine césar'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-KTzpQ0GoHbM/TXolHA2GRcI/AAAAAAAAAeo/w1LBShPTm-k/s72-c/quimio8.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-5922050089149616791</id><published>2011-03-09T17:22:00.002-03:00</published><updated>2011-04-06T13:47:55.266-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='questões feministas outras'/><title type='text'>Saia de bruxa hoje (Maíra Kubík Mano)</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Do blog: &lt;/span&gt;http://viva.mulher.blog.uol.com.br/&lt;br /&gt;                            &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:small;"&gt;&lt;span style="font-family:arial,helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, nada de sair por aí fantasiada de princesa, noiva ou prostituta. E  nem pense em aparecer de cigana ou palhaça! Se eu te encontrar de  odalisca, juro que viro a cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia é a seguinte: pegue um chapéu preto ou roxo bem alto. Uma capa vai bem também  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial,helvetica,sans-serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:small;"&gt;&lt;span style="font-family:arial,helvetica,sans-serif;"&gt;– pode ser das mesmas cores, para ficar combinando. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:small;"&gt;&lt;span style="font-family:arial,helvetica,sans-serif;"&gt;E  uma vassoura, sempre tem que ter uma vassoura. Se quiser, ponha um  nariz comprido e disforme, afinal, nossas homenageadas eram feias de dar  dó  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:small;"&gt;&lt;span style="font-family:arial,helvetica,sans-serif;"&gt;–&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:small;"&gt;&lt;span style="font-family:arial,helvetica,sans-serif;"&gt;  pelo menos segundo os desenhos animados da Disney. Um toque especial. Ah, e desenhe uma verruga, fundamental!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saia, enfim, de bruxa! Por quê? Porque hoje é 8 de março, Dia  Internacional das Mulheres, e essas libertárias ousadas foram um pedaço  da nossa história rumo a uma sociedade mais igualitária. Queimadas nas  fogueiras da Inquisição sem piedade simplesmente porque estudavam a  natureza e exerciam a medicina alternativa, elas entraram para os anais  como forças maléficas. Óbvio: eram um símbolo do poder da mulher e isso  não poderia ser tolerado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora sim. Dê gargalhadas sinistras por aí. Você pode. E deve!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:small;"&gt;&lt;span style="font-family:arial,helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-5922050089149616791?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/5922050089149616791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=5922050089149616791' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/5922050089149616791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/5922050089149616791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2011/03/saia-de-bruxa-hoje-maira-kubik-mano.html' title='Saia de bruxa hoje (Maíra Kubík Mano)'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-794013656990747173</id><published>2011-03-09T17:21:00.003-03:00</published><updated>2011-04-06T13:48:25.559-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='questões feministas outras'/><title type='text'>8 de março e carnaval...</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span class="art_cham"&gt;DIA INTERNACIONAL DA MULHER&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="art_tit"&gt;Feminismo depois do carnaval&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span class="art_autor"&gt;  Por Ligia Martins de Almeida em 8/3/2011&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p align="right"&gt;&lt;span class="art_olho"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span class="art_texto"&gt;&lt;p&gt;Desfilar seminua, rebolar com gestos  eróticos, tentar se impor apenas pela sexualidade é uma conquista  feminina ou o máximo da submissão? Esse seria um bom tema para discutir  nesse no Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março, que  neste ano caiu na terça-feira de Carnaval. Em meio às fotos dos desfiles  e o destaque para as mulheres mais bonitas, mais famosas ou menos  vestidas, os jornais reservaram espaço para discutir nada mais nada  menos do que feminismo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O caderno "Feminino" do diário &lt;i&gt;O Estado de S.Paulo&lt;/i&gt; dedicou duas páginas ao tema ("Feminismo, ontem e hoje") e começa afirmando: &lt;/p&gt;&lt;dir&gt;&lt;dir&gt;&lt;p&gt;"O  movimento, que muitos pensam fazer parte do passado, segue atuante e  tem atraído novas gerações de militantes. Para especialistas, a luta  pela igualdade de direitos continua – mas os desafios são outros."&lt;/p&gt;&lt;/dir&gt;&lt;/dir&gt;&lt;p&gt;A antropóloga e socióloga Lia Zanotta Machado, autora do livro &lt;i&gt;Feminismo em Movimento&lt;/i&gt;, é quem fala dos novos desafios, entre os quais destaca o aborto: &lt;/p&gt;&lt;dir&gt;&lt;dir&gt;&lt;p&gt;"Existe  um pensamento em comum, nas classes média e baixa, de que quando se  trata de uma pessoa próxima e cujas razões são conhecidas, o aborto é  aceito. Mas é preciso pensar nas demais mulheres que, por circunstâncias  afetivas, sociais e econômicas, não podem levar a gestação adiante".&lt;/p&gt;&lt;/dir&gt;&lt;/dir&gt;&lt;p&gt;O segundo desafio a ser vencido, diz a antropóloga, é a participação das mulheres na política: &lt;/p&gt;&lt;dir&gt;&lt;dir&gt;&lt;p&gt;"Segundo  a organização internacional União Interparlamentar, num ranking de 180  nações, o Brasil ocupa o 144º lugar em relação à presença feminina nos  parlamentos. Nesse âmbito, o fato histórico de termos uma mulher na  presidência e mais ministras produz um efeito de desnaturalização do  espaço masculino no poder".&lt;/p&gt;&lt;/dir&gt;&lt;/dir&gt;&lt;b&gt;&lt;p&gt;Acesso a direitos&lt;/p&gt;&lt;/b&gt;&lt;p&gt;Mas  o grande desafio mesmo é diminuir a diferença entre as mulheres mais  ricas e as mais pobres, diz outra entrevistada do jornal, a psicóloga  Nalu Faria, coordenadora geral da Sempreviva Organização Feminista: &lt;/p&gt;&lt;dir&gt;&lt;dir&gt;&lt;p&gt;"O  acesso aos direitos não chega a todas as camadas. No Brasil, as  mulheres são as mais pobres, em particular as negras e rurais. Temos só  52 mulheres em cada 100 que estão no trabalho assalariado." &lt;/p&gt;&lt;/dir&gt;&lt;/dir&gt;&lt;p&gt;A  luta da Marcha Mundial das Mulheres, que ela integra, é por "um salário  mínimo mais digno, que impacte de forma positiva a vida dessas  mulheres".&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Junto como o salário digno, vem a luta contra a  violência doméstica, ainda um problema grave: a cada 15 segundos, uma  mulher é vítima de agressão no Brasil. Embora a Lei Maria da Penha tenha  tornado o tema mais público, é importante trabalhar no âmbito da  prevenção. &lt;/p&gt;&lt;dir&gt;&lt;dir&gt;&lt;p&gt;"A violência, fruto da relação de poder, não  acontece de uma hora para outra. Começa com o controle, o isolamento e a  desqualificação da mulher, que se sente fragilizada, com baixa  autoestima e economicamente dependente."&lt;/p&gt;&lt;/dir&gt;&lt;/dir&gt;&lt;p&gt;Tomara que  após o Carnaval – que, como diz o antropólogo Roberto da Matta, "é o  rito que libera, deseja, solta" – e com a volta da presidente Dilma  Rousseff de seu retiro com a família numa área restrita e protegida de  câmeras fotográficas, os jornais abram espaço, a partir do Dia  Internacional da Mulher, para discutir o feminismo, suas conquistas e, o  mais importante, o que ainda falta para fazer para que todas as  mulheres tenham pleno acesso aos direitos que lhe são garantidos.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-794013656990747173?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/794013656990747173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=794013656990747173' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/794013656990747173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/794013656990747173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2011/03/8-de-marco-e-carnaval.html' title='8 de março e carnaval...'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-3165808932832020696</id><published>2011-02-25T16:06:00.004-03:00</published><updated>2011-04-06T10:59:44.601-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos obscênicos'/><title type='text'>objetos relacionais</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-cMcLsGFgf4g/TWf-7mORwPI/AAAAAAAABlE/yOSbTxX5kIo/s1600/clark.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 225px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-cMcLsGFgf4g/TWf-7mORwPI/AAAAAAAABlE/yOSbTxX5kIo/s400/clark.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5577706963347816690" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;foto de: www.sheilahuertas.com.br&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;o espaço é um objeto relacional. suas paredes. cores. texturas.  temperaturas, sonoridades e planos. andar pelo espaço, percebê-lo,  inCORPOrá-lo... o chão. janelas quentes. vidraças frias. nesgas de luz.  cantos escuros. quinas. cortinas. vento. sem pressa. sem idéias.&lt;br /&gt;percepção.&lt;br /&gt;de  olhos fechados. abrir os outros sentidos. sair do plano alto, racional.  deixar todo o corpo ter contato. esvaziar-se. esvaziar-se. esvaziar-se.&lt;br /&gt;construir  um terreno árido para que as coisas possam surgir. para que possa  surgir a dança com o espaço. com os corpos soltos nele. não ignore o  outro, mas deixe-o passar. dança com o espaço. e com os objetos soltos  nele.&lt;br /&gt;tecidos. tubos. plásticos moles. plásticos duros. água. algodão. balão.&lt;br /&gt;tocar  os objetos mas não apenas com as mãos. as mãos, como os olhos, impõem  sentidos. perceber cada objeto com o corpo. seu cheiro. temperatura.  textura. elasticidade. deixar que também o objeto aja sobre o seu corpo.  o corpo disponível responde.&lt;br /&gt;"existe uma atenção que busca e outra que encontra".&lt;br /&gt;não  busque a forma. não represente. perceba. receba. o corpo responde e os  olhos já podem se abrir. considere as cores. luminosidades. alturas.&lt;br /&gt;considere  as proximidades. as distâncias. o espaço entre os corpos. o vazio e o  cheio. considere o outro. seu corpo. seu ritmo. movimentos. ações.  deixe-se contaminar. ALTERar-se.&lt;br /&gt;não somente pelo toque. considere o espaço entre os corpos. o espaço entre.&lt;br /&gt;relacionar.  não impor. relacionar. receber. doar. propor. propor. não impor.&lt;br /&gt;receber o outro com seu corpo. perceber a pele.&lt;br /&gt;trios. exclusão. energia. intensidades. impulsos.&lt;br /&gt;os três homens no armário. territórios. a dança da masculina força. fera.&lt;br /&gt;o  brincar de três. água. pano. enrolar-se. dança das cadeiras. o corpo  erguido e os bonequinhos coloridos que se espalham pelo chão. a dança  dos corpos.&lt;br /&gt;trios. relação amorosa. o brincar de três. sonoridades.  risadas. corpos que se tocam. se batem. se cheiram. se esfregam.  shishishishishishishishishi produzindo sons. produzindo memória  impregnada no corpo.&lt;br /&gt;fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-3165808932832020696?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/3165808932832020696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=3165808932832020696' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/3165808932832020696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/3165808932832020696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2011/02/objetos-relacionais.html' title='objetos relacionais'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-cMcLsGFgf4g/TWf-7mORwPI/AAAAAAAABlE/yOSbTxX5kIo/s72-c/clark.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-2552752654033494866</id><published>2011-01-14T10:12:00.004-02:00</published><updated>2011-04-06T13:46:46.292-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='questões feministas outras'/><title type='text'>eu aborto, tu abortas...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TTA9ws8kFHI/AAAAAAAABcQ/VTy8GxWz2nA/s1600/campanha-ms.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 282px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TTA9ws8kFHI/AAAAAAAABcQ/VTy8GxWz2nA/s400/campanha-ms.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562013446710760562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-2552752654033494866?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/2552752654033494866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=2552752654033494866' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/2552752654033494866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/2552752654033494866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2011/01/eu-aborto-tu-abortas.html' title='eu aborto, tu abortas...'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TTA9ws8kFHI/AAAAAAAABcQ/VTy8GxWz2nA/s72-c/campanha-ms.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-9078624738379394566</id><published>2010-12-12T13:21:00.015-02:00</published><updated>2011-04-06T11:00:48.317-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>possíveis textos</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;você me ama?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;amo.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;por quê?&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" style="font-style: italic;" href="http://3.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TQTpKvM25_I/AAAAAAAAAxQ/wtWdwQsXNyQ/s1600/1%2Bporn%2Bhustler.png"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 146px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TQTpKvM25_I/AAAAAAAAAxQ/wtWdwQsXNyQ/s320/1%2Bporn%2Bhustler.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5549817011505653746" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;porque você é loira. e gostosa.&lt;br /&gt;melhor, porque você é muda. e está em cima da mesa. pronta pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;gelada.&lt;br /&gt;loira gelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;font-family:times new roman;" &gt;isso poderia ser o texto de uma propaganda de cerveja. mas não é.&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;*&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-9078624738379394566?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/9078624738379394566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=9078624738379394566' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/9078624738379394566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/9078624738379394566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/12/possiveis-textos.html' title='possíveis textos'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TQTpKvM25_I/AAAAAAAAAxQ/wtWdwQsXNyQ/s72-c/1%2Bporn%2Bhustler.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-6877596462377378569</id><published>2010-11-29T16:57:00.003-02:00</published><updated>2011-04-06T11:01:12.450-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos obscênicos'/><title type='text'>mulheres de programa</title><content type='html'>hoje, 25 de novembro, fiz mais uma programa.&lt;br /&gt;como sempre, não o fiz sozinha... que graça teria?&lt;br /&gt;melhor seria dizer: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nós o realizamos&lt;/span&gt;. 11 mulheres e um bendito fruto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tornar real um programa é organizar um plano de risco e colocá-lo em ação. para desprogramar corpo e meio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"mulheres  painel em deriva pelo hipercentro de belo horizonte oferecem  seus  corpos para serem lidos. nestes, notícias de jornal se misturam a   imagens de mulheres e a escritas improvisadas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TO8psrkhoaI/AAAAAAAAAbs/MZINYsNPHzo/s1600/mulherespainel1.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 320px; height: 214px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TO8psrkhoaI/AAAAAAAAAbs/MZINYsNPHzo/s320/mulherespainel1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5543695513903276450" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dando  prosseguimento à investigação do feminino que a gente vem  realizando  (lica e eu), tínhamos proposto para as mulheres da marcha mundial das  mulheres uma ação coletiva  para o dia internacional da não violência  contra a mulher. seria uma ótima ocasião para recolher mais imagens  junto com anna e taynara, as moças da m.m.m. com quem estamos realizando  uma parceria de trabalho para desenvolvimento de material audiovisual.&lt;br /&gt;elas, para seu trabalho final na oi kabum. nós, para desenvolvimento de nossas questões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a  idéia era criar uma multiplicação, uma seriação de figuras femininas  que, marcada por certas semelhanças - as mulheres teriam em comum os  corpos/roupas de jornal - e circunscrita em uma determinada área,  tenderia a provocar interrupções no fluxo cotidiano da cidade, um  possível estranhamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com a necessidade das mulheres da marcha  se concentrarem nas manifestações mais diretas e sem tempo hábil para  prepará-las para a ação que pensávamos, acabamos por decidir convocar  outras performers de belo horizonte que imaginávamos comungar em termos  não só de linguagem, mas também de interesse temático ou de atitude  política.&lt;br /&gt;email, facebook e, em breve tempo, conseguimos um bom número de mulheres interessadas em realizar uma ação conosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como  disse, fomos onze ao total. dessas, seis saíram, efetivamente, de  mulheres painel: lica, letícia castilho, sílvia andrade, marcelle  louzada, viviane (preciso saber seu sobrenome) e patrícia campos,  pesquisadora que integra a rede colaborativa do obscena.&lt;br /&gt;todas as  outras (nina, marta, juliana, anna e taynara) e o bendito fruto,  fernando, ficamos no necessário apoio: dentro de sala e no  acompanhamento/registro na rua. afinal, temos que estar preparadas para  tudo (também seria interessante saber o sobrenome de todas/o para os  créditos nas fotos/imagens).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em evidente alusão a um tempo de  guerrilhas, acabei por nomear a ação de ação performática 25 de  novembro. letícia veio a caráter, vestida pra guerra. cada mulher painel  construiu sua singularidade... silvia com seus sapatos de jornal e  guarda-chuva, patrícia de "chanel", marcelle com sua cachorra e viviane  de rainha... lica com sua mitra, aráutica...&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TO8ptFhenKI/AAAAAAAAAb0/3uc93KvhpHo/s1600/marcelle_5.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TO8ptFhenKI/AAAAAAAAAb0/3uc93KvhpHo/s320/marcelle_5.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5543695520869817506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nos  corpos números de violência, bundas plastificadas e sorrisos cor de  rosa. olhos roxos e palavras editadas.  desprogramando. desprogramando.  desprogramando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-6877596462377378569?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/6877596462377378569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=6877596462377378569' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/6877596462377378569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/6877596462377378569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/11/mulheres-de-programa.html' title='mulheres de programa'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TO8psrkhoaI/AAAAAAAAAbs/MZINYsNPHzo/s72-c/mulherespainel1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-885588317675172860</id><published>2010-11-24T16:48:00.001-02:00</published><updated>2011-04-06T11:01:48.055-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>formas de morrer lentamente.</title><content type='html'>lipo.&lt;br /&gt;aspiração mata.&lt;br /&gt;mata sorrir. servir bem para servir sempre.&lt;br /&gt;mata amar casar parir amamentar cuidar limpar. agradar. esquecer. perdoar.&lt;br /&gt;transar. mesmo sem vontade.&lt;br /&gt;o soutien. a calcinha de renda e o sexo oral nele como nunca nela (ela finge que não gosta para não ter que enfrentar sua cara de nojo).&lt;br /&gt;o botox. o hidratante. o batom. o rosa. o rosa. o rosa. e o sorriso.&lt;br /&gt;vai matando devagarinho. comendo a alma da gente. isso é o que me mata, sabe?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-885588317675172860?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/885588317675172860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=885588317675172860' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/885588317675172860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/885588317675172860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/10/formas-de-morrer-lentamente.html' title='formas de morrer lentamente.'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-2832677022918782778</id><published>2010-11-16T17:34:00.009-02:00</published><updated>2011-10-30T15:44:59.346-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>Arquitetura III</title><content type='html'>Daqui de cima eu vejo tudo.&lt;br /&gt;a cidade inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;luzes. prédios. ruas. carros. pessoas passam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma questão de destino.&lt;br /&gt;Uma arquitetura é feita de planos traçados. de linhas. retas. direções.&lt;br /&gt;Uma arquitetura é Grande. Dura. Magnífica. &lt;br /&gt;mas por dentro dela. de mim.&lt;br /&gt;algo acontece.&lt;br /&gt;(o interior carcomido)&lt;br /&gt;uma arquitetura é feita de vazios. de cheios. é feita de passagens. de lugares vivências. &lt;br /&gt;no interior pleno de mulheres algo sobe pelos muros. infiltra-se pelas paredes. escorre pelos canos.  pelas velhas. veias. pelas coxas. cabelos. escorre das bucetas. bucetas. bucetas. sobem pelas paredes.&lt;br /&gt;os corpos conformados nos vazios escrevem um texto  que não conseguem ler.&lt;br /&gt;Nos corredores. Nas grades, nas celas. No pátio.  No cimento.&lt;br /&gt;Na veia.&lt;br /&gt;Dentro dela. de mim. uma mulher espera pegar a dureza daquele lugar torto.&lt;br /&gt;Por  dentro, estou carcomida e ela também. Somos cheias de segredos. Eu e ela. a mulher. O cheiro da urina grudada na pele.&lt;br /&gt;Quanto tempo até o chão? Quanto tempo até seu rosto tocar o chão vermelho?&lt;br /&gt;A carne. Em direção à queda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela  grita e ninguém escuta. Ela (eu) está numa cela que faz parte de um  andar  que faz parte de um pavilhão que faz parte de uma cadeia de  prédios que  faz parte de um quarteirão que faz parte de um bairro que  faz parte de  um distrito que faz parte de uma cidade que faz parte de  um estado que  faz parte de um país... Ela grita. eu grito. e ninguém  escuta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do alto da torre, o olho passeia. eu  invento um altar.&lt;br /&gt;Para um deus possível que lá do alto da torre vê a vida passar.&lt;br /&gt;Na televisão. Na esquina do mundo.&lt;br /&gt;E eu (ela) aqui sentada. nessa cela. nessa sala. nesse tubo de ensaio.&lt;br /&gt;A gente só devia conhecer o que vive.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-2832677022918782778?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/2832677022918782778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=2832677022918782778' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/2832677022918782778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/2832677022918782778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/11/arquitetura-iii.html' title='Arquitetura III'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-8647722727617725055</id><published>2010-11-05T21:59:00.005-02:00</published><updated>2011-04-06T13:45:03.016-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>Arquitetura II</title><content type='html'>Daqui de cima eu vejo tudo.&lt;br /&gt;a cidade inteira.&lt;br /&gt;luzes. prédios. ruas. carros. pessoas passam.&lt;br /&gt;É uma questão de destino.&lt;br /&gt;Uma arquitetura é feita de planos traçados. de linhas. retas. de vazios. de cheios.&lt;br /&gt;Uma arquitetura é feita de passagens. E de muros.&lt;br /&gt;Uma arquitetura é magnífica. Grande. Dura.&lt;br /&gt;mas por dentro dela.&lt;br /&gt;                        de mim. (o interior cheio de mulheres)&lt;br /&gt;algo acontece. escorre pelos canos. sobe pelas paredes. pelas coxas. cabelos. bucetas. bucetas.&lt;br /&gt;pelas veias.&lt;br /&gt;o cheiro. (o interior carcomido)&lt;br /&gt;os corpos conformados nos vazios escrevem um texto  que não conseguem ler.&lt;br /&gt;Nos corredores. Nas grades, nas celas. No pátio.  No cimento.&lt;br /&gt;Na veia.&lt;br /&gt;Dentro dela. de mim. uma mulher espera pegar dureza daquele lugar torto.&lt;br /&gt;Por  dentro, estou carcomida. Ela também. Somos cheias de segredos. Eu e ela. a mulher.&lt;br /&gt;O cheiro da urina grudada na pele.&lt;br /&gt;Quanto tempo até o chão? Quanto tempo até seu rosto tocar o chão vermelho?&lt;br /&gt;A carne. Em direção à queda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela grita e ninguém escuta. Ela (eu) está numa cela que faz parte de um andar  que faz parte de um pavilhão que faz parte de uma cadeia de prédios que  faz parte de um quarteirão que faz parte de um bairro que faz parte de  um distrito que faz parte de uma cidade que faz parte de um estado que  faz parte de um país... Ela grita. eu grito. e ninguém escuta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do alto da torre, o olho passeia. eu  invento um altar.&lt;br /&gt;Para um deus possível que lá do alto da torre vê a vida passar.&lt;br /&gt;Na televisão. Na esquina do mundo.&lt;br /&gt;E eu (ela) aqui sentada. nessa cela. nessa sala. nesse tubo de ensaio.&lt;br /&gt;"A gente só devia conhecer o que vive".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-8647722727617725055?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/8647722727617725055/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=8647722727617725055' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/8647722727617725055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/8647722727617725055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/11/arquitetura-ii.html' title='Arquitetura II'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-4864908995113410215</id><published>2010-11-01T16:07:00.001-02:00</published><updated>2011-04-06T13:45:56.796-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='questões feministas nina'/><title type='text'>importa se ela é mulher?</title><content type='html'>um dia após a eleição para presidência do brasil, me pergunto: importa se ela é mulher?&lt;br /&gt;nesse  dia histórico, em que pela primeira vez (após 35 homens governando o  país) uma mulher alcança o posto de PRESIDENTA (assim, com A. os gêneros  não são neutros), me pergunto: importa? mulher é uma condição política  (como diria lennon, ela é o negro da humanidade).&lt;br /&gt;disse há pouco: os gêneros não são neutros. o considerado neutro é, de fato, o gênero masculino.&lt;br /&gt;ele nos é dado. como se dele viesse toda a criação, toda a eva. o masculino é visto como natural.&lt;br /&gt;Homem  (diz o aurélio). s.m. espécie humana, humanidade: a evolução social do  homem. a criatura humana sob o ponto de vista moral: todo homem é  passível de aperfeiçoamento. pessoa do sexo masculino. macho.&lt;br /&gt;natural então é ter presidente, governador, prefeito, senador. estudante. médico. sargento. soldado. advogado.&lt;br /&gt;engraçado,  que mesmo quando é com a, é o masculino que conta. não  falamos a  poeta. tem que ser poetisa... o músico e a musicista (o feminino, aqui,  só serve para a abstração: a palavra música jamais poderia ser colada a  um corpo fêmea).&lt;br /&gt;o natural é ser macho. fêmea é a dissidência.&lt;br /&gt;então presidenta soa "feio", "cacofônico" (melhor falar a presidente, né? é mais natural...)&lt;br /&gt;hoje,  uma semana depois da experiência obscena com o cross-dressing proposto  por leandro, me pergunto: existe neutralidade na discussão de gêneros? o  que é ser mulher? homem? o que nos define?  o sexo? o comportamento? as  roupas, tons, gestos?&lt;br /&gt;o que nos faz mulher?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-4864908995113410215?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/4864908995113410215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=4864908995113410215' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/4864908995113410215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/4864908995113410215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/11/importa-se-ela-e-mulher.html' title='importa se ela é mulher?'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-6626441945826348988</id><published>2010-10-23T10:16:00.002-02:00</published><updated>2011-04-06T13:49:47.859-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>matar o que se ama. curar o que está doente.</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-6626441945826348988?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/6626441945826348988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=6626441945826348988' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/6626441945826348988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/6626441945826348988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/10/matar-o-que-se-ama-curar-o-que-esta.html' title='matar o que se ama. curar o que está doente.'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-8483163283549225504</id><published>2010-10-21T16:22:00.005-02:00</published><updated>2011-04-06T13:50:49.921-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>fênix</title><content type='html'>para as criaturas de ar, é necessário que as coisas respirem. são como flautas:  quando o ar circula, fazem música.&lt;br /&gt;já para as criaturas de fogo, a circulação de ar implica em incêndio. as coisas queimam dentro delas.&lt;br /&gt;são como fênix: precisam queimar tudo, se queimar inteira.&lt;br /&gt;para nascer de novo outra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-8483163283549225504?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/8483163283549225504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=8483163283549225504' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/8483163283549225504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/8483163283549225504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/10/fenix.html' title='fênix'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-7688096369010989206</id><published>2010-10-21T13:37:00.001-02:00</published><updated>2010-10-21T13:38:40.139-02:00</updated><title type='text'>Matéria do SBT conta que bolinha de papel atingiu Serra</title><content type='html'>gosto do link para o mulheres com dilma, site bem interessante...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.mulherescomdilma.com.br/?p=8577"&gt;Matéria do SBT conta que bolinha de papel atingiu Serra&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-7688096369010989206?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/7688096369010989206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=7688096369010989206' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/7688096369010989206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/7688096369010989206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/10/materia-do-sbt-conta-que-bolinha-de.html' title='Matéria do SBT conta que bolinha de papel atingiu Serra'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-5729258147532156328</id><published>2010-10-18T22:55:00.005-02:00</published><updated>2011-10-30T18:48:11.838-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>conversas possíveis para um absurdo fim</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;eu não te conheço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;conhece sim. você vinha muito aqui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;você mora aqui?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;moro. você ia perguntar: e eu?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;como?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;você ia perguntar: e eu?&lt;br /&gt;eu sussurro: você mora dentro de mim. como agora.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;você ficou emocionado, não?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;porque eu sei que é verdade. eu estou aqui, dentro de você, e sei que moro aqui. desde sempre.&lt;br /&gt;você está chorando?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;também estou emocionada. estamos nos despedindo, não é?&lt;br /&gt;você disse: nunca amei uma mulher como você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;nunca amei uma mulher como você. por isso também fico emocionado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;de novo as lágrimas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;eu acho que você nem devia chorar. já passamos pelo pior. agora é a calmaria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;tem razão. fiquei pensando como seríamos nós agora. depois de tudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;pode ficar tranquilo porque, antes, você explicou tudo perfeitamente bem. você foi claro. Sobretudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;não. quero dizer agora, enquanto você se aninha ao meu corpo e eu acaricio seus cabelos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;achei que não ia perguntar. queria que o abraço nos tivesse derretido. mas isso não aconteceu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;então nada mudou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;nada mudou.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-5729258147532156328?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/5729258147532156328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=5729258147532156328' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/5729258147532156328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/5729258147532156328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/10/conversas-possiveis-para-um-absurdo-fim.html' title='conversas possíveis para um absurdo fim'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-7122265304359504681</id><published>2010-10-16T23:21:00.002-03:00</published><updated>2011-04-06T13:52:08.264-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>conversas possíveis para um absurdo fim II</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;você sabe o que estamos fazendo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sim. já fizemos isso antes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;mas você sabe mesmo o que é isso que estamos fazendo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;não estamos casando. nem namorando. nunca mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;e agora que você sabe continuaremos fazendo isso?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;eu já sabia disso quando começamos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-7122265304359504681?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/7122265304359504681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=7122265304359504681' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/7122265304359504681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/7122265304359504681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/10/conversas-possiveis-para-um-absurdo-fim_10.html' title='conversas possíveis para um absurdo fim II'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-8341292910821130037</id><published>2010-10-16T00:09:00.001-03:00</published><updated>2011-04-06T13:52:33.746-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>conversas possíveis para um absurdo fim III</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;você sabe o que estamos fazendo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sim. já fizemos isso antes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;você não acha pouco para nós?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;eu também gostaria muito que fizéssemos mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;mas você sabe mesmo o que é isso que estamos fazendo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;não estamos casando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;e agora que você sabe continuaremos fazendo isso?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;não se preocupe. eu já sabia disso quando começamos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;vamos fazer assim?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;eu gostaria muito que fizéssemos isso direito. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;também prefiro que façamos direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;nosso amor pairava acima do real.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-8341292910821130037?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/8341292910821130037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=8341292910821130037' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/8341292910821130037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/8341292910821130037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/10/conversas-possiveis-para-um-absurdo-fim_11.html' title='conversas possíveis para um absurdo fim III'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-5890400147960528999</id><published>2010-10-15T14:38:00.001-03:00</published><updated>2011-04-06T13:52:47.052-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>conversas possíveis para um absurdo fim IV</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;preciso urgentemente tirar o seu corpo do meu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;imagino que você tenha alguma idéia sobre isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;andei considerando algumas possibilidades: um ritual de purificação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;não sou encosto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sexo com desconhecidos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;é. você precisa urgentemente tirar o meu corpo do seu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;eu já havia dito isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;vai deixar uma marca.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sexo com desconhecidos é eficaz nesse sentido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;e um vazio na alma.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ela está preenchida com o que já não existe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;e o meu corpo? como fica?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;esse problema não é meu.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-5890400147960528999?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/5890400147960528999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=5890400147960528999' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/5890400147960528999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/5890400147960528999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/10/conversas-possiveis-para-um-absurdo-fim_1112.html' title='conversas possíveis para um absurdo fim IV'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-3522842456007446428</id><published>2010-10-14T18:56:00.001-03:00</published><updated>2011-04-06T13:52:59.133-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>conversas possíveis para um absurdo fim V</title><content type='html'>adoro fazer poesia com você.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;adoro fazer amor com você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(pausa)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;você ainda enrubesce.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;adoro fazer o que a gente faz.&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;adoro tudo o que já fizemos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;esses são os últimos laços se desfazendo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;reparou que já não nos encontramos por acaso?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;e que quando ligo você esqueceu o telefone?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;então é hora de nos despedirmos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;não vamos mesmo? nunca mais?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;nosso amor pairava acima do real.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-3522842456007446428?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/3522842456007446428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=3522842456007446428' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/3522842456007446428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/3522842456007446428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/10/conversas-possiveis-para-um-absurdo-fim_3203.html' title='conversas possíveis para um absurdo fim V'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-7819786568855196829</id><published>2010-10-13T23:12:00.005-03:00</published><updated>2011-04-06T13:53:15.166-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>conversas possíveis para um absurdo fim VI</title><content type='html'>preciso urgentemente tirar o seu corpo do meu. tirar essa fruta esse fruto que nasce que brota no rasgo do ventre. no útero. preciso abortar.&lt;br /&gt;abortar esse amor. é preciso. libertar esse corpo. é preciso. recriar a metade que fica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;essa conversa mais parece um monólogo.&lt;br /&gt;ou uma sentença final.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-7819786568855196829?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/7819786568855196829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=7819786568855196829' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/7819786568855196829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/7819786568855196829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/10/conversas-possiveis-para-um-absurdo-fim_13.html' title='conversas possíveis para um absurdo fim VI'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-2946562493833526308</id><published>2010-10-11T17:41:00.005-03:00</published><updated>2011-04-06T13:53:32.533-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='questões feministas outras'/><title type='text'>campanha a favor da legalização do aborto</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TLN2vWvin3I/AAAAAAAAAWY/JM--Z_1HFk8/s1600/ABORTO_MMM.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TLN2vWvin3I/AAAAAAAAAWY/JM--Z_1HFk8/s400/ABORTO_MMM.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5526891723644641138" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-2946562493833526308?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/2946562493833526308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=2946562493833526308' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/2946562493833526308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/2946562493833526308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/10/campanha-favor-da-legalizacao-do-aborto.html' title='campanha a favor da legalização do aborto'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TLN2vWvin3I/AAAAAAAAAWY/JM--Z_1HFk8/s72-c/ABORTO_MMM.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-7725808939491207475</id><published>2010-10-06T14:27:00.007-03:00</published><updated>2011-04-06T13:53:59.276-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>a matemática do amor</title><content type='html'>a matemática do amor é matéria complexa. soma-se. sub.trai-se. logra-se o ritmo.&lt;br /&gt;nessa matemática é preciso considerar os fatores.&lt;br /&gt;corpo. mente. coração. mesmo que a ordem não altere o produto.&lt;br /&gt;porque na matemática do amor somos andróginos de nós mesmos.&lt;br /&gt;amor gostoso é quando ao querer do corpo se junta a vontade do coração.&lt;br /&gt;ah, nessa matemática a soma vira multiplicações infinitas...&lt;br /&gt;os quereres.&lt;br /&gt;mas isso não é a operação completa.&lt;br /&gt;na redonda laranjice de nós mesmos, fazemos uma máginática e transformamos três metades (é preciso considerar a mente) numa plenitude plena solitária não bastante em si mesma.&lt;br /&gt;essa completude tem objeto. o desejo de corpo e alma tem mira.&lt;br /&gt;na suprema redondice de nós mesmos almejamos uma redondice de estranhas moléculas  querendo-se líquidas aguar no outro.&lt;br /&gt;a matemática se complica. agora são muito os nossos fatores. é possível liquefazê-los?&lt;br /&gt;é possível lique-fazer-nos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-7725808939491207475?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/7725808939491207475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=7725808939491207475' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/7725808939491207475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/7725808939491207475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/10/matematica-do-amor.html' title='a matemática do amor'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-7410864957868774861</id><published>2010-10-05T14:21:00.013-03:00</published><updated>2011-04-06T13:54:30.285-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>nove meses</title><content type='html'>nove meses. corte. precisão cirúrgica.&lt;br /&gt;alguém deveria nascer. ou morrer hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(eu devia ter dito algo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;morrer.&lt;br /&gt;em um mundo de linhas de atravessamento temporal uma escolha é sempre a morte de uma outra vida possível. ou de um amor impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(algo. uma escritaimpossível)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esse poderia ser um manifesto pelo amor possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(mas o amor possível  não precisa de manifesto. somente daquilo que em corpo já está  manifesto. afinal, amor, como conhecimento, é um problema de fazer.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em um mundo de atravessamentos toda morte é morte do impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(eu disse lá atrás que alguém deveria nascer ou morrer hoje. e eu deveria ter dito algo.&lt;br /&gt;     ao dizer isso, quase disse alguém novamente. alguém deveria morrer. mas quem? não é possível saber, no entanto estou de luto e choro a minha alma.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um corte. numa operação de precisão cirúrgica um corte foi feito. algo deveria nascer hoje? algo deveria brotar desse corte, ser parido, gerado numa continuidade da vida possível ou de um amor impossível? (eu disse: algo) ou, como diria minha sábia mãe: amor impossível não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(abissal sabedoria. amor impossível não existe.&lt;br /&gt;amor impossível não está lá.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pois velemos o morto. amém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-7410864957868774861?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/7410864957868774861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=7410864957868774861' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/7410864957868774861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/7410864957868774861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/10/um-ano-e-nove-meses.html' title='nove meses'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-1247286476421932285</id><published>2010-08-19T13:06:00.002-03:00</published><updated>2011-04-06T13:55:11.401-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='baby dolls'/><title type='text'>NEM TÃO BONECAS: CARTA OBSCENA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TG1XGKgkfZI/AAAAAAAAAVI/S096p3eIHU8/s1600/DSC03251.JPG"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 180px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TG1XGKgkfZI/AAAAAAAAAVI/S096p3eIHU8/s320/DSC03251.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507153682755779986" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;CARTA OBSCENA, ABERTA À POPULAÇÃO DE BH E A TODOS OS INTERESSADOS&lt;br /&gt;Queremos não só relatar o amadorismo, o desrespeito e a ignorância que marcaram a 10ª edição do FIT-BH – do qual participamos com um dos trabalhos locais selecionados em edital público – mas também exigir a discussão da política cultural de privatização de espaços públicos, mercantilização e consumo da arte implementada pela gestão de Márcio Lacerda, a qual encontra reflexo no modo de organização desenvolvido pelo Festival Internacional de Teatro deste ano. Para isso, vamos fazer uma rápida recapitulação dos eventos que compuseram a “novela” FIT.&lt;br /&gt;Apesar desse importante festival ter sua realização garantida por lei  e contar com dotação orçamentária e previsão bienal, em março desse ano – a cinco meses do FIT acontecer e em pleno processo de seleção dos grupos locais – a Fundação Municipal de Cultura anuncia seu cancelamento, alegando desde falta de verba até escassez de bons espetáculos para compor a grade. Diante da reação da classe artística, a FMC volta atrás em sua decisão – sendo o retorno tão autoritário, arbitrário e leviano quanto o cancelamento, pois não há diálogo nem consulta à população, ou justificativa real em relação às decisões. No mesmo dia do anúncio de Thaís Pimentel, presidente da FMC, demitem-se os curadores do evento, Richard Santana e Eid Ribeiro e, em seguida, o coordenador geral, Carlos Rocha. No dia 12 de abril, ela anuncia o novo modelo de gestão do FIT: a coordenação será assumida pelo corpo de diretores da Fundação, o que permite o alinhamento da “coordenação às diretrizes institucionais da FMC”.&lt;br /&gt;Com nossa intervenção urbana selecionada a integrar a programação (resultado publicado em abril), aguardamos a comunicação da FMC para podermos, como em todo festival do qual já participamos com Baby Dolls, negociar as condições de apresentação. No dia 10 de junho, preocupados porque não havíamos recebido ainda nenhuma comunicação, entramos em contato com o secretário da comissão de seleção, André Ferraz, para iniciarmos as negociações e recebemos como retorno um breve email da coordenação do FIT avisando que seríamos comunicados em breve das datas, horários e locais de apresentação.&lt;br /&gt;Temerosos com a pouca comunicação e dispostos a garantir a realização da intervenção em suas especificidades artísticas, dirigimos um email no qual explicávamos claramente as condições de realização de nosso trabalho. Ficamos aguardando e não obtivemos retorno. Após insistência, obtivemos resposta de que não seria possível integrarmos a programação descentralizada do Festival e enviamos, então, nova proposta, centralizando a nossa ação em uma ocupação das estações de metrô.&lt;br /&gt;Nesse mesmo email, reiteramos as condições levantadas por nós desde nossa primeira comunicação: a impossibilidade de existir um aparato de divulgação nos locais de intervenção e a solicitação para que não fosse divulgado o horário em que ocorreriam as ações. Fomos informados de que nossa proposta tinha sido repassada ao coordenador Rodrigo Barroso e que ele entraria em contato para resolver as pendências. No dia 5 de julho, ainda sem retorno algum, recebemos da produtora Ana Jardim uma solicitação de rider técnico.&lt;br /&gt;Novamente preocupados com a falta de comunicação do FIT e com o silêncio em relação às nossas questões, apelamos para as redes sociais e no dia 11 de julho postamos uma mensagem no Facebook de Rodrigo Barroso, solicitando uma reunião pessoal para definir nossa participação no Festival. No mesmo dia, ele retornou, também pelo Facebook, com garantias de admiração e respeito pelo nosso trabalho, mas ainda com informações gerais, da mesma ordem das recebidas anteriormente. Ou seja, a negociação não avançava.&lt;br /&gt;Cientes da urgência de solucionarmos os termos do contrato de modo claro e transparente, fizemos contato telefônico com Barroso, fechando então as estações de metrô Minas Shopping (proposta mantida por ele) e Vilarinho (sugestão nossa), além das imediações do terminal rodoviário. Nesse contato telefônico, novamente colocamos nossas condições e, em relação à divulgação, ficou ACORDADO que não haveria, nos locais de realização das intervenções, NENHUMA FORMA DE DIVULGAÇÃO do FIT ou da ação em si: banners, spots etc. Em relação ao horário, Barroso informou da necessidade de oferecer ao público as informações, mas ficou de estudar uma alternativa – a colocação na grade do período de ocorrência das ações (fim da tarde, horário de almoço) – para a qual nos daria retorno. No dia 12 de julho, mais de um mês depois de nosso primeiro contato e sem que tivéssemos obtido, de fato, uma resposta satisfatória da FMC, recebemos outra comunicação sumária, já definindo os horários de apresentação e, em seguida, a carta de oficialização de nossa participação no FIT, assinada por Barroso.&lt;br /&gt;Na primeira semana de agosto, fizemos uma visita técnica aos locais de realização da intervenção e, já no primeiro local visitado, a Estação de Metrô Vilarinho, fomos informados de que o FIT não havia enviado notificação de qualquer atividade no local, mesma informação obtida mais à frente, na Estação Minas Shopping. Somente o terminal rodoviário tinha sido comunicado de nossa atividade e somente nele tínhamos sala de apoio. Nessa visita, nosso produtor negociou diretamente com o metrô a liberação das catracas e pontos de apoio, necessidades que a produção do FIT havia afirmado não ter conseguido resolver, tendo nos informado que teríamos de arcar com os tickets necessários à realização da intervenção. Enviamos no dia seguinte um email a Ana Jardim, informando-a das nossas conversas e das negociações firmadas pelo nosso produtor, além do plano de desenvolvimento da ação.&lt;br /&gt;No dia 10 de agosto, demos início às nossas intervenções e já nos deparamos com o descaso e a má vontade da equipe de produção que, sem entendimento do trabalho, pressionou o encaminhamento da intervenção para o local onde, pasmem! estava todo aparato de evento que, segundo o ACORDO FIRMADO COM RODRIGO BARROSO, precisamente NÃO DEVERIA ESTAR LÁ: banner, controle de público e presença de pesquisador/entrevistador durante a realização da intervenção. Questionado sobre a presença do banner, o produtor respondeu: “se não gostam de divulgação, porque estão em um festival?”&lt;br /&gt;Nesse momento tivemos a real dimensão do quão despreparadas estavam as pessoas que assumiram nossa produção. Ao longo da intervenção, fomos insistentemente abordados pela coordenação do metrô, pois a ORGANIZAÇÃO DO FIT AINDA NÃO HAVIA COMUNICADO A REALIZAÇÃO DO EVENTO AO METRÔ. Insistentemente tentamos que os produtores presentes assumissem o controle e resolução da situação, mas isso não ocorreu. Eles apenas assistiam nosso produtor se esmerar para permitir que nossa ação se realizasse assim como havia saído na programação, mas não como tinha sido selecionada para acontecer.&lt;br /&gt;Após o término, deixamos clara a necessidade de falarmos com eles, mas os produtores simplesmente se esconderam, sem oferecer água, lanche e sem, sequer, nos informar onde o transporte nos aguardava. Indignados com o rumo que as coisas estavam tomando, entramos em contato com a produção por telefone e por email, para informar de não havia a possibilidade de executar nossa ação nas condições do primeiro dia e solicitando reunião para reorganizarmos o trabalho, mas, uma vez mais, não obtivemos retorno.&lt;br /&gt;No dia 11/08, novamente o amadorismo e má-vontade da produção se mostraram: para o transporte dos materiais e do pessoal ao terminal rodoviário, foi enviada um van completamente cheia de bancos, adequada ao transporte de um grupo grande de pessoas sem bagagem. Dividimos o transporte com o carro de uma das integrantes da ação e nos dirigimos ao local, onde verificamos que a sala de apoio estava sem condições mínimas de uso: suja, sem água, luz ou lanche. Verificamos também que os produtores, designados para nos auxiliar, estavam, ao invés disso, “vigiando” o banner afixado na entrada da rodoviária, enquanto nosso produtor providenciava, junto aos funcionários do terminal, as soluções para nossas necessidades. Chamamos novamente a produção para uma conversa em relação às condições negociadas para as nossas apresentações e obtivemos o seguinte retorno: “Caso vocês não façam nestas condições, a FMC suspenderá o pagamento do cachê”.&lt;br /&gt;Indignados com o absurdo da situação e percebendo que com a produção não conseguiríamos resolver nada, novamente apelamos para as redes sociais e deixamos uma mensagem no Facebook de Barroso. Diferentemente da primeira vez, quando obtivemos um pronto retorno, ficamos sem resposta. Como também ficaram sem resposta os telefonemas e recados deixados na secretária eletrônica do referido coordenador. Fizemos uma reunião e resolvemos, apesar de todo o desrespeito e desconsideração por parte da organização do FIT, cumprir nossa parte no acordo até o fim e realizar a última intervenção.&lt;br /&gt;No dia seguinte, ao iniciarmos nosso percurso em direção à estação Minas Shopping, recebemos um telefonema da produtora Ana Jardim informando que a intervenção não poderia ser realizada na Estação, devendo ser realizada na rua. Diante da nossa recusa, ela, aos berros, nos ameaça novamente com o não pagamento.&lt;br /&gt;Demos prosseguimento à ação – conforme programação do próprio FIT e plano de ocupação traçado e comunicado à produção do evento – e chegamos à estação Minas Shopping, onde um aglomerado de pessoas aguardava. Como o FIT não havia comunicado à chefia do Metrô a realização do evento, nem havia solicitado a liberação para uso do espaço, começamos a ser pressionadas, por funcionários da CBTU, a nos retirar do local.&lt;br /&gt;No melhor estilo Kafka, ao coro do metrô se juntaram os produtores do FIT que, eximindo-se da própria responsabilidade, pedem nossa retirada. Diante de nossa reiterada recusa, informam que estamos, então, por nossa própria conta e risco.&lt;br /&gt;Sob clima tenso, a intervenção prossegue até ser interrompida por um funcionário da CBTU. Com o protesto do público presente, a confusão se instala e exigimos, então, um esclarecimento por parte da produção. A produção alega que NÓS não temos autorização para realizar a intervenção no lugar, esquecendo-se de que a LIBERAÇÃO DO ESPAÇO constante na programação é RESPONSABILIDADE do FIT. Diante da evidente incompetência, irresponsabilidade e despreparo da organização do evento, o público se junta às performers numa ação de intervenção pela cultura de BH, deitando-se no chão e deixando as marcas de seus corpos e os escritos de seus protestos marcados a giz.&lt;br /&gt;Ao final de tudo, com o circo armado e os fatos escancarados, recebemos, finalmente, um comunicado da FMC que, agora, se digna a falar conosco: a coordenadora Solanda oferece, entre pedidos de desculpas e esperanças de que não fiquemos tristes com o Festival, uma nova apresentação para sanar nossos transtornos.&lt;br /&gt;Não, FMC. Não queremos panos quentes nem douração de pílulas. Mais do que “tristes com o FIT” estamos INDIGNADOS. Não queremos uma apresentação extra, quando tínhamos três em que poderíamos realizar perfeitamente o nosso trabalho.&lt;br /&gt;QUEREMOS RESPEITO, DIÁLOGO, CONSIDERAÇÃO. QUEREMOS SEMINÁRIO DE AVALIAÇÃO NÃO SÓ DO FIT, MAS DAS POLÍTICAS CULTURAIS IMPLEMENTADAS POR ESSA GESTÃO. E, por último, queremos lembrar que não há luta sem ranger de dentes. Lembrar que as pessoas não sorriem quando estão sendo massacradas, desrespeitadas, manipuladas. Elas gritam, elas berram, elas lutam bravamente. Não esperem de nós atitudes menos combativas.&lt;br /&gt;Fraternalmente,&lt;br /&gt;Obscena&lt;br /&gt;Agrupamento Independente de Pesquisa Cênica&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-1247286476421932285?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/1247286476421932285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=1247286476421932285' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/1247286476421932285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/1247286476421932285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/08/nem-tao-bonecas-carta-obscena.html' title='NEM TÃO BONECAS: CARTA OBSCENA'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TG1XGKgkfZI/AAAAAAAAAVI/S096p3eIHU8/s72-c/DSC03251.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-870596613288708670</id><published>2010-07-23T12:09:00.004-03:00</published><updated>2011-04-06T11:03:03.723-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigos e ensaios'/><title type='text'>Perform-ações</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TEmxGsjCWZI/AAAAAAAAAU4/DL-wO86jUc0/s1600/lica+performa%C3%A7%C3%B5es.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TEmxGsjCWZI/AAAAAAAAAU4/DL-wO86jUc0/s320/lica+performa%C3%A7%C3%B5es.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5497119548777847186" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foto: Alexandre de Sena&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível notar, dentro do cenário cultural de Belo Horizonte, um aumento significativo do número de coletivos de arte da cidade: sua proliferação, nos últimos dez anos, é um fenômeno visível, principalmente no campo das artes cênicas (mas não só). Esse não é, evidentemente, um fenômeno restrito ao contexto mineiro. Segundo levantamento realizado pela revista Subtexto (nº4) em 2007 (e mencionado por Fernando Mencarelli, em artigo recente cedido ao Grupo Teatro Invertido para publicação), o número de grupos de teatro no Brasil chega a três mil. Em igual medida, cresce o interesse e a valorização da produção realizada no interior desses coletivos: o surgimento de espaços exclusivamente destinados à criação e circulação da produção, além da manutenção, do chamado “teatro de grupo” em editais de festivais, patrocínios e prêmios do Brasil inteiro parece comprovar isso.&lt;br /&gt;Talvez devido à consolidação de importantes encontros e festivais na área de artes cênicas (como o ECUM, o FIT-BH, o FID, o FITB, a Manifestação Internacional de Performance, o Festival de Performance de BH e o Festival Mundial de Circo) que têm proporcionado acesso não só a novas linguagens, por meio dos espetáculos, mas também a uma formação prática e a uma dimensão reflexiva do fazer artístico; bem como à criação de cursos de graduação em teatro na UFMG e na UFOP, à criação de importantes centros culturais, como o Galpão Cine Horto, do Grupo Galpão, e à proliferação de sedes descentralizadas de grupos – que têm propiciado não só o surgimento e a consolidação de redes de trocas/diálogos sobre a criação e a reflexão sobre a arte, mas também a ocupação artística em outros espaços/regiões da cidade, além do desenvolvimento de projetos que acabam por gerar novas agrupações – isso parece acontecer, em solo mineiro, de maneira especialmente fértil.&lt;br /&gt;Segundo Rosyane Trotta, na análise que faz do mapeamento realizado pela Subtexto (em artigo publicado no número seguinte da revista), o número de grupos, em Minas Gerais, é de cerca de 250. O levantamento, como a própria revista explicita, é um tanto precário, tendo sido feito, segundo Trotta, por articulistas de diversas regiões do país a partir de critérios tão distintos quanto “realizar teatro de pesquisa” ou “organizar-se como agrupação cultural”. Ela ressalta que, no estado de Minas Gerais, há um forte movimento teatral capitaneado pelos grupos, o que permite fazer um levantamento a partir de balizas como filiação a movimentos ou entidades representativas, mas mesmo esses dados, a nosso ver, seriam imprecisos em relação a um expressivo número de coletivos que não se inserem nesses parâmetros.&lt;br /&gt;Apesar da precariedade do levantamento feito pela Subtexto (sem instrumentos de pesquisa mais rigorosos, e dados, nesse sentido, mais concretos, a revista pode somente tecer um panorama algo impreciso, um esboço da realidade dos grupos no Brasil) e atender a critérios muito diversos, inclusive do que sejam os grupos de teatro, é possível vislumbrar alguns aspectos da arte produzida no interior de coletivos de criação. André Carreira, no artigo que abre a Subtexto nº4, levanta alguns critérios para orientar essa definição: para ele, uma característica comum dos grupos de teatro seria a busca de um trabalho criativo autônomo, não sujeito às leis de mercado ou da indústria cultural. Outras características seriam a duração dos projetos e a manutenção de equipes estáveis, o que implica em continuidade do trabalho realizado por essas agrupações. Este, muitas vezes, extrapola o âmbito artístico e atinge o âmbito social, em consonância com aquilo que parece ser mais uma das características dos coletivos: a necessidade de atuar em projetos sociais, principalmente ligados a setores menos privilegiados, e constituir seu espaço político.&lt;br /&gt;A percepção de uma atuação política e social como intrinsecamente relacionada à atuação artística parece ser constituinte dos coletivos em arte. É interessante perceber, no entanto, que muitos dessas agrupações (pelo menos em Belo Horizonte), embora atuem política e artisticamente, não cabem dentro da denominação “grupos de teatro”: muitas delas propõem outras formas de organização coletiva – como redes de colaboração, agrupamentos independentes etc. – ou investigam linguagens que extrapolam, em muito, o que chamaríamos de “teatro”, transitando nas fronteiras entre as artes cênicas e as artes plásticas, entre a performance, a instalação e a intervenção urbana. Alguns desses coletivos vão, inclusive, propor formas de ação que ultrapassam limites espaciais e autorais – como a disseminação de projetos de performance, via internet, para ser realizados por outros agrupamentos em outras cidades/estados – e que colocam em discussão as relações entre o público e o privado e a noção de obra de arte.&lt;br /&gt;Ações mais comuns no campo das artes visuais (como a distribuição que o Poro – www.poro.redezero.org – faz de azulejos de papel para que as pessoas preguem onde e como quiserem, ou as trocas que ocorrem via PIA – Programa de Interferência Ambiental, só para mencionar algumas), esses procedimentos começam a contaminar o campo das artes cênicas, como é perceptível na forma de organização proposta, por exemplo, pelo Obscena (só para citar um que, como participante, conheço de perto) que, conscientemente, rejeita a denominação de “grupo” e busca se diferenciar deste, ao se auto denominar como um “agrupamento independente de pesquisa cênica” que “funciona como uma rede colaborativa de criação e investigação teórico-prática sobre a cena contemporânea” (definição presente em seu site: www.obscenica.ning.com).&lt;br /&gt;Exemplo de uma organização coletiva que não se encaixa, em ambos os sentidos (tanto na forma de sua organização, quanto em relação às linguagens que pesquisa), na denominação de “grupo de teatro”, o Obscena, apesar disso, tem muitas de suas características (talvez porque, em sua formação, o agrupamento seja composto, em sua maioria, por artistas oriundos de grupos de teatro, com experiência e formação em grupo), como a defesa da autonomia de criação e a continuidade no trabalho de pesquisa, além da atuação junto a determinados segmentos sociais. Na prática, isso significa que o agrupamento, constituído como uma rede de pesquisadores autônomos que dialogam suas pesquisas e materiais, de modo colaborativo, busca “instigar a troca, a provocação e a experimentação artísticas, além de encontros e possibilidades de expansão da rede com outros artistas, órgãos e movimentos sociais de interesse”.&lt;br /&gt;Essa parece ser uma característica dessas novas formas de agrupações: a mobilidade das redes. Diferentemente dos grupos de teatro, os quais parecem ter um caráter mais “fechado” ou, até mesmo, “familiar”, esses coletivos buscam conexões que poderíamos chamar de “rizomáticas” (no sentido deleuziano), o que inclui a mobilidade de seus membros e a porosidade das relações com outras redes, mas também a ampliação de suas relações/trocas e a divulgação de seu pensamento, inclusive via internet, sendo comuns, em seus blogs, postagens que tanto relatam experiências realizadas, como propõem ações a serem feitas, disseminam imagens, constroem propostas e apontam vias teóricas. O que parece ser outra de suas características: o interesse em um aprofundamento teórico, inclusive do próprio trabalho, propiciando a reflexão crítica e a sistematização de procedimentos e de resultados. Interesse aliado à sua atuação política: há, aqui, uma idéia de “desautoria” e de coletivização dos saberes.&lt;br /&gt;Essa idéia também se manifesta na desconstrução da noção de representação, presente na investigação artística de uma boa parte desses agrupamentos: a desconstrução da noção de obra de arte como algo acabado e entregue para ser fruído ao espectador, pois parece ser ambição de uma boa parte desses agrupamentos, criar “pensamento e zonas de interrupção no cotidiano da cidade e na percepção do cidadão através do ato artístico”, conforme explicita o Obscena em seu programa. Posso citar, além dele, Os Conectores, Conjunto Vazio (www.conjuntovazio.wordpress.com), Zona de Interferência (www.zonadeinterferencia.com), Vago e N3Ps como exemplos de outras agrupações rizomáticas contemporâneas presentes no campo das artes cênicas de Belo Horizonte.&lt;br /&gt;Recentemente, o Obscena participou do Performações, interessantíssimo encontro de artistas performadores que, embora contando com a participação de um coletivo e tendo sido proposto por outro – o Zona de Interferência, como contrapartida da ocupação realizada por ele dentro do projeto Cenário, do Centro Cultural da UFMG – não teve como cerne da discussão a forma de agrupação, mas as possibilidades de atuação política da arte, especificamente no campo da performance (o Performações contou, ainda, com a presença dos performers Maurício Leonard e Paulo Nazareth e, como mediadora, com a pesquisadora e curadora do Festival de Performance de BH, Denise Pedron).&lt;br /&gt;Muito me impressionou que, em uma noite de sábado, em plena copa do mundo de futebol, tantas pessoas estivessem interessadas (a sala estava cheia) em discutir as possibilidades políticas da arte (“será que temos conseguido fazer uma arte pública, política, urbana?”) nos “espaços esvaziados da vida pública nossa de cada dia”, nos espaços “privatizados, fechados, impermeáveis às diferenças” (essas foram algumas das provocações lançadas pelo Zona de Interferência aos artistas convidados).&lt;br /&gt;Foi interessante perceber que, muitas das discussões – e ações – sobre as possibilidades políticas da arte (de forma alguma exclusivas dos coletivos) podem ser realizadas no campo da forma, re-discutindo-se o conceito de representação e a noção de espetáculo, constituindo-se, muitas vezes, no plano do estranhamento mais do que em uma configuração de teatralidade e, assim, criando frestas para uma ação microscópica, criando pontes para a ação do cidadão, antes “espectador” (é possível falar de público?), para uma ação que poderíamos denominar como coletiva e colaborativa. Cito, como exemplo, o trabalho Trajeto para Hélio ou uma coreoHeliogeografia, do também arquiteto Maurício Leonard (que fez, nessa noite, uma apresentação fotográfica de sua intervenção). Para isso, cito a descrição feita por Davi Pantuzza:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o próprio Maurício, a intervenção parte de uma imbricação entre geografia, biologia e biografia. Ela consistiu em espalhar sementes de Girassol pelos canteiros e jardins de um bairro da cidade com pequenas etiquetas colocadas na terra ou nos brotos anunciando que ali havia Girassóis brotando e pedindo para que as pessoas cuidassem. Depois que os Girassóis cresceram, iniciou-se a criação de diversas lendas e histórias das pessoas que tentavam dar um sentido para a existência daqueles Girassóis que, misteriosamente, cresciam em frente às suas casas ou em seus jardins particulares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A intervenção parece se concretizar, de fato, a partir das ações realizadas pelo conjunto dos moradores do bairro, não só ao cuidar das mudas, mas também ao constituir uma espécie de tecido de suas narrativas sobre os girassóis. Esse aspecto microscópico e a linha tênue que, na performance, separa (ou alinhava) a arte e a vida – aspecto pontuado por Pedron, ao discutir o conceito de performance – está bastante presente no trabalho proposto por Paulo Nazareth, tanto em seu trajeto pela cidade com o peixe na boca quanto na narrativa de sua artebiografia.&lt;br /&gt;Já para o Obscena, o que sustentou sua ação, nesse dia, foi a possibilidade de exercício concreto de uma rede colaborativa (caráter “público” e/ou coletivo que têm muitas de suas ações performativas), relacionado tanto à abertura (para a intervenção do outro: do cidadão, do “público”) que as ações propõem, como aos cruzamentos que ocorrem no interior mesmo da rede colaborativa que é o agrupamento, nas trocas e diálogos de pesquisa entre os artistas que a compõem. A partir das provocações lançadas pelo Zona de Interferência (e em consonância com os experimentos cênicos que o agrupamento vem investigando, desde março de 2007, em espaços públicos e com intensa atividade urbana da cidade), foram realizadas, de quatro às seis da tarde, nas imediações do CCUFMG, algumas intervenções:&lt;br /&gt;1. Reperformando Moacir ou ovacione seu país. Reconvocando uma ação de interrupção (conforme a discussão de Lehmann, no epílogo do Teatro pós-dramático, sobre as possibilidades políticas da cena contemporânea) proposta pelo pesquisador Moacir Prudêncio nos inícios dos trabalhos do Obscena, essa intervenção consistiu em pregar bandeiras do Brasil que continham, em seu amarelo gema, a inscrição: “ovacione seu país” e colocar abaixo da bandeira uma caixinha com ovos crus. Foi realizada por mim e Saulo Salomão, nas imediações da arena de comemorações da copa, em “homenagem” ao nosso país, à seleção brasileira e aos decretos de controle e proibição do uso de espaços públicos pelo prefeito Márcio Lacerda: queríamos ver se alguém usaria os ovos para “ovacionar” a bandeira, mas isso não aconteceu. Alguns ovos foram levados por transeuntes. Evidentemente para serem consumidos.&lt;br /&gt;2. Filas para o nada ou Fila de artistas aguarda liberação para utilização da praça pelo povo sem pagar aluguel. Proposta de Clóvis Domingos, instigado ao pensar na conformação dos corpos tiranizados pelas regras sociais e pelos ditames de uma sociedade consumista, as filas para o nada propõem a construção de filas que não sirvam a um fim: pegar o ônibus, pagar as contas, comprar ingresso. Realizada, nesse dia, em frente à arena de comemoração da copa (espaço proposto por Joyce Malta, com seu casaco amarelo gema), no local de atravessar a rua, a fila foi engrossada por transeuntes, atrapalhou o trânsito e causou ruídos em relação às regras de funcionamento da cidade (para muitas pessoas, tão acostumadas às filas, ela só podia ser um índice de que tinha sido instalado um novo sistema para atravessar a rua).&lt;br /&gt;3. Mulher painel ou mulher não é bola de futebol.  Continuação da investigação sobre o feminino que, desde 2007, eu e a atriz Lissandra Guimarães realizamos, a mulher painel junta, a um experimento anterior (já testado na praça sete em dia de Marcha Mundial das Mulheres) o desejo de testar novas possibilidades com o plástico, em nossas ações: o plástico que aceita qualquer forma e a tudo se molda (agradeço ao professor Ricardo Carvalho, da UFMG, por me enviar instigante dissertação de mestrado sobre a educação de meninas e o modelo Barbie). O experimento – que já consistia em cobrir o corpo de uma mulher com notícias de jornal, propagandas, fotos de revistas, relacionando estatísticas e dados da violência contra a mulher, à exposição corporal excessiva, imposta pela mídia, à reprodução de clichês corporais e imagens do feminino – ganhou, com a aquisição do plástico, em dinâmica e em “plasticidade” de formas. Conseguimos criar formas, quase roupas, a partir dos jornais: com um cone na cabeça, uma saia jornal e peitos de silicone-papel, Lissandra se configurava híbrida: algo entre o humano e o vazio, um manequim meio carne meio objeto. Muito interessante o que ela conseguiu provocar ao se postar em frente ao telão que passava o jogo EUAxGANA (nos homens, em sua maioria bêbados, que assistiam), ao circular pela arena, ao se postar ao lado das bandeiras de ovacione.  As formas corporais que criou, ao se colocar disponível à leitura, como um verdadeiro painel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, para finalizar esse breve ensaio sobre Perform-ações, gostaria de destacar algo que, particularmente, me chamou a atenção por seu caráter de acontecimento, algo gerado por uma ruptura da linha que separa o artista do público, que separa “o que faz” daquele “que assiste” e que foi proporcionado pela ação de duas meninas (entre 7 e 9 anos, circulavam absolutamente sozinhas pela praça): ao me verem colocar mais uma notícia no corpo de Lissandra e enrolar seus braços com filme plástico, as meninas (Carina e Taís) ficaram absolutamente tomadas pela idéia de parecer-se com ela, de reproduzir, no próprio corpo, aquela imagem. Uma, Carina, me pediu para que eu a vestisse assim também, com a roupa de papel, os braços de plástico. Na menina, não tive coragem (nem vontade) de pregar nenhum dos materiais que eu trazia, a não ser as tarjetas escritas com “URGENTE” (que espalhei por todo o seu corpo) e uma bandeira do Brasil (que ela solicitou) e que preguei em seu ventre. Atravessadas pela imagem, agregaram-se a ela, seguindo a mulher painel em suas derivas pela praça. Em dado momento, ambas as meninas (Carina já sem a roupa de papel e plástico) pegaram alguns dos ovos (restos da primeira ação a causar outras possibilidades) e criaram um jogo constante de perigo para a performer: constantemente sob a ameaça de ser ela, e não a bandeira, ovacionada.&lt;br /&gt;Referências&lt;br /&gt;CARREIRA, André. Teatro de Grupo: diversidade e renovação do teatro no Brasil IN: Subtexto (revista de teatro do Galpão Cine Horto) nº4. Belo Horizonte: edição independente, novembro de 2007.&lt;br /&gt;TROTTA, Rosyane. Grupos de teatro no Brasil: convergências e divergências IN: Subtexto (revista de teatro do Galpão Cine Horto) nº 5. Belo Horizonte: Edições CPMT, dezembro de 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;www.davipantuzza.blogspot.com&lt;br /&gt;www.obscenica.blogspot.com&lt;br /&gt;www.obscenica.ning.com&lt;br /&gt;www.poro.redezero.org.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(publicado originalmente no portal Primeiro sinal, do Galpão Cine Horto: www.primeirosinal.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-870596613288708670?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/870596613288708670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=870596613288708670' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/870596613288708670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/870596613288708670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/07/foto-alexandre-de-sena-e-possivel-notar.html' title='Perform-ações'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/TEmxGsjCWZI/AAAAAAAAAU4/DL-wO86jUc0/s72-c/lica+performa%C3%A7%C3%B5es.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-8332519798889578632</id><published>2010-04-05T15:10:00.005-03:00</published><updated>2011-04-06T13:55:28.299-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='críticas de espetáculos'/><title type='text'>Mulheres à beira: uma leitura de Elisabeth está atrasada</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S7oorUGCiOI/AAAAAAAAAUE/2sxVej2fxjs/s1600/patr%C3%ADcia.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S7oorUGCiOI/AAAAAAAAAUE/2sxVej2fxjs/s320/patr%C3%ADcia.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5456718623106304226" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mulher, de camisola e &lt;em&gt;pegnoir&lt;/em&gt; (ainda se usa esse termo?), está sentada a uma mesa. Ela recorta e picota páginas de uma revista enquanto o público entra. Estamos em uma segunda-feira de março, dia inusitado para se ir ao teatro. Apesar disso, a platéia está cheia. Atrás de mim, duas mulheres falam sem parar, talvez incomodadas por essa ação fora do tempo. Afinal, o espetáculo ainda não começou... Ou já? A mulher – com um cortador de papel – picota no ritmo da música meio bolero meio tango que soa. Aliás, a música aqui será muito importante. Por vezes, seus gestos se tornam furiosos. A música termina. O palco escurece.&lt;br /&gt;De uma geladeira – no fundo, à direita do palco – sai Norma, que faz espuma com uma batedeira enquanto, em off, soam versos: “tu me quieres blanca...”. Os versos acabam e a batedeira é desligada. Ela se anuncia: várias em uma, vilãs de contos de fadas, arquétipo da esposa que já foi princesa um dia.&lt;br /&gt;À esquerda, uma porta se abre e dela sai Rita: loira, de salto, corpete e liga. De costas para a platéia, maleta na mão, rosquinha no dedo indicador, ela se olha no espelho e coloca sua carta no jogo. Ela é a cobiçada, a mulher padrão. Para isso vomita e emagrece. E até descolore os seus cabelos. Para se tornar mais padrão.&lt;br /&gt;À direita, outra porta se abre e sai Gigita que, de tailleur e com um inacreditável penteado para o alto, se anuncia: ela é a mulher que não se casou, que usa pílula. Ela não se mira no exemplo das mulheres de Atenas, no entanto não queima soutiens: afinal, é artigo de luxo, absolutamente caro.&lt;br /&gt;O foco volta ao centro do palco, onde a mulher que picotava revistas está sentada. Agora é a vez de Teresa: mulher comum, de classe média, ela esconde um segredo e parece deprimida. Ela toma remédios para agüentar o dia e será dela um dos momentos mais pungentes da peça.&lt;br /&gt;Os avatares estão colocados. &lt;em&gt;Elisabeth está atrasada&lt;/em&gt;, montagem da Primeira Campainha, traz em cena quatro ótimas atrizes: quem assistiu &lt;em&gt;Quando o peixe salta&lt;/em&gt; (Oficinão Galpão Cine Horto 2006), &lt;em&gt;Pindorama 171&lt;/em&gt; (Cena curta que estreou o projeto Cena Espetáculo em 2009) ou a cena curta &lt;em&gt;&lt;em&gt;Sobre dinossauros, galinhas e dragões&lt;/em&gt;&lt;/em&gt; (Festival de Cenas Curtas de 2008), já as viu em ação. Aqui, em &lt;em&gt;Elisabeth&lt;/em&gt;, elas jogam dentro de um universo quase almodovariano.&lt;br /&gt;Regra n° 1: os dados já foram jogados. O café já está na mesa. Crônica estabelecida.&lt;br /&gt;Regra n° 2: uma proposta de leitura e uma confissão para cada uma. Uma de cada vez.&lt;br /&gt;Regra n° 3: se é a sua primeira vez no clube do livro: você tem que chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo o RPG (&lt;em&gt;role playing game&lt;/em&gt;) como ponto de partida para a criação, a montagem tem como ambiente de jogo uma sessão de chá/terapia/clube do livro e traz diversas referências pop, como o já mencionado cinema de Almodóvar e as canções de Abba e Queen (impagável a cena da banda de eletrodomésticos – ao som de &lt;em&gt;Bohemian Rapsody&lt;/em&gt; – ao final da qual a vassoura é quebrada e queimada). Recheada de citações (muitas delas ligadas à psicanálise), a dramaturgia joga com o distanciamento e o sarcasmo, principalmente nas citações diretas, como as da jogadora/personagem Gigita ou do mestre do jogo que, por meio de trechos sobre a psicologia feminina, organiza a mediação das disputas/relações e dos diálogos que ocorrem entre elas. Apesar disso, na peça o masculino será um mero acessório.&lt;br /&gt;A montagem, de concepção colaborativa, tem algo de inusitado e provocativo, quase subversivo, que já se encontrava presente nos trabalhos anteriores. Beirando o absurdo, quase carnavalesca, a peça coloca, de maneira crítica, algumas questões prementes do nosso tempo: a tirania do corpo, o papel social da mulher, as relações humanas. O que está em pauta, é o feminino. Em um jogo quase coreográfico, as mulheres vão desfilando suas questões e desenrolando situações, que vão do cômico ao pungente. A cena da confissão de Teresa é dotada de uma profundidade e emoção que exigem da atriz – Marina Arthuzzi, que também assina a direção – bastante sobriedade no tratamento. Não à toa, ela foi indicada como melhor atriz ao Prêmio SESC/SATED. &lt;em&gt;Elisabeth está atrasada&lt;/em&gt; é uma ácida e deliciosa tragicomédia, absolutamente conectada ao pulso da contemporaneidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-8332519798889578632?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/8332519798889578632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=8332519798889578632' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/8332519798889578632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/8332519798889578632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/04/mulheres-beira-uma-leitura-de-elisabeth.html' title='Mulheres à beira: uma leitura de Elisabeth está atrasada'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S7oorUGCiOI/AAAAAAAAAUE/2sxVej2fxjs/s72-c/patr%C3%ADcia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-2379203247419646494</id><published>2010-03-27T10:20:00.004-03:00</published><updated>2011-04-06T13:55:46.632-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='baby dolls'/><title type='text'>dia internacional da mulher</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64G5dwQ7QI/AAAAAAAAAT8/GkJ8hV3iWZk/s1600/DSC07632.JPG"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64G5dwQ7QI/AAAAAAAAAT8/GkJ8hV3iWZk/s320/DSC07632.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5453303783101623554" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;08 de março de 2010. 100 anos do dia internacional da mulher...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no último dia 08, fizemos mais uma intervenção de baby dolls na praça 7. do outro lado da avenida, no outro quarteirão, as companheiras da Marcha Mundial das Mulheres faziam sua caminhada/protesto. policiais da tropa de choque espalhados por toda a praça, prontos para conter o bando subversivo e perigoso das mulheres.&lt;br /&gt;do nosso lado, vários deles se postavam em torno da macdonald´s, como a protegê-la... ai, ai...&lt;br /&gt;não é à toa que a marcha associa o machismo ao capitalismo, estão completamente interligados. a proteção policial ilustra bem essa ligação.&lt;br /&gt;como ilustram as propagandas e promoções que lotam não só esse dia, mas o mês da mulher porque, afinal de contas, "um dia só é pouco" para nos homenagear...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"toda mulher é cheia de desejos. a Suggar faz tudo para atendê-los." e vemos o desenho de uma mulher sorridente, cercada por balõezinhos de pensamentos (seus desejos) preenchidos por modernos eletrodomésticos... o que mais uma mulher desejaria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"dia internacional da mulher: participe e concorra a um dia inesquecível no spa one day"... claro, além de eletrodomésticos modernos, um dia inteirinho de cuidados com a beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;promoção seda:"concorra a sapatos, vestidos e a consultoria de..." promoção do twitter: "participe e ganhe uma bolsa!"&lt;br /&gt;e por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao ligarmos a televisão, vemos, predominantemente, a mulher em dois papéis: a gostosa da cerveja e a limpadora de casa, cuidadora do lar... e dá-lhe gleidy sachê, veja multiuso, repelente de inseto... e dá-lhe cuidar do maridinho, da família e do lar...&lt;br /&gt;segundo a antropóloga mirian goldenberg, no brasil ainda a figura masculina é super valorizada, fazendo com que a mulher, para se valorizar, recorra ao "capital marital", termo que ela cunhou para designar o marido conquistado e exibido como um troféu. afinal, que adianta eu ser profissional reconhecida, qualificada e respeitada, se não tiver um marido provando que, apesar disso, eu continuo a ser mulher, feminina, delicada e dedicada ao lar?&lt;br /&gt;enquanto isso, islaines continuam a ser assassinadas por seus capitais maritais que, em contrapartida, não as valorizam.&lt;br /&gt;já repararam que um homem, por pior que esteja (como bem destacou a lissandra durante a intervenção realizada no último sábado, na mesma praça, ao ser abordada por um sujeito em condições pessoais precárias), ainda se sente superior a qualquer mulher e a aborda do alto de sua arrogância?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;afinal de contas, como diria uma garota de programa que anuncia nos classificados, nós engolimos tudo, sem frescura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-2379203247419646494?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/2379203247419646494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=2379203247419646494' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/2379203247419646494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/2379203247419646494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2010/03/dia-internacional-da-mulher.html' title='dia internacional da mulher'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64G5dwQ7QI/AAAAAAAAAT8/GkJ8hV3iWZk/s72-c/DSC07632.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-4775864692433665617</id><published>2009-12-30T23:01:00.003-02:00</published><updated>2011-04-06T13:56:07.475-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigos e ensaios'/><title type='text'>uma escrita performada</title><content type='html'>&lt;em&gt;"somos incontornáveis e irreversíveis" (hosana. marcha mundial das mulheres)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;À luz dos conceitos de performance e performatividade, abordados ao longo da disciplina Teoria e Prática do Teatro: além dos limites, pretendo discutir os processos de construção do que denomino como escrita performada – a escrita no espaço e no calor da ação – durante as intervenções urbanas de Baby Dolls, uma exposição de bonecas, realizadas pelo Obscena, de outubro de 2008 a novembro deste ano, em Belo Horizonte, São José do Rio Preto e Recife.&lt;br /&gt;O Obscena, agrupamento independente de pesquisa cênica coordenado por mim e pela atriz Lissandra Guimarães, vem, desde março de 2007, pesquisando experimentos cênicos que têm como referência o universo marginal da mulher e que propõem a revisitação e  reterritorização das relações entre o público e o privado e entre o teatro e o espectador, por meio da investigação do corpo/instalação e de uma ação não representacional. A criação se dá em uma rede colaborativa, em que as experimentações se retroalimentam através não só de um diálogo constante entre os pesquisadores envolvidos , mas também por meio da participação do espectador/colaborador. São eixos norteadores do Obscena o work in process, a investigação do conceito de instalação/ocupação de espaços públicos e urbanos, a gramática gestual e verbal da atuação rapsódica e a obra do artista plástico Artur Barrio.&lt;br /&gt;Em 2008, os elementos temáticos e poéticos investigados pelo Obscena durante o desenvolvimento do projeto de pesquisa Às margens do feminino: texturas teatrais da beira (contemplado pelo Fundo de Projetos Culturais da LMIC de Belo Horizonte) geraram, além de mostras processuais e fóruns de discussão, realizados ao longo do ano, experimentos cênicos e performáticos, entre eles a intervenção urbana Baby dolls, uma exposição de bonecas, fruto do diálogo entre minha investigação dramatúrgica e as pesquisas atorais de Lissandra Guimarães, Erica Vilhena e Joyce Malta.&lt;br /&gt;Especificamente no que concerne às minhas questões, investigo, dentro do agrupamento, uma escritura processual da qual o suporte material não é mais a folha de papel, mas o espaço da cidade e o corpo. Ao utilizar o termo “escrita performada”, busco uma diferenciação em relação tanto à noção de escrita performática presente nos estudos da performance quanto àquela presente nos estudos literários.&lt;br /&gt;Para os estudiosos da performance, o termo refere-se, em geral, aos ensaios/críticas/registros, em geral autobiográficos, de performances realizadas, os quais funcionam como uma espécie de arquivo, ainda que busquem trazer à tona novamente “a força afetiva do evento performático”  ao ultrapassar, em certa medida, o registro lingüístico. Para Ravetti (2003: 41), o “transgênero performático privilegia a voz, quer mostrar o movimento, registrar a ação e produzir efeitos de sensações”. Ao contrário do evento performático, no entanto, a escrita performática pressupõe a existência do suporte de papel e o domínio do código alfabético para sua construção. Nesse sentido, muitas vezes, a escrita performática pode vir a servir “como uma estratégia de repúdio e de clausura das práticas corporificadas que proclama descrever” (TAYLOR, 2002: 20).&lt;br /&gt;Para os estudiosos da literatura, a escrita performática está diretamente alinhada à noção de escritura (Barthes) e ao pensamento do texto como produtividade e construção dialógica (Bakhtin, Kristeva). Para Barthes, a noção de escritura vai justamente (como o transgênero performático) ultrapassar (ela também) os limites ao que a literatura (ou o texto literário, pensado dentro de certa tradição) está submetida, pois, para ele, é “bem possível que a literatura (...) realize sua própria destruição para renascer na forma de uma escritura que já não estará exclusivamente ligada ao impresso, mas será constituída por todo trabalho e toda prática de inscrição” (BARTHES, 2004:99).&lt;br /&gt;Nesse sentido, pode-se dizer que, no caso dos estudos literários, existe uma percepção clara das possibilidades de construção de um “texto” diferente daquele produzido pelo escritor, de um texto mental que se projetaria da mente do leitor, ou, em outras palavras, da existência de uma “performance leitora ou narrativas desmaterializadas – duas expressões para nomear o resultado do embate performático entre texto e leitor – suscitadas pela existência de textos literários abertos e dialógicos” (LEAL, 2008: 06). A escrita performática seria, então, uma espécie de encenação “do si mesmo da palavra para um outro”, na qual a palavra, ou seja, o verbo, “se vê movido por um desejo de se deslocar, provisoriamente, da página impressa e de se inscrever (...a partir de uma escrita outra, realizada pelo leitor) na efemeridade performática da tela da consciência, da imaginação do receptor (LEAL, 2008:01).&lt;br /&gt;Nesse caso, não só a literatura é performática – e só o é quando provoca o leitor à produção de outros textos para além dela, isto é, quando é um “texto de fruição”, nos dizeres de Barthes (2004) – como também é performático aquilo que ocorre entre o texto e o leitor.&lt;br /&gt;Para o teatro contemporâneo, a percepção de que o teatro não se caracteriza pelo universo ficcional que veicula – ou seja, pela possibilidade de se “contar uma história”, de “representar o mundo” – mas que ele é, antes de tudo, uma arte da presença, da relação direta entre o ator e o espectador, foi crucial para deslocar a escrita teatral de sua função mimética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia é aceito que a escrita teatral, assim como o teatro em forma encenada, não busca mais mimar a realidade, quer dizer, o texto já não almeja possibilitar a construção de uma camada realista em cena, que narre o mundo de forma representativa. É nesse sen¬tido que podemos falar de uma escrita que vai da representação para presentação, ou, como fala Chevallier, o intuito não é mais o possibi¬litar uma percepção realista do evento teatral, onde a percepção intelectual é mais diretamen¬te acionada, mas sim instigar o olhar sobre a presentação, quando então a percepção senso¬rial se torna mais importante  .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa escrita teatral contemporânea, alguns estudiosos – a partir do conceito de performatividade – denominam como dramaturgia performativa. Para Féral, a performatividade não é uma “propriedade” dos objetos, da ação ou do texto, mas uma dinâmica de relação que investe esses objetos, essa ação ou esse texto performativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tratar um objeto, obra ou produto “como” performance – uma pintura, uma novela, um sapato, ou qualquer outra coisa – significa investigar o que o objeto faz, como ele interage com outros objetos ou seres e como ele se relaciona com outros objetos e seres. Performance existe somente como ação, interações e relações .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a performatividade não é uma qualidade inerente ao objeto performativo, o que, então, a caracterizaria? Em primeiro lugar , seu caráter de acontecimento. Decorrente desse traço, se pode dizer que a performatividade evoca a presença concreta do performer, o que parece implicar em uma noção de risco, tanto para o performer quanto para o espectador. Nesse sentido, podemos dizer que ela se traduz, fundamentalmente, como uma experiência, pois o espectador “longe de buscar um sentido para a imagem, deixa-se levar por esta performatividade em ação. Ele performa” (FÉRAL, 2008: 203). Se, no reino da teatralidade , a obra é pensada como resultado, no reino da performatividade, ela é processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três tapetes. Três nichos de exposição. Três bonecas, monumentos animados das mulheres objetos, convidam os transeuntes a brincar. Mulheres princesas, mulheres noivas, mulheres dóceis. Mulheres mudas. Mas não se engane. Logo, essas bonecas serão mulheres mortas, marcadas a giz no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também processual, Baby Dolls, uma exposição de bonecas discute a “fabricação” do modelo feminino presente na sociedade contemporânea e vem sendo realizada nas ruas e praças de Belo Horizonte desde outubro de 2008, além de já ter sido realizada no FIT São José do Rio Preto, na MIP 2 - Manifestação Internacional da Performance (BH/MG) e no XII Festival Recife do Teatro Nacional . Quando iniciamos o experimento, a proposta era investigar não só das relações entre o meio social e a mulher, mas principalmente as possibilidades cênicas geradas por essas relações vistas a partir de procedimentos de instalação e de ocupação e da investigação de elementos performáticos e dramatúrgicos, os quais visavam à recuperação da instância narrativa do repertório de matérias textuais utilizadas na criação (notícias de jornal, verbetes de dicionário, bulas de remédio, classificados de prostitutas, listas e rol, placas de trânsito, de obra civil e outras marcas de inscrição do ambiente urbano) e também à utilização do espaço público como uma "prática de invasão da cidade. Essa invasão é uma interferência na lógica da cidade, uma intromissão ao uso cotidiano dos espaços" (CARREIRA, 2008: 69).&lt;br /&gt;Durante as intervenções que realizamos em 2008, muitas questões relativas à investigação de uma escritura no espaço da ação acabaram por se impor: quais as possíveis formas de inscrição textual e qual o lugar do “dramaturgo” dentro do acontecimento performático? Como operar a dramaturgia, no calor da ação performativa, entre um fluxo de leitura (espectador) e um de escrita (autor)? O texto, como elemento material, circunscreve/delimita a arquitetura dos fluxos de ações performativas? Em sua tese de doutoramento, Teatro Brasileiro Contemporâneo: um estudo da escritura cênico-dramatúrgica atual, Da Costa inaugura um conceito que lança algumas luzes sobre esses questionamentos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noção de criação cênico-dramatúrgica conjugada se refere ao campo do teatro contemporâneo em que a dramaturgia é construída como script (ou roteiro); muitas vezes como teatralização de textos de outros gêneros literários e discursivos (narrativas de ficção, cartas, diários, relatos de viagem etc.) e se produz em conexão direta com as necessidades, demandas e características específicas de projetos cênicos particulares&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele considera ainda que “o diapasão conceitual da expressão escritura cênico-dramatúrgica conjugada (...) é dado fundamentalmente pelas idéias de processualidade, de interatividade e de simultaneidade de criações entendidas tradicionalmente como seqüenciadas” (DA COSTA, 2003: 16). Nesse sentido, entendo que os roteiros/relatos das intervenções realizadas (como registros/resultantes textuais das experiências de escritura da ação vivenciadas ao longo da pesquisa) poderiam se constituir, tanto como a ação propriamente dita, como escrituras cênico-dramatúrgicas conjugadas, uma vez que tanto a processualidade como a simultaneidade das criações dramatúrgica e cênica tenderam a atenuar, no processo de experimentação e criação, as hierarquias e fronteiras entre o campo literário (“a reflexão dramatúrgica, a criação verbal”) e o trabalho performativo .&lt;br /&gt;No entanto, para além dos roteiros/relatos, gostaria de pensar nos textos produzidos no calor da ação, a partir do repertório de matérias textuais diversas e das dinâmicas relacionais próprias da intervenção. Esses textos, inscritos nas marcas de corpos femininos (também elas uma forma de inscrição) se caracterizariam como escritura cênico-dramatúrgica conjugada? A idéia de projeto, contida nessa noção, parece, de algum modo, contrapor-se ao fluxo da ação que realizamos (e da escritura que dela se depreende) e, nesse sentido, talvez pudéssemos, antes, caracterizá-los como textos escriturais. Para Barthes, são características do texto escritural: amparo num pensamento que não nega a história, mas está além da historicidade; destruições gramaticais de ordem sintática e morfológica (BARTHES, 2006: 13); (re)construções que provocam instabilidade normativa no seio da estrutura escritural, a possibilidade da “perda do sujeito em gozo, a subversão na e pela linguagem”(BARTHES, 1996: 52); re-escritura ou restauração perpétua do texto; a ausência da narrativa linear, fixa, preocupada em explicar uma história com início meio e fim; um prazer ou gozo na leitura que pode ser atópico (BARTHES, 1996: 35), ou seja, não pode ser fixado por nenhuma mentalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que a prancha escova progressiva inteligente jeans da moda o roxo bata pode. Por que o sexo forçado marido namorado um tapinha não dói. Homem faz sexo mulher faz amor lipoaspiração drenagem linfática. Tintura. Depilação epilação hidratação cauterização ballayage plástica botox silicone.&lt;br /&gt;Mulher. Uma obra em construção. Quem é a obra de quem? Não é possível explicar, é necessário construir. Desculpe o transtorno. Estamos trabalhando para você.&lt;br /&gt;Filé. Delícia. Gostosa. Carne de primeira. Gatinha. Cachorra. Cadela. Vaca jaca galinha piranha. Mulher melancia. Mulher da vida. Mulher da zona. Mulher da comédia. Mulher à toa. Mulher. A esposa em relação ao marido. Moça que atingiu a puberdade. Samy. 18 aninhos. Morena gostosa. Safada, sapeca como você gosta. 100% completa. Sexo anal total. 69 gostoso. Foto original sem retoque. Gosto de beijar. Amar. Cuidar. Transar. Mesmo sem vontade. Esquecer. Perdoar. Compreender. Sujeitar. Sacrificar. Esquecer. Esquecer. Embalar. Adestrar. Ensinar. Mesmo sem vontade. Educar. Amamentar. Brincar. Parir. Amar. Limpar. Passar. Jogar no rio. Na privada. Na esquina. Na esquina.&lt;br /&gt;Desculpe o transtorno estamos trabalhando para você. Uma obra em construção. Barbies. Pollys. Princess all globe. Bonecas domesticadas pela TV. Hidratantes. Desodorantes. Perfex. Batom. Antiaderente. Drenagem linfática Jet bronze endermologia com arte é diet light in out enterrada menina de 14 anos encontrada morta e estuprada. Metida. Fodida. Arregaçada. Como você gosta.&lt;br /&gt;Cerveja. Boa. Gostosa. Gelada. Chega de fruta. Homem gosta é de comer carne .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir das questões suscitadas pela investigação em relação ao corpo da mulher – mas também dos objetos do "universo feminino", dos discursos do poder e da polifonia dos cartazes, classificados e notícias que têm nele o seu centro – sua exposição nos espaços públicos da cidade tem se mostrado como acontecimento capaz de provocar olhares e reflexões sobre a construção de uma identidade feminina ainda pautada nos ditames de uma sociedade machista e patriarcal, em que a mulher é colocada como objeto de destruição e consumo.&lt;br /&gt;Ao se instalar objetos e corpos femininos na cidade, também instala-se uma obra em construção.  Como esses elementos cartografam o corpo da cidade? Que tatuagens se inscrevem? Como o espectador-transeunte lê as imagens produzidas e se relaciona com elas? O que sobra dessas presenças no espaço: restos, rastros, memórias? E as impressões dos habitantes que participaram da ação? Quanto tempo dura o efeito e as marcas desta ação no corpo da cidade? O que ela provoca?&lt;br /&gt;Segundo Clóvis Domingos – que acompanhou a intervenção realizada em dezembro de 2008, na Praça Sete, e permaneceu no local para registrar o “depois” da ação – quando deixamos rastros de corpos escritos, cria-se uma CENA e os transeuntes tornam-se espectadores para acompanhar o ACONTECIMENTO. Escutam-se as pessoas: "é gente doida, mulheres que não gostam de homem, mulheres chamando atenção". Para ele, quando as atuantes abandonam o espaço, elas deixam uma "escritura da presença" no mesmo e um fórum de discussões se inicia entre as pessoas que leram o texto grafado no chão. Fala-se de tudo: violência, política, corrupção, o que é ser mulher, a covardia dos homens etc. É ele quem diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo a marcar o tempo e por meia hora a presença escrita no chão causa fatos e conversas. Um debate sobre a violência contra a mulher. Vejo moças vendedoras de ouro debatendo o trabalho com soldados e o melhor, uma moça se torna uma ATUANTE e passa a explicar o que entendeu para eles. Segundo ela, "é preciso ler de baixo para cima..assim se entende o texto. Meu filho, eu sou loira, mas não sou burra..." E na explicação dela, aquela "grafia", quase um objeto escrito, ganha mais VISIBILIDADE e cria interrupções variadas. Todos que param recebem explicações dela sobre o que aconteceu e o que significa tudo aquilo. Ela chega a pisar sobre o texto e fazer daquele "espaço escrito", um espaço cênico atraindo a atenção das pessoas... Depois escuto mulheres relatando que já apanharam de homens e falando da Lei Maria da Penha... O fato é que a obra não cessa de causar reações e debates .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebida a potência absoluta da fenda que produzimos entre as margens do sentido, optamos por realizar a ação mais algumas vezes na Praça Sete e em outros espaços públicos da cidade, buscando sempre lugares de fluxo intenso de pedestres (como a Praça da Rodoviária, as saídas de estações do metrô, proximidades da Praça da Estação). As possibilidades múltiplas de interpretação da nossa ação – “é protesto?” “Isso é alguma propaganda ou pegadinha”, “Ah, é teatro” – levavam os corpos a permanecerem ali, leitores do acontecimento, em busca de significados que permaneceram ocultos. Pois, se o acontecimento não é da ordem do corpo e o discurso está para além do verbal, que texto (escritura) é este que se imprime no corpo da cidade?&lt;br /&gt;Já em 2009, realizamos mais três intervenções na Praça Sete, em 25 de abril, 16 de maio e 05 de junho. Em seguida, começamos o circuito de viagens com o experimento e realizamos, em julho, os festivais de São José do Rio Preto e de Ouro Preto e Mariana. Em agosto, de retorno a Belo Horizonte, realizamos uma intervenção pela MIP2, novamente na Praça Sete e uma segunda, em setembro, na Praça da Estação. Em novembro, partimos para o Recife.&lt;br /&gt;Uma semana em Recife, realizando Baby Dolls pelas regionais da cidade e experimentando, pela primeira vez, realizar o workshop “como se fabrica uma mulher?” exclusivamente para mulheres e com a participação de Joyce e Erica: pela primeira vez friccionando nossos materiais também no resguardo de uma sala.&lt;br /&gt;Em Pernambuco, de janeiro a outubro deste ano, 291 mulheres foram mortas. 95% dos seus agressores foram homens, sendo 70% companheiros ou ex-companheiros, maridos ou ex-maridos, noivos, namorados. 70% destas mulheres foram mortas por homens que diziam amá-las.  Pernambuco é, hoje, um dos estados nos quais mais se mata mulheres no Brasil. No Recife, embora haja 100 mil mulheres a mais que homens, temos a impressão de predominância masculina. As mulheres, não as vemos tanto pelas ruas. Não as vemos tanto pelos bares, desacompanhadas.&lt;br /&gt;Sandra, atriz gaúcha que há seis meses mora em Recife e que foi uma das participantes do workshop, levou, no segundo dia, um cinzeiro e uma lata de cerveja entre os objetos do “universo feminino” que escolheu para realizar o trabalho conosco. Ela relatou que, ao sair do nosso trabalho no dia anterior, resolveu entrar num bar, sozinha, pra tomar uma cerveja e fumar um cigarrro. Era a única mulher do lugar. Uma estrangeira, alienígena. &lt;br /&gt;No Recife, a população que transita livremente é a masculina. Apesar disso (e, talvez, em razão disso mesmo), nunca as mulheres foram tão cúmplices de nós. Lá, a realidade é mais dura. Não é possível fingir que está tudo bem, que somos emancipadas e que o feminismo é um movimento arcaico e obsoleto. Em Recife, não é possível ignorar o machismo e fingir que somos donas de nosso próprio corpo e da nossa vontade. No primeiro dia do workshop, quando realizamos a caminhada performática pelo Recife Antigo, Andala (atriz recifense) se postou numa esquina. Do outro lado, ao meu lado, um grupo de homens a olhava e um dizia: “Aquela ali tá querendo homem. Vou arrumar um pra ela”. Outros ameaçavam colocar moedas no “cofrinho” de Erica que, abaixada, registrava tudo. No Recife, a hipocrisia mineira que permite às mulheres de Belo Horizonte achar, no reverso de narciso, que feio é o que é espelho, não tem solo para grassar.&lt;br /&gt;No entanto lá, como em Belo Horizonte, a potência dessas mulheres unidas desarranja, desconstrói, destrói, desordena. Sentimos essa força na Rua da Imperatriz (na primeira intervenção), quando as mulheres do grupo Loucas de Pedra Lilás aplaudiram Joyce ao vê-la arrancar a peruca loira e revelar seus cachos negros. Sentimos sua força em nossa caminhada performática pelo Centro do Recife Antigo e a sentimos no mercado de Casa Amarela, quando alteramos nossos desenhos e relações, fortalecendo nossas imagens e bagunçando os sentidos de quem transitava por lá (pela primeira vez, senti o impulso real e a cumplicidade necessária – o desejo – daquelas pessoas de compartilhar da escrita. Corpos vazios foram preenchidos por outras mãos armadas de giz). Essa mesma força, senti também na intervenção realizada na Praça da Várzea, quando as mulheres avançaram, tomando posse do giz e dos corpos. Potência Performática.&lt;br /&gt;Realizar uma ação interventiva no cotidiano social, com a perspectiva de provocar uma atitude ativa do espectador diante do acontecimento cênico-performativo. Em uma sociedade em que se multiplicam mulheres comida (mulher melancia, mulher jaca, mulher filé, mulher caviar), em que as mulheres, como propriedades e objetos, são cada vez mais mortas, excomungadas e transformadas em bens de consumo, o transeunte/espectador, sem uma resposta clara e um entendimento imediato do que se passa, é obrigado a parar e interagir com a ação que visa destruir os estereótipos que se reproduzem e desorganizar as imagens dadas.&lt;br /&gt;Entendo essa escrita performada, produzida em processo, como fruto de uma dimensão coletiva e ligada intrinsecamente ao acontecimento, à ação concreta e as relações possíveis entre atuantes e transeuntes/espectadores. A ambigüidade, a pluralidade e a subjetividade encontram espaço propício para desenvolverem e, com isso, renovam-se em movimentos em direção a um fim que é, muitas vezes, o próprio texto. Aqui, a escritura renova-se incessantemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referências Bibliográficas&lt;br /&gt;BARTHES, Roland. Aula. Tradução Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Cultrix, 1996.&lt;br /&gt;________________. Inéditos, I: teoria. Tradução Ivone Castilho Beneditti. São Paulo: Martins Fontes, 2004.&lt;br /&gt;________________. Inéditos, II: crítica. Tradução Ivone Castilho Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 2004.&lt;br /&gt;________________. O prazer do texto. Tradução J. Guinsburg. São Paulo: Perspectiva, 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CARREIRA, André. Teatro de Invasão: redefinindo a ordem da cidade. IN: LIMA, Evelyn F. W. (org.). Espaço e Teatro: do edifício teatral à cidade como palco. Rio de Janeiro: 7 letras, 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DA COSTA FILHO, José. Teatro brasileiro contemporâneo: um estudo da escritura cênico-dramatúrgica atual. 2003.  Tese (Doutorado em Literatura Comparada) – Instituto de Letras, Universidade Estadual do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DA SILVA, Heloisa Marina e BAUMGÄRTEL, Stephan Arnauf. Possíveis processos da escrita teatral contemporânea IN: Revista DAPesquisa, volume 3, número 2 (ago/2008 a jul/2009). CEART/UDESC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FÉRAL, Josette. Por uma poética da performatividade: o teatro performativo. IN: Revista Sala Preta. São Paulo (ECA/USP), 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LEAL, Juliana Helena Gomes. Escrita performática latino-americana contemporânea. Anais do XI Congresso Internacional da ABRALIC: Tessituras, interações, convergências (USP, julho de 2008). Texto disponível em: http://www.abralic.org.br/cong2008/AnaisOnline/simposios/pdf/068/JULIANA_LEAL.pdf&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RAVETTI, Graciela. Performances escritas: o diáfano e o opaco da experiência. IN: HILDEBRANDO, Antônio, NASCIMENTO, Lyslei e ROJO, Sara (org). O corpo em performance: imagem, texto, palavra. Belo Horizonte: NELAP/FALE/UFMG, 2003.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SCHECHNER, Richard. Performance Studies: an introduction. New York &amp;amp; London: Routledge, 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TAYLOR, Diana. Encenando La memória socila: Yuyachkani. IN: RAVETTI, Graciela, ARBEX, Márcia (org.). Performance, exílio, fronteiras: errâncias territoriais e textuais. Belo Horizonte: POSLIT/FALE/UFMG, 2002.&lt;br /&gt;Sites visitados:&lt;br /&gt;www.obscenica.blogspot.com&lt;br /&gt;www.obscenica.ning.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-4775864692433665617?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/4775864692433665617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=4775864692433665617' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/4775864692433665617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/4775864692433665617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2009/12/uma-escrita-performada_30.html' title='uma escrita performada'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-247795469862448145</id><published>2009-11-10T16:58:00.001-02:00</published><updated>2011-04-06T13:57:28.538-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='questões feministas nina'/><title type='text'>a puta da faculdade</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/Svm3sOPrs3I/AAAAAAAAASU/lviQy85ueIc/s1600-h/untitled.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img sr="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/Svm3sOPrs3I/AAAAAAAAASU/lviQy85ueIc/s320/untitled.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;num país em que mulheres se tornam famosas pelo tamanho de suas bundas, em que "cachorras" dançam funk sem calcinha, em que gringo vem fazer "turismo sexual", em que somos ensinadas a sermos burrinhas e gostosas de rosa, muito me admira que justamente uma loira gostosa de rosa seja quase linchada na faculdade porque usava um vestido curto. queria entender o mecanismo medieval de repressão coletiva que lá se deu.&lt;br /&gt;o que, efetivamente, causou tal comoção? o que leva uma "malta" de estudantes de direito (ironicamente) a saltar por cima da lei e resolver decidir pessoalmente suas questões morais?&lt;br /&gt;em uma avalanche quase muçulmânica, pessoas de "ambos os sexos" agrediram verbalmente (só não chegando ao físico porque a moça foi protegida, escondida e escoltada por alguns seres humanos presentes) uma mulher que estava se vestindo de maneira considerada inadequada. por que essa moça tornou-se uma espécie de bode expiatório de todos os pecados? qual a sua "culpa"?&lt;br /&gt;o panorama se agrava se juntarmos ao quadro geral outros acontecimentos: "nas últimas 24 horas, 3 mulheres foram assassinadas em crimes passionais" li em um jornal no último sábado. talvez vocês não saibam, mas tenho a mania mórbida de colecionar notícias de mortes, estupros e outras violências contra mulheres e crianças... enfim.&lt;br /&gt;com isso, tenho na minha cabeça uma noção quase estatística da quantidade de mulheres que são mortas, todos os dias, nesse país. é assustador. é assustador (e meu coração quase parou de medo) o que aconteceu nessa faculdade nesse dia com geisy, a estudante que quase foi linchada por dezenas de pessoas no último fim de semana.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;minha mente vertiginosa não pode deixar de imaginar que não seria exatamente uma surpresa ver, em breve, essa mesma geisy recebendo convites para posar nua... essa mesma geisy, caso tope, se tornando famosa e sendo recebida com sorrisos... não seria mesmo de se espantar (e nada mais causa espanto, como diria uma antiga música dos titãs) que essa mesma loira se tornasse famosa posando nua para uma famosa revista masculina justamente nos corredores da faculdade que a expulsou... e que ela tivesse que ser protegida, escoltada - mas não escondida, com certeza - não porque as pessoas quisessem bater nela. sendo famosa, as pessoas vão quer incomodá-la, invadi-la, possui-la. as pessoas vão querer sua foto, seu toque, seu sorriso, seu autógrafo. as pessoas vão querer se sentir, minimamente ao estar perto dela, que são famosas também. basta um toque de midas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-247795469862448145?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/247795469862448145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=247795469862448145' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/247795469862448145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/247795469862448145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2009/11/puta-da-faculdade.html' title='a puta da faculdade'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/Svm3sOPrs3I/AAAAAAAAASU/lviQy85ueIc/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-876352081107867272</id><published>2009-10-27T22:26:00.001-02:00</published><updated>2011-04-06T13:57:48.413-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigos e ensaios'/><title type='text'>A performance morreu? Antes ela do que eu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:x-small;"&gt;&lt;em&gt;a performance se tornou um modo do artista falar dele mesmo&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:x-small;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:x-small;"&gt;(Josette Féral)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos últimos meses, Belo Horizonte foi cenário de mostras e festivais centrados na apresentação (e discussão) de performances, como a Mostra Internacional Horizontes Urbanos, a MIP 2 – Manifestação Internacional de Performance e o Festival de Performance de BH. A coincidência deste momento com a presença, no Brasil, da professora canadense Josette Féral, teórica especializada no estudo da cena contemporânea e que tem trabalhado com o conceito de teatro performativo, levou-me a levantar a discussão em torno de algumas questões tocadas por ela na série de cursos – &lt;em&gt;Teoria e Prática do Teatro: além dos limites&lt;/em&gt; – que ministrou em agosto último no Programa de Pós-Graduação em Teatro da Escola de Comunicações e Artes da USP.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para Féral, falar de performance, hoje, é fazer a “autópsia” dessa arte. Segundo ela, a performance deixou de ser uma manifestação transgressora – porque uma forma esvaziada de seu caráter ideológico – para se tornar um gênero cênico com características formais específicas a ser manipuladas em favor da expressão do artista. Evidentemente, o que está sendo colocado em questão não é a potência expressiva da performance (não se pretende negar ao artista o “direito” de ter em sua arte um meio de expressão), mas o fato de que a performance, que nascera justamente de um forte questionamento do valor da representação e da arte, assuma aspectos daquilo que, inicialmente, ela mesma colocara em crise. Ou seja, ao que chamamos de performance hoje?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Partindo dos estudos de Schechner (&lt;em&gt;Performance Studies&lt;/em&gt;) e Huyssen para conceituar performance e tentar apontar quais seriam os seus elementos originais, Féral vai afirmar que estes, precisamente, não estão mais presentes nas manifestações performáticas da contemporaneidade. Inclusive o fato de existir festivais ou mostras nos quais se apresentam performances programadas e, muitas vezes, repetidas e repetíveis, já é, para ela, uma demonstração de sua tese, uma vez que a performance é caracterizada, justamente, por seu caráter de acontecimento.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:x-small;"&gt;De fato, no cerne da noção de performance reside uma segunda consideração, a de que as obras performativas não são verdadeiras, nem falsas. Elas simplesmente sobrevêm. “As play acts, performative are not ‘true’ or ‘false’, ‘right’ or ‘wrong’, they happen”, disse Schechner (FÉRAL, 2008: 203).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse caráter “eventual” da performance parece implicar em várias outras questões. Como conseqüência imediata, podemos dizer que há uma recusa de todo elemento ensaiado, de tudo o que possa ser realizado novamente. Se nos remetermos às experiências mais extremistas de performance, ocorridas no anos 70 e 80, vamos perceber, em diversas delas, ações que não podem ser refeitas, como as mutilações presentes nas &lt;em&gt;bodies arts&lt;/em&gt;. Decorrente desse traço, ocorre que a performance parece implicar em uma noção de risco, tanto para o performer quanto para o espectador. Nesse sentido, podemos dizer que ela se traduz, fundamentalmente, como uma experiência, pois o espectador “longe de buscar um sentido para a imagem, deixa-se levar por esta performatividade em ação. Ele performa” (FÉRAL, idem). Além disso, como a performance, em essência, questiona, como já foi dito acima, o valor de representação da obra de arte (nesse sentido, há, nela, uma recusa da &lt;em&gt;mimesis&lt;/em&gt;) e o seu valor como arte, decorre que, resultante desse primeiro traço, há, na performance, pouco interesse em se pensar, historicamente, como gênero. Logo, há pouco interesse no registro, em guardar sua própria memória. A performance afirma, na ausência do traço, do registro, a ausência da obra, daquilo que possa ser comercializado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para Féral, a performance perdeu, hodiernamente, seu valor de experimentação: ela tem uma forma acabada, é repetida, filmada e vendida. Para ela, é característica deste movimento da performance o fato dela, hoje, se preocupar bem menos com o processo (este é escondido do público) e mais com a produção de uma obra acabada: o tempo já não é colocado em questão. Também o corpo – que tinha papel preponderante no início – vai se tornando um elemento como qualquer outro. A imagem vai tomando seu lugar. E, ironicamente, a performance que tinha questionado o uso dos espaços convencionais, a eles retorna: retorna ao palco e à galeria.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa foi, pelo menos, uma parte da configuração das mostras e festivais ocorridos em Belo Horizonte nos últimos meses. Performances – muitas vezes de forma contrária ao seu projeto original – tinham seus tempos, horários e locais de realização determinados pela organização dos eventos, em consonância muito mais com o interesse de seus patrocinadores e apoiadores. Mais do que garantir o caráter de risco da performance – potencializando sua interferência no cotidiano do cidadão e sua ação política – pareceu interessar aos organizadores, de uma maneira geral, garantir o acesso de um público especializado que pudesse fornecer ao evento sua chancela de cultural. Ora, se uma performance se vê restrita a ocupar um espaço determinado não por suas próprias necessidades (de acordo com seu projeto poético), mas por contingências do evento do qual faz parte (o mesmo ocorrendo com seu tempo de apresentação – comprimido em função das necessidades da mostra ou festival de criar um amplo painel ou uma amostragem – e com seu horário), ela se encontra “desinvestida” de todos os elementos que a caracterizam como performance – isto é, como uma manifestação de caráter experimental e eventual – e que a conectam às suas possibilidades políticas. Nesse sentido, o pensamento que rege eventos dessa natureza parecem mais dimensionar a performance no mercado da obra de arte, a qual pode ser “comprada” para ser “exposta” ao público, do que em sua vanguarda.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pensando mais especificamente no teatro do que na performance, Lehmann vai afirmar que, em relação ao teatro pós-dramático (ou performativo, na concepção de Féral), a possibilidade de ação política está relacionada com o seu modo de representação, isto é, na medida em que ele “impõe seu caráter de acontecimento”, em que ele “manifesta a alma do produto morto, o trabalho artístico vivo, para o qual tudo permanece imprevisível e está para ser inventado”. Ou seja, “o teatro é virtualmente político segundo a concepção de sua prática” (LEHMANN, 2007: 414).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabemos que a performatividade não é uma “propriedade” dos objetos, da ação, mas uma dinâmica de relação que investe esses objetos ou essa ação. Ocorre então que, se é necessário, para o teatro, hoje, dar um salto em direção à performatividade, também parece ser necessário, ironicamente, que a performance volte a saltar no escuro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Referências Bibliográficas&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;FÉRAL, Josette. Por uma poética da performatividade: o teatro performativo. IN: Revista Sala Preta. São Paulo (ECA/USP), 2008.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;LEHMANN, Hans-Thies. O Teatro Pós-Dramático. São Paulo: Cosac &amp;amp; Naify, 2007.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;SCHECHNER, Richard. Performance Studies: an introduction. New York &amp;amp; London: Routledge, 2006.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;____________________________. The End of Humanism: writings on performance. New York: Performing Arts Journal Publications, 1982.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-876352081107867272?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/876352081107867272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=876352081107867272' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/876352081107867272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/876352081107867272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2009/10/performance-morreu-antes-ela-do-que-eu.html' title='A performance morreu? Antes ela do que eu'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-2908948750885942150</id><published>2009-06-27T14:38:00.006-03:00</published><updated>2011-04-06T13:58:06.757-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>sem juízo (menção honrosa no Prêmio Off Flip 2009)</title><content type='html'>sem juízo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O despertador toca. 05h15min da manhã. Vai começar tudo de novo. Ela abre o olho. Levanta-se. A roupa pendurada na cadeira. Desde a noite anterior. Tudo organizado. A blusa branca de botões. O sapato preto. Tudo organizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Loira. Vinte e oito anos. Nem bonita nem feia. Secretária. Eu gostaria que a senhora me fizesse um pequeno relato sobre o caso.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sempre pegava o metrô às 06h20min. Sempre. Mas hoje alguma coisa saiu errada. Alguma coisa aconteceu. Entre as 05h15min, quando despertou, e o momento em que devia pegar o metrô. Eu preciso fumar um cigarro. Digo, ela. Ela. Ela respira fundo, atravessa a rua. Toma um café na lanchonete da esquina e fuma um cigarro.&lt;br /&gt;A lanchonete estava lotada, mas ninguém me via.&lt;br /&gt;Era sempre assim. Era sempre a mesma coisa. Eu estou numa calçada que faz parte de uma rua que faz parte de um quarteirão que faz parte de um bairro que faz parte de uma cidade que faz parte de um estado que faz parte de um país que faz parte do mundo! Eu grito e ninguém me escuta. Eu espero um milagre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os fatos. Vamos aos fatos.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ela vai começar do jeitinho que ela começou. Sabia que podia fazer de maneira organizada. Tudo daria certo. Sempre pegava o metrô às 06h20min. Sempre. Descia do metrô. Atravessava a rua. Tomava um café na lanchonete da esquina. Fumava um cigarro. E batia o cartão. Às oito horas em ponto.&lt;br /&gt;Eu só estava um pouco atrasada. Sempre pegava o metrô às seis e vinte. Sempre. Mas hoje alguma coisa saiu errada. Às cinco e meia ela terminou o banho. Colocou a roupa. Passou o batom. Adora batom vermelho, mas passou um rosa. Nem bonita nem feia. Secretária. Lera isso em algum lugar? Ela sempre quis ser linda. Modelo. Atriz. Bailarina.Tudo tem que ser a mesma coisa. Tudo igual. Tudo em seus devidos lugares. Tudo em pratos limpos! Desde a noite anterior. Ela respira fundo. Pausa.&lt;br /&gt;Ela tinha saído de casa às seis da manhã como todo dia. Mas hoje ia ser diferente. Tinha que ser diferente, pois mais um dia como aquele iria matá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que a senhora quer dizer com isso? A senhora confessa?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ela esperava um milagre. Alguma coisa que entrasse no seu caminho de maneira irremediável. Ela devia pegar o metrô às 06h20min. Fechou a porta, desceu as escadas. Cruzou a esquina.&lt;br /&gt;Ainda estava escuro. Um homem na rua deserta. Seria o príncipe encantado que iria salvá-la? Desviou, sumiu de vista. Gostava de ver a cidade naquela hora. Naquela hora, parecia que tinha outra cidade por baixo da cidade. Uma cidade invisível.&lt;br /&gt;Eu preciso fumar um cigarro. Eu tinha que bater o cartão às oito horas em ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vamos aos fatos? A senhora saiu às seis horas da manhã.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ela vai começar do jeitinho que ela começou. Sabia que podia fazer de maneira organizada. Tudo vai dar certo. Do começo. Vou começar do começo. Digo, ela. Ela vai começar tudo de novo.&lt;br /&gt;Ela acorda sempre um segundo antes do despertador tocar. O despertador toca. Ela abre o olho. A roupa está pendurada na cadeira. Ela gosta de tudo organizado.&lt;br /&gt;Acorda! Acorda!&lt;br /&gt;O que esta corda está fazendo aqui? Não é a mesma coisa! Não tinha a corda... Eu preciso fumar um cigarro. Digo, ela. Ela. Ela precisa fumar um cigarro!&lt;br /&gt;Era sem “acorda!”. Não é a mesma coisa! Não é a mesma coisa. Um cigarro. Alguém me dá um cigarro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os fatos! Prossigamos.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ela esquecia as palavras, se perdia... Desculpe, é o stress. Eu já disse que ela era frígida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas disso não consta uma só palavra na acusação. Como devo julgar?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tudo tem hora e lugar. O seu lugar. Cada coisa em seu lugar.&lt;br /&gt;Ela era do tipo frígido. Ela já tinha tentado de tudo, até amante. Mas também com ele tudo logo soou programado. As mesmas horas de traição. O mesmo sexo oral anal sempre com ele como nunca fazia com o marido. As sempre mesmas ousadias pequenas.&lt;br /&gt;Ele.&lt;br /&gt;Ele sempre pega o metrô às 06h20min. Ele. Sempre. Desce do metrô. Ele atravessa a rua e toma um café na lanchonete da esquina.&lt;br /&gt;Ela também entra na lanchonete. Ela também tem fome.&lt;br /&gt;Às 05h30min ele acaba o banho, coloca a roupa. Blusa branca, de botão. Sapato preto. Ele gosta do vermelho. Ela vê o batom surgindo na frente dela. Ele adora passar o batom. Ela não é bonita. Mas fica linda de batom vermelho. Ele machucou ela. A boca. Na quina da cama. Digo, ela. Ela machucou a boca na quina da cama. Vermelho. Tem que ser vermelho. Sorri um sorriso machucado. Puta.&lt;br /&gt;Ela entra no escritório. Cumprimenta a colega: “Obrigada pelas flores!”. Vai até o banheiro. Senta-se na privada e digita. Um belo texto. Um texto imaginário. Maravilhoso. Cheio de palavras que ninguém conhece. Vaca. Puta. Puta.&lt;br /&gt;Volta ao escritório. Cumprimenta a moça do café. Servimos bem para servirmos sempre. As folhas amarelas são requerimentos. As verdes vão para a contabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas o que é isso, onde estão os papéis? Não consta nada disso! Vamos aos fatos!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ela vai começar do jeitinho que ela começou. Sabia que podia fazer de maneira organizada. Tudo vai dar certo. Tudo vai dar certo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É fácil dizer isso. Mas eu tenho de conduzir um interrogatório. Hoje em dia, não é fácil saber onde está a justiça. Eu já li isso em algum lugar? Vamos aos fatos. Foi um dia normal? A senhora tinha feito suas obrigações?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Até o milagre acontecer ela não podia fazer nada. A não ser comprar uma calcinha de renda vermelha. Tinha visto uma na promoção do dia dos namorados. Torcer pro sexo ser um pouquinho diferente, pois há muito era o mesmo. Nunca mais as mesmas coisas. Lavar. Passar. Amar. Transar. Mesmo sem vontade. Parir. Amar. Amamentar. Aquecer. Esquecer. Amar. Sacrificar. Apanhar. Sujeitar. Compreender. Esquecer. Esquecer. Perdoar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Afinal de contas, qual foi o crime?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sua vida não tinha poesia. Ela era invisível. Sempre foi. Ninguém a via, ninguém a escutava. Sempre as mesmas coisas. Aquilo dava um aperto no coração.&lt;br /&gt;Mas hoje não. Hoje, alguma coisa aconteceu. Ela entra no prédio. Elevador panorâmico. Primeiro, segundo, terceiro, Sétimo andar. Cabalístico. Ela pisa o parapeito. Ela espera um milagre. Seu corpo bailarino flutua um momento no ar.&lt;br /&gt;No chão, os papéis espalhados. A meia calça rasgada. Onde está minha estrutura sólida? Onde está o chão sob os meus pés? O que me sustenta? O que eu posso sustentar?&lt;br /&gt;Ela muda. Dócil. Gelada. Como ele gosta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onde está a pasta com a acusação? Preciso dela. Preciso saber quem são os acusados. Isso é meu ou li em algum lugar? Como posso saber? Afinal de contas, qual foi o crime?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A gente só devia conhecer o que vive. Eu tinha sonhado com um enterro cheio de gente, flores, choro. Um enterro digno. Ser alguém uma vez na vida. Mas ninguém me vê. Digo, ela.&lt;br /&gt;Ela devia ter tomado o metrô. Às 06h20min. Mas ela ainda não entrou na estação. Ela está molhada. Ela não se levanta. Loira, 28 anos, sem calcinha. Jogada num beco escuro ordinário. Ele veste a roupa. A loira não fala nada. Como ele gosta. Ele. Ele.&lt;br /&gt;Que horas são? Que corda é essa, na sua mão?&lt;br /&gt;São 07h30min. Ela ainda não pegou o metrô. Alguma coisa se quebrou. E quando uma coisa se quebra não há mais conserto. Aquilo está quebrado para sempre.&lt;br /&gt;Alguém pode me dar um cigarro? Um cigarro?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-2908948750885942150?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/2908948750885942150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=2908948750885942150' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/2908948750885942150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/2908948750885942150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2009/06/sem-juizo-mencao-honrosa-no-festival-de.html' title='sem juízo (menção honrosa no Prêmio Off Flip 2009)'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-7791304863085358040</id><published>2009-04-14T10:41:00.003-03:00</published><updated>2011-04-06T13:58:50.656-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='críticas de espetáculos'/><title type='text'>O tempo, o gelo e o drama</title><content type='html'>Primeiro de abril. Galpão Cine Horto. Platéia lotada. Dir-se-ia uma estréia. Mas não era. Estávamos ali para assistir à apresentação de uma obra em processo de construção, fruto da investigação conjunta de dois jovens – e importantes – grupos da cena brasileira: o mineiro &lt;strong&gt;Espanca!&lt;/strong&gt; e o paulista &lt;strong&gt;Grupo XIX&lt;/strong&gt;.  A parceria, iniciada em 2007 com o ACTO 1, projeto de intercâmbio entre os dois grupos e o curitibano Cia. Brasileira, se desdobrou em uma residência artística de 3 meses do grupo mineiro na sede do grupo paulista para o exercício de invenção que resultou em &lt;em&gt;Barco de Gelo&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Ao adentrarmos o teatro, os atores de ambos os grupos – todos de branco – e o diretor (Luiz Fernando Marques, este, do Grupo XIX) nos recebem em meio à euforia geral e à acomodação da imensa platéia pela produção da casa. Afinal, estávamos em uma espécie de ensaio aberto, momento de compartilhamento com o público do trabalho, para um posterior debate. Prática constante do Grupo XIX, a abertura do processo de criação ao espectador ocorre desde o primeiro mês de trabalho e perpassa todas as etapas de criação, das primeiras pesquisas ao resultado final.&lt;br /&gt;O diretor anuncia o propósito do encontro e pede ao técnico de som que solte o spot. A atriz Janaína Leite, que inicia o trabalho, se dirige para o cenário todo roxo, colocado em um ângulo enviesado em relação ao público. O estranhamento já começava ali.&lt;br /&gt;Ela aguarda, seis taças de champagne  penduradas em seus dedos. Alguém bate à porta. Ela parece não ouvir. Alguns segundos depois, ela reage.  O tempo está em &lt;em&gt;delay&lt;/em&gt;. Principal recurso dramatúrgico da cena/exercício, esse atraso/descompasso temporal marcará o descompasso das relações entre os personagens que vemos em cena. O casal, o amigo eufórico e o potencial suicida – talvez o único para quem a percepção clara da realidade e do presente torne a vida difícil de ser vivida. O tempo, metáfora maior do tema/situação que se desenrola no palco, é magistralmente orquestrado pelo contraste/curto-circuito que ocorre entre o tempo da “realidade”, localizada em um futuro longíquo, 2440, e o tempo da ilusão: a festa do réveillon – imagem concreta de um futuro que só pode vir como projeção – culmina na apresentação de um trecho de &lt;em&gt;As três irmãs&lt;/em&gt;, de Tchekov, por uma trupe de teatro. Único momento em que as relações se dão no mesmo tempo, no agora, no presente, o teatro – artefato arcaico, obsoleto e anacrônico já hoje – contrasta com uma atualidade fragmentada e desconexa, tornando visível o que estava latente nas relações marcadas pelo &lt;em&gt;delay&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Barco de Gelo&lt;/em&gt; foi uma grata surpresa. Não que seja surpresa a qualidade inerente aos dois coletivos teatrais, mas a força de provocação com que a estrutura mínima dessa dramaturgia tecida colaborativamente e ainda em processo de criação e aprofundamento, concretiza as imagens/idéias teatrais germinadas nesse encontro de criadores que revisitam suas formas e métodos, que desejam o risco.&lt;br /&gt;Essa estrutura mínima – futuro e passado, arte e vida, tema inscrito na linguagem – é provocadora na medida em que não se contenta em reproduzir formas já conquistadas, mas, principalmente, provocadora para os sentidos daqueles que estão acostumados a pensar o teatro em termos de drama, de desenvolvimentos causais e de sentidos amarrados e prontos. Não, nada aqui será entregue de graça. Aqui, como o gelo que traduz tão poeticamente a idéia de um presente que está e que já não está lá, a linguagem desliza, subtrai-se e fura a representação porque na cena contemporânea o verbo já não tem a primazia de produzir poesia.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Nina Caetano&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-7791304863085358040?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/7791304863085358040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=7791304863085358040' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/7791304863085358040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/7791304863085358040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2009/04/o-tempo-o-gelo-e-o-drama.html' title='O tempo, o gelo e o drama'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-4998954288401956951</id><published>2009-03-17T11:55:00.003-03:00</published><updated>2011-04-06T13:59:08.852-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigos e ensaios'/><title type='text'>Para pensar uma dramaturgia in process ou Pode ser a escrita de rua uma dramaturgia do instante? ou Performando a dramaturgia</title><content type='html'>&lt;em&gt;“Somos irreversíveis e incontornáveis.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;(Hosana, marcha mundial das mulheres)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Neste ensaio, intentarei discutir o trabalho realizado ao longo do ano de 2008 junto ao Obscena, agrupamento independente de pesquisa cênica. No âmbito desse trabalho, a minha questão principal se relaciona com a prática de dramaturgia que tenho proposto dentro do agrupamento e que nomeei, em alguns momentos, como “Dramaturgia do instante”, consistindo na pesquisa de uma escrita no espaço da ação. Evidentemente, tal denominação e ação não foram dadas de antemão e só estão se esclarecendo ao longo do percurso de investigação, como denota o título que proponho para este ensaio. Inicialmente, quando começamos o trabalho de pesquisa, em fevereiro de 2008, eram claros para mim somente os elementos os quais desejava investigar. Remeto ao relato do dia 25 daquele mês:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu, Nina, me interesso por pesquisar a edição documental, a intervenção no real, os labirintos temporais, a memória. A construção da mulher. Uma anatomia, para lembrar o Moacir, construída com objetos normalmente ligados ao universo da mulher. Interessa a mulher que transborda, que escapa às fôrmas, me interessa a loucura. O que cabe e o que não cabe.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;      Naquele momento, inclusive, ainda não havia a clareza de que modo eu poderia desenvolver a pesquisa desses elementos dentro de um agrupamento – e de um projeto – que privilegiava, de certo modo, a instância atoral. Outra questão dizia respeito ao modo como seria possível tecer esta dramaturgia na relação com os materiais dos outros, uma vez que não intentávamos a criação de um espetáculo, mas resultantes cênicas decorrentes das investigações individuais.&lt;br /&gt;      Em seu primeiro ano de existência – 2007 – o Obscena havia trabalhado no espaço que pertencia à companhia de teatro da qual fazia parte Lissandra Guimarães e eu, a Maldita. Naquele ano, ainda integrantes da companhia e em pleno processo de criação, as investigações que fazíamos no Obscena (criado, inicialmente, como um grupo de estudos e de diálogos para a Maldita) acabavam por desembocar, como criação, no grupo de origem. As questões levantadas acima eram, então, incipientes, uma vez que, para mim, utilizar o meu corpo na ação era um meio de concretizar propostas de dramaturgia que seriam, posteriormente, desenvolvidas como ações pelos atores.&lt;br /&gt;      Em função do interesse específico na criação da Maldita, o Obscena começou o estudo por algumas balizas que sustentavam aquele processo em andamento: além dos princípios da criação colaborativa, a linguagem épico-dramática e a discussão dos conceitos de ocupação e de instalação. Como base teórica, havia o interesse em investigar as idéias contidas no epílogo da obra O Teatro Pós-Dramático&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;, principalmente no que concerne às possibilidades contemporâneas de um teatro de viés político. Como, na Maldita, havia a confluência entre as questões de ordem estética e questões ideológicas, relacionadas às estruturas de poder, como as instituições – na criação de seu primeiro espetáculo a pesquisa da Maldita havia sido as instituições manicomiais e, no processo que se desenrolava, as prisões – pareceu-nos essencial também aprofundar nesse ponto.&lt;br /&gt;      No entanto, na Maldita o processo de criação – que já se desenrolava há quase dois anos – havia emperrado e não permitia uma real vazão de nossos experimentos ou desejos, o que nos levou, Lissandra e eu, a sairmos da companhia e nos dedicarmos inteiramente às questões férteis que haviam surgido no grupo de estudos. Nascia assim o projeto Às margens do feminino: texturas teatrais da beira. Formulamos o projeto e o apresentamos para a Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Aprovado no Fundão, o projeto nos deu condição de aprofundar a pesquisa, agora centrada na investigação de alguns elementos de linguagem que já vinham sendo tocados – tais como um modelo não representacional de ações, a atuação rapsódica e a instalação/ocupação de espaços públicos e privados – e em um tema recorrente nos experimentos desenvolvidos no agrupamento: a mulher&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;segunda-feira, dia 03 de março de 2008. o que é ser mulher?&lt;br /&gt;Fortaleza fragilidade mãe mulher companheira doçura esteio=sustentação da família Geradora de vida. Amor. Carinho. Benção. Ser divino. Luz do Mundo.&lt;br /&gt;Ser mulher é ser como sempre uma escrava de quase tudo. Sou feliz como mãe. Como mulher não.&lt;br /&gt;Ser mulher é muito importante porque ela é a Rainha do Lar.&lt;br /&gt;Ser mulher tem que ter responsabilidade com a família, com o esposo. Ser mulher vem da responsabilidade desde o dia da gravidez porque todos dependem da mulher.&lt;br /&gt;A mulher cuida das crianças, dos filhos, da casa. É dar respeito para ser respeitada.&lt;br /&gt;Ser mulher pra mim é saber se calar mesmo querendo extravasar. É ser forte, mesmo nos momentos de dor.&lt;br /&gt;Ser mulher é ser dona de casa, ser mãe de família, ser paciente, ser cuidadosa, ser conselheira, ser trabalhadeira, ser cuidadosa, ser bonita&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;      Em março, as questões que eram incipientes no trabalho desenvolvido no ano anterior, começaram, a partir das experimentações de procedimentos atorais que nortearam a primeira fase dos trabalhos, a tomar mais (o meu) corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Percebo o quanto é importante estar atenta aos elementos de minha própria pesquisa. O que norteia, individualmente, o meu trabalho no grupo? Quais podem ser os elementos da minha atuação dramatúrgica? Como olhar meu corpo ator como dramaturga? Ou como dramaturga utilizar meu corpo texto? Como dialogar a partir desse corpo?&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Em abril, acontece a primeira mostra em processo da pesquisa, prevista pelo projeto. Os pesquisadores do Obscena propuseram, cada um, procedimentos diferentes no qual contavam, muitas vezes, com a participação dos outros em sua investigação. Se, por um lado, a necessidade de colaborar, como corpo, na proposta do outro me lançou muitas dúvidas em relação ao desenvolvimento da minha própria função de dramaturga, por outro começou a abrir outras possibilidades para essa dramaturgia, não mais pensada como estritamente ligada a um suporte de papel. Para exemplificar, cito a proposta de Marcelo Rocco, A vitrine de corpos prostituídos, realizada no primeiro dia da mostra, sábado 12, à meia-noite.&lt;br /&gt;      Marcelo havia solicitado a todos nós, mulheres e homens, que assumíssemos o lugar de prostitutas e michês. Nossos corpos, seminus, seriam “oferecidos” na vitrine do Teatro Marília, a qual dava para a rua. Uma vez que não sou atriz e não queria representar nenhum personagem, aceitei colocar o meu corpo seminu na vitrine, mas com uma ressalva. Eu não iria seguir os seus comandos, mas exercitar, de dentro da vitrine, as possibilidades de diálogo com o público pela escrita que eu imprimia na vitrine e nos corpos dos outros atuantes. Concentrei-me em perceber a reação do público, que aumentava a cada minuto. Os olhares ávidos masculinos, que variavam entre o desejo e a repreensão de nossa ação. Os escritos também variavam, daquilo que eu percebia como “pensamentos” deste público, a um discurso mais crítico: além de puta, vaca, filé, vadia, gostosa, galinha, mulher, frases como carne no açougue e mulher vende cerveja.&lt;br /&gt;      Além da escrita experimentada na vitrine do Marcelo e em decorrência dela, propus, em diálogo com os materiais atorais desenvolvidos por Lissandra em torno dos objetos do universo feminino, a realização de uma ação – esta mais concatenada com os meus objetivos e temática – na qual se tornou mais evidente para mim a construção de uma dramaturgia do instante a partir de um olhar de autora-espectadora&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Dona de uma flexibilidade invejável no trato caseiro, Vaca Maravilha é o sonho de consumo de todo homem, seja ele clássico ou contemporâneo. Na terça-feira, dia 15 de Abril de 2008, algumas pessoas, transeuntes da Avenida Alfredo Balena no centro da capital mineira, tiveram a oportunidade de testemunhar a eficiência da super heroína que estava exposta em vitrine fazendo uma demonstração de suas qualidades. Acompanhada de outras “colegas de trabalho”, dentre elas a Mulher Mil e Uma Utilidades, a Costurinha, a Mulher Ajax; a Fêmea Vaca Maravilha arrancou suspiros da platéia enquanto limpava, esfregava, desinfetava o espaço corroído de mofo e tédio. Tudo isso numa ganância assombrosa pela limpeza e organização. O lado de lá da vitrine era o distanciamento. Olhos curiosos, atentos, admirando a destreza com a qual as tarefas eram executadas. Outra colega, notadamente a dona da voz daquelas mulheres in vidro, uma mulher cuja ação determinava os sentidos da imagem, trazia consigo uma caneta e com ela preenchia o vidro com palavras, frases... algumas vezes utilizando um léxico bastante comum aos homens. Ela estava do lado de fora, com a platéia, ocupando uma posição naturalmente não-representativa. Era uma artista plástica das palavras e o seu quadro estava vivo. Mulheres domadas, não ofereciam risco algum, sob o controle dos olhares. Mulheres utilidade, sujeitas a teste de qualidade. Mulheres coleta seletiva: deposite neste orifício seu lixo orgânico. Mulher alcalina, da esponja de aço, da garrafa PET, do creme lubrificante... Mulher lipo-aspirador, da varanda, do quintal, do comercial de pneu, das graxas de graça desgraça... Mulher tubo de ensaio: deposite neste corpo orgânico o lixo do seu orifício. Fim. Um carimbo e um selo de garantia: Aprovadas. Matéria-prima do produto: uma costela. Válido enquanto durar o estoque&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;      Após essa primeira mostra, mostrou-se necessário o aprofundamento em questões que apenas tínhamos tocado e que se referiam ao que estávamos denominando de não representacional&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;[7]&lt;/a&gt; – mas que, em larga medida, ainda era uma noção confusa para a maioria de nós (teatral implica em representacional? Ou seja, é possível pensar uma ação/procedimento teatral que não seja representacional? Qual a relação entre espetacularização e a noção de representação? Quais os limites entre não representacional e performance?) – e, em conseqüência, aquelas que se referiam à noção de performatividade e teatro performativo&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftn8" name="_ftnref8"&gt;[8]&lt;/a&gt;. Nesse sentido, foi de extrema importância o trabalho proposto para o agrupamento por uma de nossas pesquisadoras, Patrícia Sene, de dança criativa, o qual possibilitou-nos buscar uma maior verticalidade a partir de nossa prática corporal e engendrar caminhos que possibilitassem ao corpo entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O trabalho corporal da dança criativa com fundamentos de Bárbara Mettler é uma livre abordagem à arte do movimento corporal, valoriza a criatividade, a improvisação, a organicidade e a integração rítmica do corpo em movimento (...) Sempre a partir de problemas de movimento, improvisações são realizadas objetivando a consciência e o controle do movimento em relação aos elementos espaço, tempo e força. Não há a repetição planejada de formas de movimento, mas a repetição pode existir se for orgânica&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftn9" name="_ftnref9"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[9]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;      No âmbito de minha investigação, a pesquisa do movimento proposta pela Patrícia foi de extrema importância, pois serviu como uma resposta concreta e prática às questões teóricas que a leitura de Barrio/Barriga havia me colocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O trabalho para mim foi, hoje, revelador. Agora meu corpo começa a saber. (...) Quais os pontos de ligação entre o trabalho proposto e as ações do Barrio? Entre o corpo proposto dança pura criativa e o um modelo não representacional? E mais: o que me interessa investigar, para a dramaturgia que quero propor?&lt;br /&gt;Interessa-me muito o corpo coisa suporte material. As relações dele com o espaço. Quem é o causador das ações? O artista ou os materiais por ele empregados? Barrio tem se mostrado frutífero&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftn10" name="_ftnref10"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[10]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;      Barrio realmente se mostrava frutífero. Em maio, Clóvis, instigado pelas ações/situações do artista plástico propõe uma caminhada performática&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftn11" name="_ftnref11"&gt;[11]&lt;/a&gt; que gerou muitas possibilidades futuras: havia elementos de instalação, a força da ação coletiva e direta, as possibilidades de diálogo e interrupção concreta na relação com o cidadão belorizontino. Especificamente em relação às minhas questões, a primeira caminhada, realizada no centro da cidade (ambiente sujo, “mal-freqüentado”) produziu um salto na minha investigação de uma dramaturgia in process, da qual o suporte material não é mais a folha de papel, mas o espaço da cidade e o corpo, e na qual o eixo temático não é mais a mulher marginal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A margem é aqui. No centro da cidade. Nas ruas de cada dia mulheres são construídas, mulheres de cada dia. Mulheres de cama e mesa. Sobremesas. Valem tanto como um bombom sonho de valsa. Baixou. 20 centavos. Custam só vinte centavos. Vejo o casal que se abraça. Que pena, tivesse visto antes e deixaria meu buquê de vinte centavos para ela. Futura noiva domesticada pela tv se deus quiser.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;      Além da própria caminhada, gerou frutos para a minha investigação, alguns textos-relatos produzidos em decorrência dela, como o de William Neimar&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftn12" name="_ftnref12"&gt;[12]&lt;/a&gt;, no qual no qual ele faz uma comparação entre a ação realizada e a obra de Calvino, Cidades Invisíveis, especificamente a cidade dos mortos, Eusápia, simulacro perfeito da cidade dos vivos. Começavam a surgir os gérmens do experimento Cidade das Mortas.&lt;br /&gt;      Diante das várias questões colocadas pelo andamento do trabalho&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftn13" name="_ftnref13"&gt;[13]&lt;/a&gt; ao Obscena, foram propostas mais duas caminhadas: no encontro seguinte, sairíamos da minha casa, para uma caminhada por regiões “nobres” da cidade, Sion e Savassi. Que tipo de relações e ganhos para os procedimentos e materiais pesquisados pelo grupo, tal caminhada suscitaria? Diferente da primeira caminhada, em que havia um guia e na qual estávamos juntos, nessa “deriva” sairíamos sozinhos, e teríamos uma hora para caminhar, recolher objetos, montar nossa instalação, interagir com ela e voltar para a minha casa. Nessa caminhada, não teríamos o olhar do outro ou para o trabalho do outro. Por um lado, estaríamos mais misturados na cidade, não nos destacaríamos como um coletivo. Mas, por outro lado, perderíamos justamente as possibilidades de colaboração/contaminação originadas na relação obscena que o olhar do outro lança sobre cada ação proposta.&lt;br /&gt;        Embora, para mim, essa segunda caminhada não tenha gerado elementos imediatos para a minha pesquisa, o mecanismo da caminhada e as questões que a primeira experiência desencadeou funcionaram como centros geradores da ação investigativa que teve início na mostra de junho. Isso foi perceptível de uma maneira geral, tendo a caminhada, inclusive, sido proposta como um procedimento da mostra, a ser experimentada junto ao público.&lt;br /&gt;        Para a mostra, a instrução guia privilegiava a continuidade da investigação sobre as ações não representacionais. Foi sugerida a seguinte divisão para os procedimentos, a fim de permitir o registro e acompanhamento da mostra, além da participação efetiva de alguns de nós, como atuantes, na proposta dos outros: no primeiro dia, seríamos Idelino, eu, Lissandra, Didi e William. No sábado, teríamos os procedimentos de Patrícia, Mariana, Moacir, Marcelo, Saulo e, novamente, eu. O domingo seria reservado para a caminhada performática, proposta de Clóvis.&lt;br /&gt;        Na sexta, Lissandra – com o corpo composto por objetos do universo feminino – fez uma caminhada, registrada por Túlio e Moacir, que saiu da Casa do Conde, passando pela Afonso Pena, e chegando até o Marília, em torno das oito horas. A percepção das relações que a ação da Lissandra propunha, só foi possível perceber quando assistimos ao registro. Interessante como a percepção dela no que diz respeito às reações das pessoas foi bem diferente do que percebemos ao assistir ao registro de sua passagem. Ela tivera a impressão que não havia estranhamento nas pessoas diante da figura dela. Ao vermos o registro, é notório o modo como a passagem dela provoca reações, ainda que as pessoas não a confrontassem com seu olhar.&lt;br /&gt;        Eu propus instalações feitas a partir de corpos de mulheres deitadas, desenhados no chão. Essas marcas de giz no chão remetiam, diretamente, àquelas decorrentes de assassinatos e que servem para mostrar a posição em que o corpo morto estava. Corpos escritos e completados por objetos – embalagens – de produtos femininos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Proposta para uma situação/ação dramatúrgica.Narrativas jornalísticas poéticas científicas dicionarescas inventadas documentais.Embalagens plásticas metalizadas produtos de limpeza cosméticos mantimentos eletrodomésticos utensílios do lar higiene pessoal familiar.Giz. Fita crepe. Marcadores.Corpos de mulher. Instalações de objetos e narrativas.Escritas no momento? As notícias recortes de jornal?Anita. 18 a. rosto de menina, corpo de sereia, malícia de mulher. Adoro todas as idades! Liberal c/ carinho. Sem pressa. Ap. c/ DVD erótico.Enterrada menor de treze anos, estuprada e morta. Cem mil crianças e adolescentes são explorados sexualmente no Brasil.Júnior Lima está solteiro. Segundo o jornal Expresso, terminou o namoro de um ano do cantor com a estudante de direito Sheila Santos, de 24 anos. &lt;/span&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftn14" name="_ftnref14"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[14]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir da mostra de junho, firmou-se o propósito de investigarmos mais profundamente, Lissandra e eu (ela, por meio da colocação na rua de um corpo construído a partir de objetos do universo feminino e, eu, dos corpos mortos desenhados no chão e preenchidos com escritas produzidas no calor do momento); o experimento que eu havia começado a denominar de Cidade das Mortas. A investigação prática, no entanto, só começaria, efetivamente, em agosto. Transcrevo abaixo, na íntegra, o relato de 18 de agosto, na qual descrevo a primeira experiência realizada na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu armada com meu instrumento: o giz, colocado singelamente numa embalagem de creme para cabelo: Hair construtor.&lt;br /&gt;Eu também me aqueço, preparo meus instrumentos. Como avançar a ação? É necessário selecionar narrativas a serem experimentadas. Os anúncios das prostitutas de Curitiba devem percorrer esses corpos mortos, desenhos a giz no chão. Também deve estar lá o verbete do Aurélio. Também quero: a gente pensa que é mulher e é só fêmea, bichinho de estimação. Também quero: uma mulher é feita de arestas, becos, buracos. Voz, carne e sangue. E osso e pele. Quero brincar com as tarefas inúteis e com os desejos de consumo da mulher: depilação a laser, botox, jet bronze, diet, light. E quero jogar com as manchetes e estatísticas: Enterrada menor de treze anos, estuprada e morta. Cem mil crianças e adolescentes são explorados sexualmente no Brasil.&lt;br /&gt;Eu e Lica nos guardávamos. Nosso trajeto: do Marília à Estação. Pela Afonso Pena, paradas no caminho. Corpos. Escritas. Em frente ao Café Nice a mulher objetos foi ovacionada como uma miss no desfile de finalista. Ah, os homens! Ali nos pareceu um ótimo lugar para deixar nossas mortas. A mulher objetos larga suas inúmeras sacolas e deita-se no chão. Desenho um belo corpo no chão e começo a preenchê-lo: mulher ser humano do sexo feminino capaz de conceber e parir outros seres humanos e que se distingue do homem por essas características. Mulher da vida: meretriz. Mulher à toa: meretriz...&lt;br /&gt;Estávamos em frente à McDonald´s. Eu escrevia. A Mulher objetos postava-se em frente ao M, compondo com o seu corpo naquele espaço. M. Mulher objeto.&lt;br /&gt;Precisamos explorar mais a Praça Sete.&lt;br /&gt;Mas, ontem, ali, nos perdemos. Desci a Amazonas, busquei-a na Praça Rui Barbosa. Praça da Estação. Onde estará?&lt;br /&gt;De repente, a vejo. Do outro lado da rua, carregada de sacolas, numa alameda de luzes. Atravesso a rua. Ela senta-se em frente a um casal de mãos dadas no banco da praça. Desenho bunda e pernas. Mãos saem dos quadris. O desenho é interessante, mas o chão é árido. Já começo a criar preferências. Ah, adoraria poder deitá-la no asfalto. Desenhá-la em meio aos carros. Parar o trânsito.&lt;br /&gt;Ela atravessa a grande avenida, avança para a Estação. Caminha entre os pontos de ônibus e deita-se na passagem dos pedestres. Afeiçoei-me às passagens de pedestre. O chão é liso e inclinado. O espaço é razoável e atrapalhamos o trânsito.&lt;br /&gt;“Vocês são de algum movimento feminista? O que é isso? É teatro?”&lt;br /&gt;A última morta deixamos sob o viaduto de Santa Tereza: Samy, 20 anos. Morena mestiça. Sapeca e safada.&lt;br /&gt;É preciso ser mulher até o osso.&lt;br /&gt;Deixamos o último traço e partimos. Eu bastante feliz. Achei o fio dessa meada.&lt;br /&gt;Hoje até vou ao Maletta. É preciso beber as mortas&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftn15" name="_ftnref15"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[15]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em agosto, fizemos algumas experiências, variando Lissandra as personas que investigava em sua relação com os objetos. No dia 21, por exemplo, ela transitou de uma “noiva” a uma juíza, passando, depois, à mulher vaca maravilha. Novamente transcrevo o relato da experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Hoje ela faz 40 anos. Mas nem parece. Hoje não há festa nem glamour. Vestida de branco, um carrinho de feira lotado de sacolas, balde, bacia, rodo e apetrechos variados, tamancos e uma capa (véu de noiva?) de supermulher vaca maravilha. Ela parte para a praça. Para a rua. Para o trabalho diário. Não, esse não é o seu trabalho. Ou por outra, é. Mas que trabalho é esse?&lt;br /&gt;Partimos as duas para a rua. Ela armada com seus objetos. Eu, com minhas narrativas e meu olhar que registra sua passagem. Praça da Estação. A mulher noiva vaca maravilha empilha embalagens e mais embalagens plásticas. Distribui bandejas e bandejas de isopor pela praça. Aos poucos, lanço alguns registros dessa passagem sobre o cimento da praça. Um dia, quando pequena, sua mãe a levou a uma exposição de bonecas. Bonecas de porcelana, bonecas de louça. Bonecas de plástico. Bonecas de trapo.&lt;br /&gt;Mais adiante, um rol. Parir. Amar. Cuidar. Limpar. Transar. (mesmo sem vontade).&lt;br /&gt;Partimos para a caminhada. Para isso, ela troca o hábito. A gente é aquilo que consome. Mulher bacia, mulher vassoura. É bonito vê-la se preparar. Ela coloca seus apetrechos, recolhe seus objetos. Mulher touca na cabeça e boneca de plástico. Mulher de plástico, meias e conformações. Prepara o carrinho de feira, seu companheiro jurado em frente à fonte. Afinal, a mulher precisa ter onde se apoiar. A mulher está em obras, desculpem o transtorno. Estamos trabalhando para você.&lt;br /&gt;A mulher objetos parte. Dessa vez, ela fala. E muito. Subimos a Praça da Estação em direção à Praça Sete. E ela fala. Só se cala ao deitar-se no chão, modelo vivo de uma mulher morta. E sua fala se materializa escrita. Ela me inspira desvios. Fluxos velozes de giz. As mulheres mortas ficam na Estação e partimos. Na Praça Sete, os quatro cantos. Monumentos animados dessa mulher objeto. Outras mulheres objetos. Corpos mortos na paisagem da cidade. Mulheres bichinhos de estimação. Mulheres bonecas em exposição. Mulheres noivas. Mulheres rol. Registros de nossa passagem, marcas do nosso diálogo.&lt;br /&gt;Agora já é tarde e estamos cansadas da lida. Eu vou embora pensando que esse agosto que nos pariu é prenhe&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftn16" name="_ftnref16"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[16]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;      Ainda em agosto, após conversa com a pesquisadora Erica Vilhena, na qual ela relatou uma visita que havia feito com a mãe a uma exposição de bonecas, comecei a vislumbrar uma ação maior, tecida do diálogo das minhas escritas corpos de giz com a ação de algumas atrizes do agrupamento. Esta ação já havia sido experimentada, de certo modo e ainda que superficialmente, já na primeira mostra, em abril. Agora, no entanto, ela começava a se desenhar, ainda na minha cabeça, mais fortemente a partir da idéia de bonecas.&lt;br /&gt;      Também em agosto foi realizada a terceira mostra do Obscena, a qual já refletia a relação que começou a se estabelecer de maneira bastante marcante, para muitos dos pesquisadores, com propostas mais nítidas de ocupação de espaços públicos e urbanos. Denominada de Cartografias obscênicas, a mostra propôs a investigação de simultaneidades/ações na rua. Como reflexo da mostra – a partir da avaliação feita, na qual notamos que as mostras estavam, de certo modo, adquirindo o caráter de apresentação, optamos, a partir de setembro, por um novo formato: o de mostras semanais. No formato anterior, os procedimentos/experimentos semanais eram realizados no âmbito interno, restrito aos pesquisadores do Obscena, com eventuais excursões de um ou outro em suas aventuras cênicas. Neste formato, só abríamos o trabalho para “visitação” pública nas mostras trimestrais: tal ação acabava por ter um aspecto de apresentação.&lt;br /&gt;        Já as mostras semanais se mostraram um formato bem mais interessante, o qual atendia à processualidade da pesquisa. Com a abertura dos trabalhos de investigação ocorridos durante a semana, ou seja, no dia-a-dia da experimentação, da investigação em ação de cada um de nós, conseguimos, parece-me, atingir o caráter processual inerente à pesquisa que estamos nos propondo a realizar. Falo dos trabalhos públicos que ocorreram nos dias 08, 15, 22 e 29 de setembro.&lt;br /&gt;      Nos dias 15 e 29, realizamos, eu e Lissandra, mais algumas investigações em torno do experimento cidade das mortas. No dia 15, nos encontramos mais cedo na casa dela, de onde saímos por volta das cinco e meia da tarde. Como já havíamos experimentado dias à tardinha, início da noite e gostado das possibilidades, optamos por começar o trabalho mais cedo do que o marcado para o encontro dos obscênicos. Nesse dia, novamente trabalhamos na praça da estação e na praça sete. Na praça da estação comecei a filmar a Lissandra, ação logo complementada por Fernando. Também não demorou muito e apareceu a guarda municipal. “Evento tem que ter autorização”. Como tem que ter autorização a palavra escrita dano ao patrimônio público pichação em giz. A palavra escrita, o registro, são marcas inegáveis de uma subversão da ordem. São marcas do perigo.&lt;br /&gt;      Na praça sete, nesse olho do furacão, o chão é liso e possível e a escrita sujeita ao giz. Nessa praça, reformada para descentralizar o centro, o fluxo de passantes nos engole e esconde. O centro da cidade é um circo e nele faremos o círculo, percorrendo todos os monumentos dessa praça para terminar na MacDonald´s, com seu monumental M. mulher.&lt;br /&gt;Quem é essa mulher? Não é possível explicar, é necessário construir.&lt;br /&gt;      Coincidindo com a investigação dessa escrita no espaço da ação, vários foram os encontros felizes ocorridos nesse mês das flores e tempestades de granizos: as discussões no projeto laboratório acerca do conceito de intervenção urbana, a presença marcante de Antônio Araújo, a tese de José da Costa sobre as escrituras cênico-dramatúrgicas conjugadas; que acabaram por me colocar diversas questões em relação a essa pesquisa: da relação com o espectador/transeunte, das possíveis formas de inscrição textual, do lugar do “dramaturgo”, do texto como elemento material e da dramaturgia como escritura/leitura. E ainda: a mim caberá o todo? Tais questões apareceram mais fortes após a experiência do dia 29. Transcrevo abaixo o relato do dia de trabalho, na íntegra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Savassi. Dia 29 de setembro. Dessa vez, saímos do Sion. Lica propôs experimentar sonoridades e corporalidades animais. A proposta hoje era percorrer as lojas, vitrines. Interagir com o ambiente consumo. Sempre que possível – o chão ali não ajuda muito – deixaríamos algumas mulheres mortas pelo chão. Ali, recuperei novamente a escrita no papel de propaganda. Escrita cartaz.&lt;br /&gt;Esse corpo mulher sacolas perambula pelas lojas do Pátio Savassi. Gravar não pode. Só o celular democrático de uso geral. Todo mundo tem câmera Bluetooth mp3. As caras nas câmeras redes de TV. A câmera caracteriza normaliza o acontecido. Este se torna evento. Teatro arte propaganda marketing novela das oito. Filme. No mundo do mercado o mercado explica tudo? É necessário criar o atrito. O estranhamento. Essa mulher produzirá sonoridades corporalidades animais.&lt;br /&gt;Por que você está vestida assim? E você? Por que a prancha escova progressiva inteligente jeans da moda o roxo bata pode. Por que o sexo forçado marido namorado um tapinha não dói. Homem faz sexo mulher faz amor lipoaspiração drenagem linfática. Tintura. Depilação epilação hidratação cauterização ballayage plástica botox silicone. Não é possível explicar, desculpe o transtorno. Estamos trabalhando para você.&lt;br /&gt;Descemos a rua em atrito com as lojas que encontramos pelo caminho. Drogaria Araújo. A mulher super vaca maravilha rebola reboa seu sino nos corredores vidros prateleiras produtos. A ação é sutil. O som na drogaria. A pose em frente às lojas da Rede. Em frente à Travessa, o diálogo com a estátua da mulher escritora. A prateleira de bonecas da loja de brinquedos. Aqui, as escritas se multiplicam, geradas pelo atrito contato com esses mundos. Materiais. A prateleira rosa. O banquinho branco em frente aos contos de fadas da melissa. A estátua escritora e a boneca de papel da propaganda de desodorante.&lt;br /&gt;Mulher. Uma obra em construção.&lt;br /&gt;Quem é a obra de quem?&lt;br /&gt;Filé. Delícia. Gostosa. Carne de primeira. Gatinha. Cachorra. Cadela. Vaca jaca galinha piranha. Mulher melancia. Mulher da vida. Mulher da zona. Mulher da comédia. Mulher à toa. Mulher. A esposa em relação ao marido. Moça que atingiu a puberdade. Samy. 18 aninhos. Morena gostosa. Safada, sapeca como você gosta. 100% completa. Sexo anal total. 69 gostoso. Foto original sem retoque. Gosto de beijar. Amar. Cuidar. Transar. Mesmo sem vontade. Esquecer. Perdoar. Compreender. Sujeitar. Sacrificar. Esquecer. Esquecer. Embalar. Adestrar. Ensinar. Mesmo sem vontade. Educar. Amamentar. Brincar. Parir. Amar. Limpar. Passar. Jogar no rio. Na privada. Na esquina. Na esquina.&lt;br /&gt;Desculpe o transtorno estamos trabalhando para você. Uma obra em construção. Barbies. Pollys. Princess all globe. Bonecas domesticadas pela TV. Hidratantes. Desodorantes. Perfex. Batom. Antiaderente. Drenagem linfática Jet bronze endermologia com arte é diet light in out enterrada menina de 14 anos encontrada morta e estuprada. Metida. Fodida. Arregaçada. Como você gosta.&lt;br /&gt;Cerveja. Boa. Gostosa. Gelada.&lt;br /&gt;Chega de fruta. Homem gosta é de comer carne&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftn17" name="_ftnref17"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[17]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;       Após o dia 29 de setembro, a imagem de uma exposição de bonecas se fortaleceu na minha cabeça. Propus, então, às pesquisadoras Erica Vilhena e Joyce Malta uma ação integrada ao trabalho que eu e Lissandra já vínhamos desenvolvendo. Abaixo transcrevo o email que enviei, no qual estava contida minha proposta “brincando de bonecas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“...eu vou interagir com as instalações das três. não sei se vocês ficarão juntas ou separadas, mas penso que próximas é necessário, para configurar um único acontecimento: a exposição. como se fossem nichos, prateleiras ou vitrines. podemos andar com a exposição pelos quatro cantos da praça e cercanias.&lt;br /&gt;vou trabalhar com escrita em papel de propagandas e com o giz no chão. vou querer que, às vezes, vocês se deitem e eu possa desenhar seus corpos no chão e escrever. o trabalho demandará um tempo. podemos alternar suas ações e minhas escritas no chão. enquanto desenho uma, para escrever a partir dela, as outras continuam em ação. podemos também alternar a isso, uma ação conjunta. os três corpos deitados no chão.&lt;br /&gt;PROPONHO ESSA AÇÃO COMO UMA ESTRUTURA DE DIÁLOGO COM OS MATERIAIS DAS ATUANTES. NÃO QUERO CORPOS AO MEU SERVIÇO. PROPONHO O ESTABELECIMENTO DE UM DIÁLOGO EM TRABALHO. DE UMA ESCUTA DOS CORPOS E DAS POSSIBILIDADES DE AÇÃO DO OUTRO E COM O OUTRO. A PREPARAÇÃO SE FAZ NECESSÁRIA.&lt;br /&gt;enfim, essas são as questões que estou pensando...&lt;br /&gt;e pra vocês?”&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftn18" name="_ftnref18"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[18]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Um email. Minha tentativa de organizar uma proposta ainda muito incipiente. Algo me interessa muito na idéia de uma exposição de bonecas. Bonecas domesticadas pela tv. Expor a boneca das outras mulheres/transeuntes por meio dessas que proponho.&lt;br /&gt;      Da experiência concreta, realizada na Savassi, no dia 13 de outubro (não foi por acaso a proximidade com o Dia das Crianças), muitas coisas interessantes e potentes surgiram. Os corpos das mulheres mortas (o conjunto aumenta a potência disso). Aliás, o conjunto é bem favorável. Noções de invasão. As bonecas da Joyce, elas em série. Ela, mais uma. Reprodução de estereótipos, de corpos manequins de vitrine. Joyce escultura. O corpo martirizado de Erica, apertado pelas roupas pequenas demais e pelo salto alto. Sua felicidade idiota. As possibilidades de exploração de uma espetacularização exacerbada: o fio da navalha. Como quebrar o conforto/comodidade que ela proporciona, ordenando e explicando, tornando aceitáveis aqueles corpos/ações/invasão?&lt;br /&gt;      Muitas questões surgiram: como garantir essa ruptura do conforto que as câmeras proporcionam. Seria uma solução exacerbar mais ainda: invasão de paparazzi? A necessidade de estudo desse espaço a ser ocupado. E de outros espaços possíveis. O que queremos do espaço, o que dele é necessário?    Um estudo dos corpos: a hipérbole dos corpos? O corpo cotidiano? Os estados alterados: felicidade/martírio. Desfazimento dos corpos. O estudo das ações e relações: entre nós e de cada uma. Experimentar as variações de tempo e ritmo. As pausas. A relação com a escrita. Pensar um roteiro de ações? Também ficou a necessidade de maior organização e planejamento. Definir mais claramente os objetivos individuais e as possibilidades de rede.&lt;br /&gt;      Vejo uma imensa potência nessa exposição de bonecas, nessa estrutura aberta que articula nossas ações em uma rede colaborativa, num diálogo que ocorre no aqui e agora, no calor de nossa sala de ensaio, a rua. Interessa-me, sobretudo, isso. Essa obra se fazendo ali, do cruzamento de nossas vozes autônomas, de nossos fluxos paralelos. Em permanente diálogo.&lt;br /&gt;      Por meu lado, eu devo assumir esse corpo dramaturga atuante em fluxo também de escrita. Em permanente ação obscena filtrando espectadora a paisagem da rua. Estou dentro/fora? Que lugar é esse?&lt;br /&gt;Como vejo extrema potência nesse experimento que já estabelecemos, Lissandra e eu, entre escrita e ação, entre mortas que se multiplicam pelas ruas e essa  mulher objetos em suas diversas ações: numa ação concentrada, em determinado espaço. Ela nômade invasora de lojas espaços privados de consumo imediato.&lt;br /&gt;      Como viabilizar o aprofundamento desses experimentos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referências Bibliográficas&lt;br /&gt;BARRIGA, Merle Ivone. As Ações de Artur Barrio : um modelo não representacional para o ator contemporâneo. Dissertação de mestrado. Departamento de Artes Cênicas da ECA-USP, 2006.&lt;br /&gt;LEHMANN, Hans-Thyes. O Teatro Pós-Dramático. Tradução de Pedro Sussekind. Rio de Janeiro: Cosac Naify, 2007.&lt;br /&gt;REWALD, Rubens. Caos/dramaturgia. São Paulo: Perspectiva, 2005.&lt;br /&gt;SENE, Patrícia. Agrupamento de Ações: Aceita um café? Artigo inédito. Belo Horizonte, 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sites visitados:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.obscenica.blogspot.com/"&gt;www.obscenica.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; LEHMANN, Hans-Thyes. O Teatro Pós-Dramático. Tradução de Pedro Sussekind. Rio de Janeiro: Cosac Naify, 2007.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Interessava-nos, inicialmente, investigar os elementos marginais da mulher, ou aquela mulher que não cabia nos limites impostos pelo padrão do feminino vigente na sociedade brasileira: a louca, a puta, a velha e, ampliando a margem, os seres que transitam entre o masculino e o feminino: o travesti, o transexual etc. Posteriormente, com o andamento da pesquisa, nos foi apontada a necessidade de investigar também (para alguns de nós, como no meu caso, passou a ser o cerne da pesquisa) a construção do modelo hegemônico da mulher: a mulher padrão, o feminino rosa, aquele que a sociedade não só aceita, como fabrica.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Relato pessoal do encontro de 03 de março de 2008, no qual tivemos contato com o movimento internacional, anti-capitalista e feminista, Marcha Mundial das Mulheres, por meio de sua militante Hosana Passos. As frases presentes no relato foram escritas por mulheres durante oficina ministrada por ela.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Relato pessoal de 24 de março de 2008.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; “O autor-espectador é o escritor forçado a sair de seu gabinete, de sua clausura, de sua solidão imaculada. Para criar ele necessita olhar o outro, entender a criação do outro, dialogar com o outro, aceitar as regras do outro e fazer com que o outro aceite as suas. O autor-espectador tem de olhar para si e para o mundo ao mesmo tempo, e sua criação é a própria medida deste se colocar no mundo. Ele não pode se anular, aceitando totalmente as questões do outro em detrimento das suas, como também não pode impor a qualquer custo as suas idéias, sem ouvir o outro. Em ambos os casos o processo se empobrece, pois perde a dimensão do diálogo, da interação, necessários para sua evolução” (REWALD, 2005: 63).&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[6]&lt;/a&gt; Postado por Moacir Prudêncio em 21 de abril de 2008, no blog do Obscena. Ver em &lt;a href="http://www.obscenica.blogspot.com/"&gt;www.obscenica.blogspot.com&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftnref7" name="_ftn7"&gt;[7]&lt;/a&gt; A partir do estudo da dissertação de mestrado de Merle Ivone Barriga, As Ações de Artur Barrio : um modelo não representacional para o ator contemporâneo.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftnref8" name="_ftn8"&gt;[8]&lt;/a&gt; Uma das atividades do Obscena, em março, tinha sido o acompanhamento das palestras do Ecum – Encontro Mundial de Artes Cênicas – no qual tínhamos tomado um contato mais direto com este conceito, discutido pela pesquisadora canadense Josette Féral.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftnref9" name="_ftn9"&gt;[9]&lt;/a&gt; SENE, Patrícia. Agrupamento de ações: aceita um café? (artigo inédito). Belo Horizonte: 2008.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftnref10" name="_ftn10"&gt;[10]&lt;/a&gt; Relato pessoal de 19 de maio de 2008.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftnref11" name="_ftn11"&gt;[11]&lt;/a&gt; A caminhada consistia em percorrer um trajeto indeterminado, pela cidade, recolhendo materiais na rua que nos chamasse a atenção para, posteriormente, e sob o comando de Clóvis – que determinava o lugar para cada um de nós – montar uma instalação com os objetos recolhidos. Em seguida à montagem da instalação, deveríamos colocar nosso corpo em ação, junto com ela.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftnref12" name="_ftn12"&gt;[12]&lt;/a&gt; Ver relato de 26 de maio de 2008, em: &lt;a href="http://www.obscenica.blogspot.com/"&gt;www.obscenica.blogspot.com&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftnref13" name="_ftn13"&gt;[13]&lt;/a&gt; Intensificadas pela relação com o Teatro Marília, uma vez que lá dentro não estávamos encontrando espaço para desenvolver a pesquisa prática, em razão da dificuldade de termos acesso aos locais anteriormente acordados com a administração: palco, porão, vitrine e mezanino. Em geral, estávamos com o uso restrito à sala de reunião, adequada, somente, para os encontros teóricos.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftnref14" name="_ftn14"&gt;[14]&lt;/a&gt; Relato pessoal de 09 de junho de 2008, no qual descrevo a proposta para a mostra de junho.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftnref15" name="_ftn15"&gt;[15]&lt;/a&gt; Relato pessoal de 18 de agosto de 2008.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftnref16" name="_ftn16"&gt;[16]&lt;/a&gt; Relato pessoal de 21 de agosto de 2008.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftnref17" name="_ftn17"&gt;[17]&lt;/a&gt; Relato pessoal do dia 29 de setembro de 2008.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=194442382409353405#_ftnref18" name="_ftn18"&gt;[18]&lt;/a&gt; Email pessoal do dia 06 de outubro de 2008.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-4998954288401956951?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/4998954288401956951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=4998954288401956951' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/4998954288401956951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/4998954288401956951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2009/03/para-pensar-uma-dramaturgia-in-process.html' title='Para pensar uma dramaturgia in process ou Pode ser a escrita de rua uma dramaturgia do instante? ou Performando a dramaturgia'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-579898504766577316</id><published>2008-09-30T19:47:00.002-03:00</published><updated>2011-04-06T13:59:57.676-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos obscênicos'/><title type='text'>setembro das flores</title><content type='html'>O mês de setembro transcorreu em meio a mostras semanais: formato bem mais interessante, que atende à processualidade da pesquisa. Explico: antes vínhamos fechando os procedimentos/experimentos semanais no âmbito interno, restrito aos pesquisadores do obscena, com eventuais excursões de um e outro em suas aventuras cênicas. Só abríamos o trabalho para “visitação” pública nas mostras trimestrais: tal ação acabava por ter um aspecto de apresentação.&lt;br /&gt;Com a abertura dos trabalhos de investigação ocorridos durante a semana, ou seja, no dia-a-dia da experimentação, da investigação em ação de cada um de nós, conseguimos, parece-me, atingir o caráter processual inerente à pesquisa que estamos nos propondo a realizar. Falo dos trabalhos públicos que ocorreram nos dias 08, 15, 22 e 29.&lt;br /&gt;Nos dias 15 e 29, realizamos, eu e Lica, mais algumas investigações em torno do experimento que intitulamos &lt;em&gt;&lt;strong&gt;cidade das mortas&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. No dia 15, já registrado em relato anterior, eu e lica nos encontramos mais cedo na casa dela, de onde saímos por volta das cinco e meia da tarde. Como já havíamos experimentado dias à tardinha, início da noite e gostado das possibilidades, optamos por começar o trabalho mais cedo do que o marcado para o encontro dos obscênicos. Nesse dia, novamente trabalhamos na praça da estação e na praça sete. Na praça da estação comecei a filmar a lica, ação logo complementada por Fernando. Também não demorou muito e apareceu a guarda municipal. Evento, tem que ter autorização. Como tem que ter autorização a palavra escrita dano ao patrimônio público pichação em giz. A palavra escrita, o registro, são marcas inegáveis de uma subversão da ordem. São marcas do perigo.&lt;br /&gt;Na praça sete a escrita sujeita ao giz. Aqui, o chão é liso e possível. Praça reformada para descentralizar o centro, esse olho do furacão. Aqui, o fluxo de passantes nos engole e esconde. O centro da cidade é um circo e nele faremos o círculo, percorrendo todos os monumentos dessa praça para terminar no monumento MacDonald´s, com seu imenso M. mulher.&lt;br /&gt;Quem é essa mulher? Não é possível explicar, é necessário construir.&lt;br /&gt;No âmbito desse trabalho, a minha questão principal se relaciona com a prática de dramaturgia que tenho proposto. Dramaturgia do instante. Coincidindo com a investigação dessa escrita no espaço da ação, vários foram os encontros felizes ocorridos nesse mês das flores e tempestades de granizos: as discussões no projeto laboratório acerca do conceito de &lt;strong&gt;intervenção urbana&lt;/strong&gt;, a presença marcante de Antônio Araújo, a tese de José da Costa sobre as &lt;strong&gt;escrituras cênico-dramatúrgicas conjugadas&lt;/strong&gt;; que acabaram por me colocar diversas questões em relação a essa pesquisa: da relação com o espectador/transeunte, das possíveis formas de inscrição textual, do lugar do “dramaturgo”, do texto como elemento material e da dramaturgia como escritura/leitura. E ainda: a mim caberá o todo? Tais questões apareceram mais fortes após a experiência do dia 29.&lt;br /&gt;Savassi. Dia 29 de setembro. Dessa vez, saímos do Sion. Lica propôs experimentar sonoridades e corporalidades animais. A proposta hoje era percorrer as lojas, vitrines. Interagir com o ambiente consumo. Sempre que possível – o chão ali não ajuda muito – deixaríamos algumas mulheres mortas pelo chão. Ali, recuperei novamente a escrita no papel de propaganda. Escrita cartaz.&lt;br /&gt;Mas não nos apressemos. Percorramos o percurso. Avenida Nossa Senhora do Carmo. Os carros em alta velocidade e os pedestres perplexos. Aqui o chão é liso. Bêbados nos tiram a concentração. Esse corpo mulher sacolas atravessa a avenida. Olha ela na passarela.&lt;br /&gt;Esse corpo mulher sacolas perambula pelas lojas do Pátio Savassi. Gravar não pode. Só o celular democrático de uso geral. Todo mundo tem câmera Bluetooth mp3. as caras nas câmeras redes de TV. A câmera caracteriza normaliza o acontecido. Este se torna evento. Teatro arte propaganda marketing novela das oito. Filme. No mundo do mercado o mercado explica tudo? É necessário criar o atrito. O estranhamento. Essa mulher produzirá sonoridades corporalidades animais.&lt;br /&gt;Por que você está vestida assim? E você? Por que a prancha escova progressiva inteligente jeans da moda o roxo bata pode. Por que o sexo forçado marido namorado um tapinha não dói. Homem faz sexo mulher faz amor lipoaspiração drenagem linfática. Tintura. Depilação epilação hidratação cauterização ballayage plástica botox silicone. Não é possível explicar, desculpe o transtorno. Estamos trabalhando para você.&lt;br /&gt;Descemos a rua em atrito com as lojas que encontramos pelo caminho. Drogaria Araújo. A mulher super vaca maravilha rebola reboa seu sino nos corredores vidros prateleiras produtos. A ação é sutil. O som na drogaria. A pose em frente às lojas da Rede. Em frente à Travessa, o diálogo com a estátua da mulher escritora. A prateleira de bonecas da loja de brinquedos. Aqui, as escritas se multiplicam, geradas pelo atrito contato com esses mundos. Materiais. A prateleira rosa. O banquinho branco em frente aos contos de fadas da melissa. A estátua escritora e a boneca de papel da propaganda de desodorante.&lt;br /&gt;Mulher. Uma obra em construção.&lt;br /&gt;Quem é a obra de quem?&lt;br /&gt;Filé. Delícia. Gostosa. Carne de primeira. Gatinha. Cachorra. Cadela. Vaca jaca galinha piranha. Mulher melancia. Mulher da vida. Mulher da zona. Mulher da comédia. Mulher à toa. Mulher. A esposa em relação ao marido. Moça que atingiu a puberdade. Samy. 18 aninhos. Morena gostosa. Safada, sapeca como você gosta. 100% completa. Sexo anal total. 69 gostoso. Foto original sem retoque. Gosto de beijar. Amar. Cuidar. Transar. Mesmo sem vontade. Esquecer. Perdoar. Compreender. Sujeitar. Sacrificar. Esquecer. Esquecer. Embalar. Adestrar. Ensinar. Mesmo sem vontade. Educar. Amamentar. Brincar. Parir. Amar. Limpar. Passar. Jogar no rio. Na privada. Na esquina. Na esquina.&lt;br /&gt;Desculpe o transtorno estamos trabalhando para você. Uma obra em construção. &lt;em&gt;Barbies&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;Pollys&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;Princess all globe&lt;/em&gt;. Bonecas domesticadas pela TV. Hidratantes. Desodorantes. Perfex. Batom. Antiaderente. Drenagem linfática Jet bronze endermologia com arte é diet light in out &lt;span style="font-family:courier new;"&gt;enterrada menina de 14 anos encontrada morta e estuprada&lt;/span&gt;. Metida. Fodida. Arregaçada. Como você gosta.&lt;br /&gt;Cerveja. Boa. Gostosa. Gelada.&lt;br /&gt;Chega de fruta. Homem gosta é de comer carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&lt;strong&gt;ina Caetano&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-579898504766577316?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/579898504766577316/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=579898504766577316' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/579898504766577316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/579898504766577316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2008/09/setembro-das-flores.html' title='setembro das flores'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-6487042021624015326</id><published>2008-09-15T19:44:00.001-03:00</published><updated>2011-04-06T14:00:39.764-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos obscênicos'/><title type='text'>cidade das mortas: experimento cênico inacabado número zero.</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:courier new;font-size:130%;"  &gt;&lt;strong&gt;Ação/situação para uma dramaturga e uma atriz.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Quem é a obra de quem? Mulher: uma obra em construção. Desculpe-nos o transtorno. Estamos trabalhando para você. Não é possível explicar, é necessário construir.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Alguma hora da noite e estamos na &lt;strong&gt;Praça Sete&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Uma mulher caminha carregada de sacolas. Seu corpo objetos. Embalagens plásticas metalizadas produtos de limpeza cosméticos mantimentos eletrodomésticos utensílios do lar higiene pessoal familiar.&lt;br /&gt;Uma outra mulher a segue, nas mãos uma embalagem de creme de cabelo da qual saca seu instrumento. Um giz. A dramaturga vai desenhar e escrever continuamente. Narrativas jornalísticas poéticas científicas dicionarescas inventadas documentais. Escritas do momento.&lt;br /&gt;A mulher objetos caminha. Instala seu corpo no espaço. Nos monumentos. Nas ruas. Destaca a arquitetura. Deita-se no chão.&lt;br /&gt;A dramaturga desenha. A Cidade das Mortas. Seus corpos objetos no calçamento da cidade. Os anúncios das prostitutas de Curitiba devem percorrer esses corpos mortos, desenhos a giz no chão. Também devem estar lá o verbete do Aurélio e o inventário de tarefas inúteis. As manchetes e estatísticas. E os desejos de consumo das mulheres domesticadas pela tv. A dramaturga já começa a criar preferências. Ah, adoraria poder deitá-la no asfalto. Desenhá-la em meio aos carros. Parar o trânsito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:courier new;font-size:130%;"  &gt;Mulher. O ser humano do sexo feminino capaz de conceber e parir outros seres humanos e que se distingue do homem por essas características. Mulher da vida. Meretriz. Mulher à toa. Meretriz. Mulher da comédia. Meretriz. Mulher da rua. Meretriz. Mulher da zona. Meretriz. Mulher.&lt;br /&gt;Parir. Limpar. Amamentar. Trocar. Compreender. Amar. Sujeitar. Sacrificar. Lavar. Passar. Esquecer. Esquecer. Esquecer. Perdoar. Aquecer. Embalar. Beijar. Lamber. Chupar. Dar de mamar. Transar. Mesmo sem vontade. Mulheres domesticadas pela tv. Mulheres eletrodomésticas.&lt;br /&gt;A mulher em relação ao marido. Esposa. Rolinhos pregadores talhares bicos de mamadeira chupeta fralda peneira vassoura escova botão linha tampa bombril perfex avental sutiã calcinha meias batons potes hidratantes depiladores filhos planos de saúde férias marido. Feia. Gorda. Velha. Usada. Jogada fora.&lt;br /&gt;A gente pensa que é mulher e é só fêmea. Bichinho de estimação. Gatinha. Cachorra. Cadela. Vaca. Galinha. Piranha. Filé. Gostosa. Gostosa. Samy. 20 anos. Morena mestiça. Safada e sapeca. 100% completa. Sexo anal total. Gosto do que faço.&lt;br /&gt;Corpo receita sexo beleza corte cabelo cor unha esmalte batom inverno verão diet light in out Enterrada a jovem de 14 anos encontrada estuprada e morta.&lt;br /&gt;Moda revista filhos baby sitter babá empregada carro seguro colégio celulite flacidez plástica estética beleza jet bronze limpeza de pele completa eletrólise depilação de última geração massagem redutora massagem relaxante drenagem linfática vácuo com endermologia e arte.&lt;br /&gt;Uma mulher é feita de arestas, becos, buracos. De sangue, veias, garganta. Uma mulher é feita de voz, pernas, pensamento e útero.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A mulher objetos atravessa as avenidas, avança para a Praça da Estação. Caminha entre os pontos de ônibus e deita-se na passagem dos pedestres.&lt;br /&gt;A dramaturga tem especial afeição pelas passagens de pedestre. O chão é liso e inclinado. O espaço é razoável e atrapalhamos o trânsito.&lt;br /&gt;Nina Caetano. BHZ. 15 de setembro de 2008.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-6487042021624015326?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/6487042021624015326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=6487042021624015326' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/6487042021624015326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/6487042021624015326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2008/09/cidade-das-mortas-experimento-cnico.html' title='cidade das mortas: experimento cênico inacabado número zero.'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-8350921477581391232</id><published>2008-08-21T11:52:00.001-03:00</published><updated>2011-04-06T14:01:01.282-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos obscênicos'/><title type='text'>Aniversário</title><content type='html'>Hoje ela faz 40 anos. Mas nem parece. Hoje não há festa nem glamour. Vestida de branco, um carrinho de feira lotado de sacolas, balde, bacia, rodo e apetrechos variados, tamancos e uma capa (véu de noiva?) de supermulher vaca maravilha. Ela parte para a praça. Para a rua. Para o trabalho diário. Não, esse não é o seu trabalho. Ou por outra, é. Mas que trabalho é esse?&lt;br /&gt;Partimos as duas para a rua. Ela armada com seus objetos. Eu, com minhas narrativas e meu olhar que registra sua passagem. Saímos de sua casa, na Floresta, e caminhamos pela avenida, carros passam, até o metrô. No caminho, os homens não se agüentam. A roupa branca, a calcinha sob a transparência... ah, os homens!&lt;br /&gt;Descemos e subimos as escadarias do metrô. Eu caminho a certa distância. Alguém ajudará essa mulher? Um senhor oferece para carregar o carrinho. Cavalheirismos...&lt;br /&gt;Saímos na praça da estação. Ainda é dia. Cinco horas. O trânsito é intenso. De transeuntes. De carros. A supermulher noiva maravilha posa junto à fonte. Repito. Centenas de noiva retratam seus dias de glória assim, felizes em praça pública. Ou parques. Ou shoppings. As noivas e seus noivos objetos posam felizes. Antes que seja tarde.&lt;br /&gt;A mulher noiva vaca maravilha empilha embalagens e mais embalagens plásticas. Distribui bandejas e bandejas de isopor pela praça.&lt;br /&gt;“Você é artista plástica?”, pergunta uma mulher que logo começa a trocar confidências com ela. Irmãs na desgraça, solidárias no conselho. “Mas você vai voltar pra ele? Onde é que ele tá?” “Tá lá, namorando a outra.” E as mulheres continuam insistindo em construir seus castelos sozinhas.&lt;br /&gt;Os guardas perguntam: “o que ela está fazendo, o que é isso? Você está com ela?”. Os guardas têm medo do que foge à ordem. E olham de longe.&lt;br /&gt;Aos poucos, lanço alguns registros dessa passagem sobre o cimento da praça. Um dia, quando pequena, sua mãe a levou a uma exposição de bonecas. Bonecas de porcelana, bonecas de louça. Bonecas de plástico. Bonecas de trapo.&lt;br /&gt;Mais adiante, um rol. Parir. Amar. Cuidar. Limpar. Transar. (mesmo sem vontade).&lt;br /&gt;A mulher de 40 muda de roupa. Muda de hábito, persona. Agora ela é outra e empunha balde e rodo como espada e balança. Sempre me lembrará a estátua da justiça nesse longo tubo de malha cinzento. A mulher justiça posta-se ao lado da árvore solitária e juntas compõem um monumento. Em breve, ela recolherá os objetos. Partiremos em nossa caminhada pela cidade das mortas. Ali ela ficará só o tempo da estátua.&lt;br /&gt;Partimos para a caminhada. Para isso, ela troca novamente o hábito. A gente é aquilo que consome. Mulher bacia, mulher vassoura. É bonito vê-la se preparar. Ela coloca seus apetrechos, recolhe seus objetos. Mulher touca na cabeça e boneca de plástico. Mulher de plástico, meias e conformações. Prepara o carrinho de feira, seu companheiro jurado em frente à fonte. Afinal, a mulher precisa ter onde se apoiar. A mulher está em obras, desculpem o transtorno. Estamos trabalhando para você.&lt;br /&gt;A mulher objetos parte. Dessa vez, ela fala. E muito. Subimos a Praça da Estação em direção à Praça Sete. E ela fala. Só se cala ao deitar-se no chão, modelo vivo de uma mulher morta. E sua fala se materializa escrita. Ela me inspira desvios. Fluxos velozes de giz. As mulheres mortas ficam na Estação e partimos. Na Praça Sete, os quatro cantos. Monumentos animados dessa mulher objeto. Outras mulheres objetos. Corpos mortos na paisagem da cidade. Mulheres bichinhos de estimação. Mulheres bonecas em exposição. Mulheres noivas. Mulheres rol. Registros de nossa passagem, marcas do nosso diálogo.&lt;br /&gt;Agora já é tarde e estamos cansadas da lida. Voltar para casa lar reduto do feminino. Ela se desmonta, pega o seu carrinho companheiro de trabalho. Ela parte. Eu vou embora pensando que esse agosto que nos pariu é prenhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nina Caetano&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-8350921477581391232?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/8350921477581391232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=8350921477581391232' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/8350921477581391232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/8350921477581391232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2008/08/aniversario.html' title='Aniversário'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-5426195748042784078</id><published>2008-07-19T17:29:00.002-03:00</published><updated>2011-04-06T11:04:35.310-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='críticas de espetáculos'/><title type='text'>texturas puras da cena</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;O dramaturgo-encenador é um pintor que dispõe de uma paleta viva; o ator guia a sua mão na escolha das cores vivas, na sua mistura, na sua disposição; depois, penetra ele próprio nessa luz e realiza, em duração, o que o pintor só teria podido conceber no espaço.&lt;br /&gt;(Adolphe Appia)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Textura é o aspecto de uma &lt;a title="Superfície" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Superf%C3%ADcie"&gt;superfície&lt;/a&gt; ou seja, a "pele" de uma forma, que permite identificá-la e distinguí-la de outras formas. As texturas artificiais – a cena é uma delas – resultam da &lt;a title="Intervenção" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Interven%C3%A7%C3%A3o"&gt;intervenção&lt;/a&gt; &lt;a title="Humana" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Humana"&gt;humana&lt;/a&gt; através da utilização de materiais e &lt;a title="Instrumentos" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Instrumentos"&gt;instrumentos&lt;/a&gt; devidamente manipulados. Em música, textura é a qualidade global do som de uma obra musical, mais freqüentemente definida pelo número de &lt;a title="Invenção" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Inven%C3%A7%C3%A3o"&gt;vozes&lt;/a&gt; na música e na relação entre essas vozes. Uma textura polifônica, em música – como no teatro – contém duas ou mais linhas de voz independentes. Como tecer as diversas vozes presentes na criação?&lt;br /&gt;Aposta do Núcleo dos Festivais Internacionais de Artes Cênicas do Brasil – que, há cada dois anos viabiliza um projeto de montagem a ser apresentado em todos os festivais que o integram (Festival Internacional de Londrina, Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, Porto Alegre em Cena, Festival Internacional de Teatro Palco &amp;amp; Rua de Belo Horizonte, Cena Contemporânea Festival Internacional de Teatro de Brasília e riocenacontemporanea), &lt;em&gt;Congresso Internacional do Medo&lt;/em&gt;, montagem realizada pelo grupo Espanca!, de Minas Gerais, é uma aula de inquietude e rigor cênico.  Realizado em processo colaborativo – e obra ainda em processo – a partir do título do poema de Carlos Drummond de Andrade, essa montagem talvez seja o exemplo mais acabado do conceito proposto para essa edição do FIT São José do Rio Preto, expresso por Luis Fernando Ramos no provocativo ensaio que integra a revista do festival. Diz ele: “Pensar a dramaturgia da cena (...) como puro opsis, matéria concreta tornada visível, textura. Nessa hipótese, criar uma cena menos do que tecer um novelo de ações (...) seria constituir uma semântica de superfícies, tessitura de cores e imagens, apresentação de objetos não previamente identificados”.&lt;br /&gt;Precisamente é o que se vê na cena urdida pela insólita artesã diretora dramaturga orquestradora de vozes Grace Passô. No palco, uma mesa de tronco sobre um tablado coberto por um tapete pele de vaca. À direita e à esquerda, ao fundo, dois vasos grandes de planta. À frente, à esquerda, um enorme filtro de água. Ao fundo, à direita, uma cadeira de rodas. Estranha mistura em que a limpeza quase asséptica do cenário contrasta com os elementos naturais que o compõem. Terceiro sinal. As luzes se apagam. No escuro, corpos adentram o palco. Suspensão. Ainda no escuro, eles se movem. Pequenos flashes de luz formam quadros à sua passagem. Suspensão. Algo que já não está ali se instala. O congresso. O tempo da construção. Silêncio. Nada está dado. Os congressistas, cinco, vestidos de branco, se instalam na mesa. Representarão culturas nações diferentes, dado manifesto nas vestimentas que trajam. Índios. Um ocidental. Oriente Médio. Os bailarinos, com quimonos pretos, instalam-se próximos ao filtro. Na cadeira de rodas, a tradutora. Mais que personagens, os seres que transitam em cena são quase metáforas construídas a partir de traços que negam a reprodução mimética. A mulher encoberta, o homem dos animais, o homem das utopias...&lt;br /&gt;Jogando com simultaneidades, superposições de discursos e sistemas, passagens quase em &lt;em&gt;fade&lt;/em&gt;, a insólita Grace tece pura dramaturgia da cena. Sao elementos poderosos desse jogo a interessante manipulação do discurso verbal, em que línguas inventadas se misturam ao registro poético do habitante da Ilha do Cedro/Pau Brasil. Interessante jogo de perversão de sentidos entre a palavra expressa e a tradução da palavra. O jogo poético com as palavras, as palestras em outras línguas, desconstroem constroem outros sentidos. Bem como a presença dança dos bailarinos peixes em extinção, outras camadas. E as camadas sentidos significâncias vão sendo construídas – repito, aqui nada é dado – não só pela cena, mas também por nós que, sentados nas cadeiras da platéia, somos chamados a sacrificar nossa passividade confortadora  e, ativos espectadores dessa cena múltipla, rugosa, também criar. Aqui, ontem, nós também parimos. &lt;/div&gt;Nina Caetano&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-5426195748042784078?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/5426195748042784078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=5426195748042784078' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/5426195748042784078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/5426195748042784078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2008/07/texturas-puras-da-cena.html' title='texturas puras da cena'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-941203824999669248</id><published>2008-07-16T03:13:00.003-03:00</published><updated>2011-04-06T11:05:02.917-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='críticas de espetáculos'/><title type='text'>como dançar um tango</title><content type='html'>Seis refletores. Três biombos em cena. Em cena, pouquíssimos objetos que se entrelaçam na tessitura dessa trama tango tragicomédia. Pente. Bule de café. E rosas. As rosas.&lt;br /&gt;Inteligente, sofisticado e preciso, o Teatro Independente, composto por jovens artistas do Rio de Janeiro, nos surpreendeu com o belo trabalho livremente inspirado no universo rodrigueano. De uma maturidade técnica impressionante para a idade de seus realizadores – são todos, entre dramaturgo, diretor e atores, jovens abaixo de 25 anos - O espetáculo &lt;em&gt;Cachorro!&lt;/em&gt;, que teve sua última – e quente – apresentação realizada nessa segunda, dia 14, no Sesc de São José do Rio Preto, foi uma experiência apaixonante. O jogo sutil, quase cinematográfico, das sombras (como é cinematográfica a opção dramatúrgica, feita de cortes e edições, sublinhadas pela movimentação dos biombos). A gestualidade marcada dos atores. As pérolas verbais engendradas pelo brilhante dramaturgo Jô Bilac, numa bela dosagem de cotidiano e lirismo. Sem o moralismo de Nelson, o espetáculo texto trama nos mergulha nos meandros viscerais do desejo, sem perder, em absolutamente nada, a potência patética, ridícula, desse triângulo em que se debatem a mulher, o marido e o amante.&lt;br /&gt;Uma voz em off (que logo descobrimos ser de uma cartomante) prenuncia o desfecho. A sombra de Solange, a mulher, escuta. Em breve, o triângulo se formará no palco, prenunciam as sombras. Nesse jogo, não haverá culpados. Só desejo. Corpos. Carne. E sangue. Mas o sangue ainda está distante. Quase nos esquecemos dele, apesar da mórbida obsessão – obsessão não, interesse – de Solange por recortes de jornal que anunciam a tragédia de cada dia. Solange coleciona mulheres mortas. É maravilhosa a cena – que passa do cômico ao patético num gesto – em que Apoprígio, o marido, revela ao amigo, freqüentador assíduo nos horários de almoço e já “de casa”, a morbidez da mulher: ela já beijou o cadáver de uma prostituta. Instaura-se a repetição cômica: o Almeidinha já beijou homem, o primeiro beijo do marido foi em um cabrito. No auge da explosão dos risos, em que Solange e Almeida ensaiam uma cumplicidade, Apoprígio agarra a esposa. Um beijo longo, profundo, cheio de desejo. E vemos o amante traído, ferido. Cadê o amor de conta-gotas do casal? “Eu sou mais corno, porque eu sei e concordo.” As máximas do texto, originais, brincam com a dicção típica de Nelson (vale notar que a palavra Cachorro! não é mencionada uma única vez no texto inteiro). Elas desfilam, entre irônicas e pungentes. “O nosso amor não pega sol”, reclama o amante, num rasgo apaixonado. A mulher, dividida de corpo e alma entre o amor de marido e o amor de amante, lança, no momento culminante da tragédia: “o que você queria? Que eu dançasse frevo?”&lt;br /&gt;Mas... e as rosas? Não posso deixar de mencionar aqui o belíssimo desfecho, prenunciado desde o início deste modesto comentário: enlouquecido de desespero e ciúme, o amante, Almeidinha, escreve uma carta anônima ao amigo, na qual relata tudo. Ele planeja um flagrante, à tarde, na cama do marido. Durante o almoço, Apoprígio, engasgado literalmente com a carta recebida, acossa o casal de amantes (mais uma pérola: “anônimo não mente!”). O marido sai para o trabalho. Ele sabe, diz Solange. Almeidinha pede: morre comigo. Em um belo movimento de tango, o canivete passa da mão do amante para a da mulher, e das mãos da mulher para o ventre dele. Apoprígio retorna à casa. Traz rosas vermelhas e um presente na mão. Palavras cruéis, lancinantes, são trocadas entre o casal. Desesperada, ela o fere com a boca como havia antes ferido o amante com a lâmina (me desculpem a licença poética). Último acorde: lançada em meio às rosas vermelhas, Solange é sufocada pelo sangue pétalas mãos de marido. Ùltima convulsão: ele, o marido, desembrulha o presente que levara. Um bombom. Ele devora. E em mim acontecia um fenômeno raro: eu chorava e ria ao mesmo tempo. E não estava sozinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-941203824999669248?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/941203824999669248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=941203824999669248' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/941203824999669248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/941203824999669248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2008/07/como-danar-um-tango.html' title='como dançar um tango'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-5431354589205065674</id><published>2008-07-11T17:09:00.002-03:00</published><updated>2011-04-06T13:58:25.634-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='críticas de espetáculos'/><title type='text'>olhares obscenos</title><content type='html'>festival internacional de teatro de são josé do rio preto. 11 de julho de 2008. ontem assisti &lt;strong&gt;&lt;em&gt;aqueles dois&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, montagem do luna lunera sobre a obra de caio fernando abreu.&lt;br /&gt;preciso falar sobre eles.&lt;br /&gt;Os atores se aquecem. Seus corpos brincam/dançam no espaço. O público entra. Primeiro sinal: uma carta de Caio. O público entra. Os atores se preparam. Ajudam o público a se acomodar. Revezam-se ao microfone. Pequenas pílulas do que virá depois.&lt;br /&gt;As narrativas permearão todo o trabalho. Os quatro atores revezam-se agora, os corpos em contato, como se revezarão para compor esses dois homens, mas não só. São várias as camadas dessa textura (texto, obra, história?) e instâncias de atuação. Revezam-se personagens, narradores, atores narradores e os atores criadores dessa tessitura. A história de dois homens – almas especiais num deserto de almas – mistura-se ao processo de criação da obra. O processo está ali e se desenvolve aos olhos do espectador. Texturas. A obra não está sozinha. Raul e Saul confundem-se com seus criadores. Confundem-se gostos e almas.  Quais discos são de Saul (ou Raul?), quais são do ator? É o pássaro Gardel quem desafina na última nota ou é o ator que empresta seu assovio? Ele desafina na última nota, reparou? É tão bonitinho... isso se viu aqui. Como vimos o encontro no café de todo dia. A rotina da repartição. Os filmes que os unem (são Raul e Saul que gostam de Almodovar ou são os atores?).&lt;br /&gt;O que não vimos, eles nos contam. Escolhem trechos do conto, revelam seus pensamentos/posições sobre os personagens. Dedicam aquele dia a alguém. Eles sempre dedicam. Hoje, aqui em são josé, o espetáculo será dedicado a Roberta Carreri e Torgeir Wethal, companheiros de Eugênio Barba e é ele quem diz: será ação tudo aquilo que atingir o espectador em sua sinestesia ou compreensão. A dramaturgia nada mais é do que isso. Composição de ações e o texto, nada mais que tecido, trama, tessitura. Aquilo que atinge não só o espectador, mas o criador engajado na obra.&lt;br /&gt;No ínicio, um dos atores, Odilon, diz as palavras de Caio: as pessoas reclamam que eu transformo em palavras todo o meu processo mental, “processo mental”, é assim que eles falam, e eu acho engraçado.  E que isso assusta as pessoas, que é preciso disfarçar, enganar, mentir, esconder e eu não queria que fosse assim. Queria que as coisas fossem mais simples, mais claras, mais limpas.  E o ator diz: “Caio Fernando Abreu, Carta pra além do muro, página 249. Eu não lembro o nome do livro, da edição, mas a página eu nunca esqueci. Página 249”. Lembrei-me disso porque não posso deixar de mencionar o que me parece ser a questão fundamental que move a criação dessa obra: a relação entre as representações sociais e teatrais. Porque aqui tocamos nas máscaras, fingimentos e preconceitos. Tocamos no olhar do outro. Eu disse que o processo se desenvolve aos olhos do espectador. Sob esse olhar obsceno. Como são obscenos os olhos vazados, sem íris nem pupilas que nos olham no final. Desenhos na parede do fundo daquele galpão preparado para receber essa montagem. Olhos vazados, sem expressão nem sentimento. Olhos incapazes de ver para além das imagens que já conhece. Das representações que já domina. Dos rótulos que propaga. E que serão infelizes. Se deus quiser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-5431354589205065674?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/5431354589205065674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=5431354589205065674' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/5431354589205065674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/5431354589205065674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2008/07/olhares-obscenos.html' title='olhares obscenos'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-8453712512533140680</id><published>2008-06-17T13:41:00.001-03:00</published><updated>2011-04-06T13:59:29.888-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>o julgamento</title><content type='html'>– Nem bonita, nem feia. Secretária. Eu ficaria muito grata se você, antes do início da sessão, me fizesse um pequeno relato sobre o caso.&lt;br /&gt;– Ela saía muito cedo de casa. Ainda tava escuro. Qualquer dia desses, ela ia ser encontrada morta num beco sujo. Um dia ela tava caminhando e uma coisa aconteceu. Ela viu o sol.  Mas um lapso e o escuro. Um cano estourou perto dela. Pausa. Aquilo dava um aperto no coração. Podia ter estourado dentro dela.&lt;br /&gt;(A rua tava vazia. Só uma mulher. Bonita, loura. Loura gelada... )&lt;br /&gt;– Um lapso e ela continua o caminho. Pela cidade deserta. A rua tava vazia. Um homem. Seria o príncipe encantado que iria salvá-la? Amá-la? Casá-la? Matá-la? Desviou, sumiu de vista. Naquela hora, parecia que tinha uma outra cidade na cidade. Outras ruas. Invisíveis. Atravessa a rua. Toma um café na lanchonete da esquina e fuma um cigarro. Ela tinha que bater o cartão. Às oito e ponto. Mas alguma coisa aconteceu. Entre as 06:15, quando despertou, e o momento em que devia pegar o metrô. O metrô estava lotado. Como sempre ela ia em pé. Na ida, todos iam silenciosos. Mas na volta, não. As pessoas falavam sem parar. A senhora já reparou nisso? Já?&lt;br /&gt;(A loura. Aproveitava o metrô lotado para roçar na loura. Gostosa. Ela endurecia o corpo, mas deixava. Ela desce do metrô e ele a perde.)&lt;br /&gt;– Ela desce do metrô e entra no prédio. Primeiro andar.  Os corredores. Segundo. Terceiro. Quarto. Cumprimenta as pessoas. Quinto. Sexto. Sétimo. O escritório. No oitavo andar.&lt;br /&gt;– Os fatos. Vamos aos fatos. Vejo que os senhores jurados já ocuparam seus lugares. É um prazer tê-los aqui, tão dispostos a ajudar... Desculpem, mas o crime ainda não foi encontrado.  A senhora, por favor, quer se sentar?&lt;br /&gt;– Sim, senhora. Quero. O que foi que eu fiz?&lt;br /&gt;– Nada. A senhora não fez nada. Por favor, comecemos o julgamento. A senhora. Pode sentar-se.&lt;br /&gt;– Sim, senhora. Mas o que foi que eu fiz?&lt;br /&gt;– A senhora ainda não fez nada. Mas vai fazer. Até o fim do julgamento, a senhora vai fazer. Por favor, prossigamos.&lt;br /&gt;– Eu só estava um pouco atrasada. Sempre pegava o metrô às sete e meia. Sempre. Mas hoje alguma coisa saiu errada. Às 06:30 ela acaba o banho. Coloca a roupa. Passa o batom. Nem bonita nem feia. Secretária.&lt;br /&gt;– Lembre-se que está num Tribunal do Júri.&lt;br /&gt;– Eu preciso fumar um cigarro. Digo, ela. Ela.&lt;br /&gt;– Estou disposta a pesar todos os lados da questão. Mas os fatos. Não a história.&lt;br /&gt;– Desculpa, foi o stress. Eu já disse que ela era frígida?&lt;br /&gt;– Mas disso não consta uma só palavra na acusação. Como devo julgar? Onde está a pasta com a acusação? Preciso dela. Preciso saber quem são os acusados. Como posso saber?&lt;br /&gt;– Ela esquecia as palavras. Não sabia falar com ninguém. Ela era frígida. O que me matou foi o sorriso do meu patrão, doutora!&lt;br /&gt;– Então confessa?&lt;br /&gt;– Eu estava ali. Sem calcinha. Loira, aproximadamente 28 anos. Sozinha. Ninguém reclamou o corpo.&lt;br /&gt;– Qual foi o crime? Ela matou ou foi morta?&lt;br /&gt;– Não sei, doutora. Ainda não aconteceu.&lt;br /&gt;– Vamos aos fatos!&lt;br /&gt;– Ela vai começar do jeitinho que ela começou. Sabia que podia fazer de maneira organizada. Tudo vai dar certo.&lt;br /&gt;– É fácil dizer isso. Mas eu tenho de conduzir um julgamento. Hoje em dia, não é fácil saber onde está a justiça. Eu já li isso em algum lugar? Vamos aos fatos. Foi um dia normal? A senhora tinha feito seu trabalho direito?&lt;br /&gt;– Sempre pegava o metrô às sete e meia. Mas naquele dia as pessoas me olhavam esquisito. Sempre. Não, aquilo era coisa da cabeça dela. Ela era invisível. Ninguém a via, nunca.&lt;br /&gt;– Então como ele sabia que a senhora estava lá?&lt;br /&gt;– Ela sempre quis ser linda. Ser modelo, atriz. Bailarina. Mas ela era invisível.&lt;br /&gt;– Como ele sabia que a senhora estava lá?&lt;br /&gt;– Pelas minhas ações e pela minha voz. “O senhor deseja alguma coisa?”&lt;br /&gt;(Desejo, sim...)&lt;br /&gt;– De repente eu fiquei zonza! Perdi a noção. No chão, os papéis espalhados. Minha meia rasgada. Eu fiz muito esforço para chegar até aqui e é assim que o senhor me trata?&lt;br /&gt;– Então você confessa? Você sabe muito bem que se pode insultar alguém sem usar a voz. Basta um gesto.&lt;br /&gt;– Sempre pegava o metrô às sete e meia. A blusa branca. De botões. O sapato preto. Tudo organizado. Às 06:30 eu acabo o banho. Digo, ela. Ela coloca a roupa. Digo, eu. Eu gosto de vermelho. Mas passo um batom rosa. Digo, ela. Ela machucou a boca na quina da cama. Eu. Ela. Ela adora passar batom. Ela não é bonita. Mas fica linda de batom.&lt;br /&gt;– Uma ameaça.&lt;br /&gt;– Ele nunca me ameaçou. Ele nunca me olhou. Ele nunca falou comigo. Ele tinha do bom e do melhor. Bebida, só importada. Carro do ano. E uma mesa nova. Caríssima. Era artigo de qualidade. E muito útil. A mesa valia mais do que eu. Digo ela.&lt;br /&gt;– Basta a opressão diária.&lt;br /&gt;– Era artigo de luxo. Ela era um objeto útil. Funcional. Mas ordinário. Substituível. Não tinha sido esculpida, grafada, assinada. Nem desenhada por ninguém. Sua vida não tinha poesia. Ia morrer saltando de uma janela imunda, num cubículo imundo na área do meio dos prédios. O prédio fechado. Sete e meia da noite. E ninguém ia ver.&lt;br /&gt;– A proibição de fazer o que se sente.&lt;br /&gt;– Volta ao escritório. Servimos bem para servirmos sempre! Trabalhava como se fosse o último dia de sua vida. As folhas amarelas são requerimentos. As verdes vão para a contabilidade. Ela cumprimenta a colega: “Obrigada pelas flores!”.&lt;br /&gt;– A proibição de se dizer o que se pensa. Aquilo era seu ou tinha lido isso em algum lugar?&lt;br /&gt;– Vai até o banheiro. Senta-se na privada e digita. Um belo texto. (Vaca...). Um texto imaginário. (Cadela!) Maravilhoso. (Cachorra!) Cheio de palavras que ninguém conhece. (Puta!) Eu devia ganhar o prêmio de funcionária do ano. Ele peidava na minha cara. E eu tinha que rir de suas piadinhas. Alguma coisa aconteceu entre às 06:15, quando acordou e às dezenove e trinta, hora em que devia pegar o metrô. E logo agora que ele tinha falado com ela, sido até simpático.&lt;br /&gt;(Puta!)&lt;br /&gt;– Onde está minha estrutura sólida? Onde está o chão sob meus pés? O que me sustenta? O que eu posso sustentar? Elas se olham durante um longo minuto. Você quer água?&lt;br /&gt;– Sim. Quero.&lt;br /&gt;– Por que me olham assim? Não sou acusada de coisa alguma! Estou pronta a examinar minuciosamente todos os aspectos da questão. Preciso saber qual a decisão que atende os interesses mais altos! Eu sofro de hérnia, não posso ter problemas. Eu tenho família! Que tão olhando? Que tão olhando?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-8453712512533140680?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/8453712512533140680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=8453712512533140680' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/8453712512533140680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/8453712512533140680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2008/06/o-julgamento.html' title='o julgamento'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-3409536949113595505</id><published>2008-06-13T13:32:00.002-03:00</published><updated>2011-04-06T14:00:17.148-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>arquitetura</title><content type='html'>Uma arquitetura é feita de linhas. Retas. Planos traçados... É uma questão de destino. Eu aqui de cima: magnífica. Grande. Dura.&lt;br /&gt;Daqui de cima eu vejo tudo. Os muros. A cidade. Luzes. Prédios. Ruas. Carros. Pessoas. Passam. Passam. As paredes. Buracos no chão.&lt;br /&gt;As pessoas. Dentro de mim.&lt;br /&gt;Algo acontece, escorre pelos canos.&lt;br /&gt;Aqui dentro chove. Cheiro. Cheio de mulheres, mulheres...&lt;br /&gt;Bucetas, bucetas, bucetas...&lt;br /&gt;Dentro de uma&lt;br /&gt;Arquitetura os corpos são conformados nos vazios. E nos cheios. Escrevem um texto que não conseguem ler. Nos corredores. Nas grades, nas celas. No pátio. No cimento. Nas veias. Túneis...&lt;br /&gt;Dentro dela uma mulher esperava pegar dureza daquele lugar torto.&lt;br /&gt;Águas escorrem pelas minhas veias, pingam. Escorre pelos canos.&lt;br /&gt;Por dentro, estou carcomida. Você também. Somos cheias de segredos. Eu e você. Mas a semelhança acaba por aqui. Eu sou feita de areia. Cal. Estruturas metálicas. Nas minhas veias corre ferro.&lt;br /&gt;Um fervilhar...&lt;br /&gt;Corpos são conformados, se conformam nos vazios e nos cheios... Em mim escorre sangue, merda... Veias. Túneis... Eu sou a caixa de gordura da humanidade. Dentro dela uma mulher recitava:&lt;br /&gt;Veias. Véias. Velhas.&lt;br /&gt;Mulheres. Homens. Solidão... Ratos. Ratos. O cheiro daquela urina grudada na pele.&lt;br /&gt;Quanto tempo até o chão? Quanto tempo até meu rosto tocar o chão vermelho?&lt;br /&gt;A carne. Em direção à queda.&lt;br /&gt;Eu grito e ninguém me escuta! Eu estou numa cela que faz parte de um andar que faz parte de um pavilhão que faz parte de uma cadeia de prédios que faz parte de um quarteirão que faz parte de um bairro que faz parte de um distrito que faz parte de uma cidade que faz parte de um estado que faz parte de um país... Eu grito e ninguém me ouve. Eu sou uma formiga. Eu sou uma formiga. Ninguém me escuta. A minha voz não tem som. Sou invisível. Ninguém me vê.&lt;br /&gt;Do alto da torre, o olho passeia e eu invento um altar. Para o deus que fica lá, no alto da torre, vendo a vida passar. Na televisão. Na esquina do mundo. E eu aqui. Sentada nessa cela. Nesse tubo de ensaio. A gente só devia conhecer o que vive.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-3409536949113595505?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/3409536949113595505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=3409536949113595505' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/3409536949113595505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/3409536949113595505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2008/06/arquitetura.html' title='arquitetura'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-1509331427839447028</id><published>2008-06-10T13:40:00.002-03:00</published><updated>2011-04-06T14:01:26.792-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>Sinônimos</title><content type='html'>Mulher. O ser humano do sexo feminino capaz de conceber e parir outros seres humanos e que se distingue do homem por essas características. Esse mesmo ser humano considerado como parcela da humanidade. A mulher na idade adulta. Adolescente do sexo feminino que atingiu a puberdade. Moça. Cônjuge do sexo feminino. A mulher em relação ao marido. Esposa. Mulher à toa. Mulher da comédia. Mulher da rua. Mulher da vida. Mulher da zona. Mulher. formato par feminino gênero condicional fêmea feminal ovos filhotes cães bezerro vaca cadela cachorra gata galinha pintinhos vaca mãe mulher vaca fêmea feminino peito limpar útero esquecer parir neutro masculino cadela cachorra vagabunda piranha puta rameira vaca rampeira vadia mulher feminino vaca puta empregada doméstica vadia mulher esposa puta doméstica puta vadia mulher mulher mulher mulher.&lt;br /&gt;Fenda abertura numa superfície ou num objeto fendido ou rachado racha rachadela racha dela greta&lt;br /&gt;Qualquer abertura estreita&lt;br /&gt;Frincha greta abertura estreita que se apresenta mesmo nas rochas devida mulher. Feminino. Referente ao sexo caracterizado pelo ovário nos animais e nas plantas. Feminil. Próprio do sexo feminino femíneo feminal feminizar dar caráter feminino.&lt;br /&gt;Feminismo. Movimento daqueles que preconizam a ampliação legal dos direitos civis e políticos da mulher ou a equiparação dos seus direitos aos do homem.&lt;br /&gt;Feminista. Feminizar. Assumir os caracteres de fêmea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem. Qualquer indivíduo pertencente à espécie animal que apresenta maior grau de complexidade na escala evolutiva. Ser humano. A espécie humana. A humanidade. O ser humano com a sua dualidade de corpo e de espírito e as virtudes e fraquezas decorrentes desse estado mortal. Ser humano do sexo masculino varão homem feito adolescente que atingiu a virilidade. Homem dotado das chamadas qualidades viris como coragem força vigor sexual&lt;br /&gt;macho marido ou amante.&lt;br /&gt;Macho. Animal do sexo masculino. Homem. Forte. Robusto. Másculo. Masculino. Próprio do macho. Varonil. Enérgico. Forte. Másculo.&lt;br /&gt;Macheza.&lt;br /&gt;Machismo. Qualidade ação ou modos de macho.&lt;br /&gt;Homem que apresenta os requisitos necessários para um empreendimento o homem indicado para um fim um homem qualquer alguém sujeito camarada cara soldado homem de ação homem de empresa homem de estado homem de letras homem de pulso homem de prol homem público homem de palha homem hora homem rã&lt;br /&gt;homem sanduíche.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-1509331427839447028?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/1509331427839447028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=1509331427839447028' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/1509331427839447028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/1509331427839447028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2008/06/sinnimos.html' title='Sinônimos'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-365745608940708141</id><published>2008-06-09T11:01:00.003-03:00</published><updated>2011-04-06T14:02:11.085-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escritas performadas'/><title type='text'>mulher obra</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;a dramaturga vai escrever e apagar, continuamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Linhas gerais temáticas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;Experimento inacabado número Um. Quem é a obra de quem? Mulher: uma obra em construção. Desculpe-nos o transtorno. Estamos trabalhando para você. Não é possível explicar, é necessário construir.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Dentro da vitrine, as atrizes preparam seus objetos. Fora dali, do lado de fora, a cidade. Igreja, hospital. Os transeuntes. São sete horas da noite e estamos na avenida Alfredo Balena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Inventário de tarefas inúteis. Parir. Limpar. Amamentar. Trocar. Compreender. Amar. Sujeitar. Sacrificar. Lavar. Passar. Esquecer. Esquecer. Esquecer. Perdoar. Aquecer. Embalar. Beijar. Lamber. Chupar. Dar de mamar. Transar. Mesmo sem vontade.&lt;br /&gt;Rolinhos pregadores talhares bicos de mamadeira chupeta fralda peneira vassoura escova botão linha tampa bombril perfex avental sutiã calcinha meias batons potes hidratantes depiladores&lt;br /&gt;Moda revista filhos corpo receita sexo beleza corte cabelo cor unha esmalte batom inverno verão diet light in out baby sitter babá empregada carro seguro colégio celulite flacidez plástica estética beleza jet bronze limpeza de pele completa eletrólise depilação de última geração massagem redutora massagem relaxante drenagem linfática vácuo com endermologia e arte. Sutiã filhos planos de saúde marido férias feia feia. Feia. Gorda. Velha. Usada. Jogada fora.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-365745608940708141?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/365745608940708141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=365745608940708141' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/365745608940708141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/365745608940708141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2008/05/mulher-obra.html' title='mulher obra'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-2612824570190380216</id><published>2008-05-27T15:33:00.003-03:00</published><updated>2011-10-30T15:51:32.844-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>tudo vai ser diferente. Experimento Zero</title><content type='html'>Oito e meia da manhã. A cidade fervilha. Pessoas cruzam meu caminho. Alguém me conhece? Alguém sabe quem sou? Alguma coisa aconteceu entre a hora que eu saí de casa e a hora que devia pegar o metrô. Eu preciso fumar um cigarro. Eu preciso encontrar quem eu sou.&lt;br /&gt;Hoje saí de casa às seis da manhã como todo dia. Mas hoje ia ser diferente. Tinha que ser diferente, pois mais um dia como aquele ia me matar. Qualquer coisa. Bastava uma alteração de trajeto. Claro que não falo daquelas alterações de trajeto que a gente faz de casa pro trabalho ou do trabalho pra casa. Passar um dia pela rua de baixo, seguir até a avenida principal e dobrar à direita. Ou então ir pela rua de cima e já cair perto do túnel. não. &lt;br /&gt;Ela esperava um milagre.&lt;br /&gt;Alguma coisa que entrasse no seu caminho de maneira irremediável. Nunca mais as mesmas coisas. Lavar. Passar. Amamentar. Aquecer. Embalar. Amar. Sujeitar. Esquecer. Esquecer. Perdoar. Transar. Mesmo sem vontade. Nunca mais qualquer coisa pra sobreviver mais um pouco.&lt;br /&gt;Ela devia pegar o metrô às seis e vinte. Fechou a porta, desceu as escadas. Cruzou a esquina. Ainda tava escuro. Gostava de ver a cidade naquela hora. Naquela hora, parecia que tinha uma outra cidade na cidade. Invisível. Ela também era invisível. Sempre foi. Ninguém a via, ninguém a escutava.&lt;br /&gt;Eu preciso fumar um cigarro. Eu tinha que bater o cartão às oito em ponto.&lt;br /&gt;Ela atravessa a rua. Toma um café na lanchonete da esquina e fuma um cigarro. A lanchonete tava lotada, mas ninguém me via. Era sempre assim. Era sempre a mesma coisa. Eu estou numa calçada que faz parte de uma rua que faz parte de um quarteirão que faz parte de um bairro que faz parte de uma cidade... Eu grito e ninguém me escuta. Eu espero um milagre.&lt;br /&gt;Até o milagre acontecer eu não podia fazer nada. A não ser comprar uma calcinha de renda vermelha. Tinha visto uma na promoção do dia dos namorados. Torcer pro sexo ser um pouquinho diferente, pois há muito era o mesmo.&lt;br /&gt;Ela já tinha tentado de tudo, até amante. Mas também com ele tudo logo soou programado. As mesmas horas de traição. O mesmo sexo oral anal sempre com ele como nunca fazia com o marido. As sempre mesmas ousadias pequenas. Depois o mesmo sangue correndo calmo nas veias. A mesma casa. Porta. Entrar. Quarenta minutos até os meninos. Tomar banho. Esconder a calcinha. O sorriso vingado. A comida fria na geladeira. Fogão. Cama. Sobremesa. Televisão. Graças a deus a televisão. E o jantar sem perguntas nem respostas. Graças a deus a novela. Sua vida não tinha poesia. Sempre as mesmas coisas. Aquilo dava um aperto no coração.&lt;br /&gt;Mas hoje não. Alguma coisa aconteceu.&lt;br /&gt;O milagre. Um anjo atravessou seu caminho. No chão, os papéis espalhados. A meia calça rasgada. Onde está minha estrutura sólida? Onde está o chão sob os meus pés? O que me sustenta? O que eu posso sustentar? A gente só devia conhecer o que vive. Seu corpo ali no chão. As pessoas passam. Ninguém me vê. E ela que tinha sonhado com um enterro de gala. Cheio de flores e gente chorando. ia ser encontrada morta num beco escuro. Sujo. Ordinário. Alguma coisa tinha se quebrado. E quando uma coisa se quebra não há mais conserto. Aquilo está quebrado para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-2612824570190380216?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/2612824570190380216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=2612824570190380216' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/2612824570190380216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/2612824570190380216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2008/05/tudo-vai-ser-diferente-experimento-zero.html' title='tudo vai ser diferente. Experimento Zero'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-1561192754107616240</id><published>2008-05-11T13:34:00.004-03:00</published><updated>2011-04-06T14:02:31.143-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>mãe de papel</title><content type='html'>Tece e destece sempre o mesmo dia, com outras histórias. Novas manchetes, notícias de hoje ou de ontem. Inventa um quebra-cabeça na cela de papel. Recorta. Cola. Sempre novas peças. Peças que nunca acabam. Retrato de menino. Foto de propaganda.&lt;br /&gt;Era bonito, não era? Era lindo... Eu gostava de cuidar dele, tinha uma pele tão bonita. Sabe o que a mãe fez? Bateu nele até matar. E ele tinha só dois anos! Como uma mãe pode fazer isso? Dentro dela, o bebê fica ligado por um cordão umbilical. O bebê nasce ligado. Como ela pode jogar fora algo que ainda está dentro dela?&lt;br /&gt;Mas tem mulher, que mesmo sendo mãe, faz o que não pode...&lt;br /&gt;Já imaginou, doutora? Ele tinha só dois anos! Já imaginou o medo dele? Sabe o que ela falou? Que ele chorava demais! Olha a cara dele, doutora. Não parecia rir muito?&lt;br /&gt;Aqui morou uma mãe.&lt;br /&gt;parece uma verdade. Verdade é uma palavra abstrata. A senhora quer os fatos? Objetivos? Eu gostava muito de cuidar dele, ele tinha uma pele tão gostosa. Todo dia eu passava creme, alisava. Penteava o cabelo. Cuidava dele direitinho. E ele gostava, porque ele ria muito. Então eu dava de mamar. E eu tinha que espremer tudo, sabe doutora? Porque ele era muito comilão. Muito. Eu acabei ficando murcha. Murcha. Eu sei de tudo o que aconteceu. Eu pensei: sou a única coisa que ele tem. A senhora tem filhos, doutora?&lt;br /&gt;É aquilo que minha mãe dizia...&lt;br /&gt;Depois que sai de perto da gente, não se tem mais garantia, sabe como é? E não tem como reclamar no procon também não, o procon não aceita reclamação de material danificado! Estranha mãe que fala isso. Mãe tem medo de falar as coisas, mas eu não tenho não. Se a vida é dura mesmo é preciso coragem. Se eu tenho coragem, porque que eu não vou ter coragem de falar aberto?&lt;br /&gt;Nenhuma mãe tem direito de esquecer que é mãe! Nem as que querem. Tem mãe que quer esquecer, mas eles não deixam.&lt;br /&gt;Foi no banho. Era era molinha, sabe? Ela? Era ele ou era ela? E nome? Criança tem nome? Criança tem é braço queimado, abandono. A senhora já reparou que é sempre assim: “Criança espancada... Bebê recém-nascido encontrado abandonado na lata de lixo...” Nunca é José, ou João. É sempre criança. Bebê. Assim, sem nome.&lt;br /&gt;Não consigo me lembrar... Só lembrava da sensação da carne mole. Eu secava ele bem secadinho. Era tão molinho, dava até nojo. Medo. Sei lá.&lt;br /&gt;Não foi imperícia, doutora! Foi falta de atenção! Uma mãe não pode ter um pouco de falta de atenção? Isso é pecado, é crime? É errado? Não lembro de ter feito nada de errado! Eu ficava muito cansada. Dormia muito. E ele tinha só eu para cuidar dele. Tinha hora que eu nem sabia se tava dormindo ou se tava acordada. Nessa hora tudo fica confuso. Não sei o que aconteceu. É nesse momento que tudo fica escuro. Eu queria cuidar dele direitinho.&lt;br /&gt;Mas eu não fiz nada! Só fiz o que tinha que fazer!&lt;br /&gt;Eu não tenho arrependimento. O que foi rasgado não pode colado. E eu pensei que as coisas precisavam ter um fim. Não tem motivo, doutora. As coisas não precisam ter maldade! Eu queria separar as coisas que não podem se perder... As coisas não fazem sentido, são rasgadas. Separadas. Perdem o nexo.&lt;br /&gt;A senhora percebeu que todo mundo quer me ajudar, doutora? Eu fico me perguntando, se eu pedi ajuda pra alguém. Fico me perguntando isso, sabe? Onde que começou essa idéia de que tinha que me ajudar? Essa idéia, de que a gente tem que ajudar o outro dá problema doutora.&lt;br /&gt;Ela quer que as coisas sejam mais firmes, diretas e objetivas. eu acordei e pensei que a única coisa que aquele menino tinha na vida nada a não ser eu, comecei a ficar preocupada porque ele não merecia aquela pessoa só cuidando dele. Tinham muito mais coisas. Muito mais do que eu apenas. Eu não tinha capacidade e eu não gostava o suficiente daquele menino pra que eu pudesse cuidar dele a vida inteira. Só imagina cuidar de uma pessoa a vida inteira sendo que eu não consigo cuidar nem da minha própria pessoa. Eu tento organizar as coisas para que elas não comecem a... a pegar fogo na minha cabeça... Não. Eu não sou doida. Só queria sossego para terminar suas coisas. Às vezes destruía tudo para construir de novo.&lt;br /&gt;Todo mundo queria que ela fosse doida. A mãe. A doutora. Mas ela não era. Era organizada. Queria esquecer o que tinha acontecido lá atrás. Precisava, agora, reconstruir. Entender. Organizar sua cabeça.&lt;br /&gt;A mãe é a culpada de tudo. Se escolher tirar se escolher ter. Comendo bem. mal. diabética hipertensa hipocondríaca. Lavar. Passar. Embalar. Beijar. Aquecer. Dar de mamar. drogada bêbada mulher mãe prostituta. Ser vaca cadela cachorra gata galinha pintinhos piu piu piu piu desculpe a exaustão. Uma mãe não se cansa nunca. Eu só queria que ele calasse piu piu piu&lt;br /&gt;Mãe. Mãe. Parto natural ou cesárea? Amamentar até pelo menos os seis meses. Formato par feminino gênero condicional fêmea feminal. Limpar. Amamentar. Trocar. Compreender. Sacrificar. Amar. Esposa. Mulher. sujeitar. perdoar. Esquecer. Eu só queria que ele calasse piu piu piu... Depois que sai de perto da gente, não se tem mais garantia. E não tem como reclamar no procon.&lt;br /&gt;Mulher. Substantivo feminino. O ser humano do sexo feminino capaz de conceber e parir outros seres humanos e que se distingue do homem por essas características. Ser vaca cadela cachorra gata galinha pintinhos piu piu piu piu desculpe a exaustão. Uma mãe não se cansa nunca. Parir. Limpar. Amamentar. Trocar. Compreender. Amar. Sujeitar. Sacrificar. Lavar. Passar. Esquecer. Esquecer. Esquecer. Perdoar. Aquecer. Embalar. Beijar. Lamber. Chupar. Dar de mamar. Gostava de ser mulher... achava que era mulher, mas era fêmea. Bicho de estimação. Gatinha, cachorra, cadela. Vaca. Novilha. Filé. Degustada. Sorvida. Uma mulher é feita de sangue, garganta. Pernas. Voz. Pensamento. Carne. Desejo. Uma mulher é feita. Uma mulher se faz. É preciso acabar com essa voz dentro de mim, sobre mim! Com seus braços, pernas, leis. Sim. Ok. Well. WELL...Orson welles. Bells. Fel. Deus. DEUS. Pai palavras. Ela esquecia as palavras. Não sabia falar com ninguém. Alguém. Todo mundo. Todo poderoso. todo poderoso aqui na terra como no céu. Quero ser cometa, estrela. Mirante.&lt;br /&gt;Constrói sua nave mulher. Sua nave vaca. Sua barca louca, bêbada de objetos intoxicantes: rolinhos pregadores tampas batons talheres fraldas chupetas sutiãs pinças grampos bombril potes escovas. Eles parecem domesticados, mas não se enganem.&lt;br /&gt;É nessa hora que tudo fica escuro. Tudo fica confuso. Não tem mais doutora, não tem mais mamãe aqui! Nenhuma mãe tem direito de esquecer que é mãe... Nem as que querem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-1561192754107616240?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/1561192754107616240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=1561192754107616240' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/1561192754107616240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/1561192754107616240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2008/05/me-de-papel_11.html' title='mãe de papel'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-5844967553182364550</id><published>2008-05-10T11:35:00.002-03:00</published><updated>2011-04-06T14:03:13.434-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>a mãe é a culpada de tudo</title><content type='html'>Nenhuma mãe tem direito de esquecer que é mãe. Como uma mãe pode fazer isso? Dentro dela, o bebê fica ligado por um cordão umbilical. O bebê nasce ligado. Como ela pode jogar fora algo que ainda está dentro dela? Uma mãe não se esquece. Nem as que querem. Mulher. Mãe. Mãe. Esposa. Mulher.&lt;br /&gt;Lavar. Passar. Embalar. Beijar. Lamber. Chupar. Esquecer. Esquecer. Esquecer. Perdoar. Transar. Mesmo sem vontade. Ser vaca cadela cachorra gata galinha pintinhos piu piu piu piu Uma mãe não se cansa nunca. piu piu piu Parto natural ou cesárea? Amamentar até pelo menos os seis meses. Formato par feminino gênero condicional fêmea feminal. Limpar. piu piu piu Amamentar. piu piu piu Trocar. Compreender. Sacrificar. Amar. Depois que sai de perto da gente, não se tem mais garantia. E não tem como reclamar no procon. piu piu piu A mãe é a culpada de tudo. Se ela escolhe tirar se escolher ter. Se come bem se come mal. Se for diabética, hipertensa, hipocondríaca... Se for drogada bêbada prostituta. Mulher mãe puta. Lavar. Passar. Embalar. Beijar. Aquecer. Dar de mamar. Ser vaca cadela cachorra gata galinha pintinhos piu piu piu piu&lt;br /&gt;desculpe a exaustão.&lt;br /&gt;Uma mãe não se cansa nunca.&lt;br /&gt;Eu só queria que ele calasse piu piu piu&lt;br /&gt;A gente acha que é mulher. E é só fêmea.&lt;br /&gt;Bicho de estimação. Gatinha, cachorra, cadela. Vaca. Novilha. Filé. Filé. Gostosa. Gostosa. Prato principal. Degustada. Sorvida. E o preço disso? Caro. Caso. Casório. Casamento. Santa. Santa. Virgem Mãe nas alturas. Hosana. Glorificada. Amada. Desejada. Salve! Salvadora do homem, Redentora de sua imagem. Glória a Deus nas alturas! Homem glória! Pau deus todo poderoso! Glorificar o homem pau é minha glória!&lt;br /&gt;Seria doce pensar assim. Mas não posso. Não quero.&lt;br /&gt;Quero ser uma mulher.&lt;br /&gt;uma mulher com arestas. abismos. Silêncios. E vida.&lt;br /&gt;E vias, veias, sangue.&lt;br /&gt;Uma mulher é feita de sangue, garganta.&lt;br /&gt;Pernas. Voz. Pensamento. Carne. Desejo.&lt;br /&gt;Uma mulher é feita. Uma mulher se faz. Eu vi isso em algum lugar?&lt;br /&gt;É preciso acabar com o julgamento do deus. Com essa voz dentro de mim, sobre mim!&lt;br /&gt;Com seus braços, pernas. Lei, ordem, justiça.&lt;br /&gt;Dicionário. Bíblia. Religião.&lt;br /&gt;Deus quis assim, a mulher é isso, o homem é aquilo.&lt;br /&gt;É preciso acabar com toda a sapiência, com toda a ordem do mundo. Com os invasores de corpos, de almas. Com os médicos, médicos, médicos, psiquiatras, engenheiros, advogados.&lt;br /&gt;Acabar com o controle remoto. O controle remoto artificial. Eu vi isso em algum lugar?&lt;br /&gt;Quero ser cometa, estrela. Eu vi isso em algum lugar?&lt;br /&gt;Mirante. Miranda. Meu nome é Miranda. Eu vi isso em algum lugar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-5844967553182364550?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/5844967553182364550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=5844967553182364550' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/5844967553182364550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/5844967553182364550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2008/05/me-de-papel.html' title='a mãe é a culpada de tudo'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-5867784452963563160</id><published>2008-05-09T01:05:00.001-03:00</published><updated>2011-04-06T14:03:33.247-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>A mais bela das artes</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Ela saía todo dia muito cedo de casa. Era uma hora escura, perigosa. Um dia, ela ainda ia ser encontrada morta num beco. Ai! O cano parecia ter estourado perto dela. Aquilo dava um aperto no coração. Podia ter estourado dentro dela. Ela tava caminhando e de repente tudo ficou escuro. Alguma coisa aconteceu. Ela tem um lapso.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;A rua tava vazia. Só uma mulher. Bonita, loura.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;A rua tava vazia. Um homem. Qualquer dia desses ia acabar num beco escuro. Desviou, sumiu de vista. Ela continua o caminho. Pela cidade deserta. Naquela hora, parecia que tinha uma outra cidade na cidade. Outras ruas. Invisíveis. Metrô.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;O metrô vazio. Ia ter que sentar no fundo do vagão. Ver a loura de longe.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;O metrô estava vazio. Parecia feriado. Ela sempre ia em pé.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;A senhora. Pode sentar-se.&lt;br /&gt;E dentro da minha cabeça eu pensava: Gostosa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Um homem esbarra nela, apesar do metrô vazio.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Resolve segui-la.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Desce do metrô e caminha &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;pelas ruas ainda vazias. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Ela entra na lanchonete. Ele também tem fome.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Cumprimenta a balconista. Toma um café. Fuma um cigarro. Ela vai bater o cartão. Às oito e ponto. Atravessa a rua e entra no prédio.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;O prédio.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Primeiro andar. Os corredores. Segundo. Terceiro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Elevador panorâmico!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Quarto. Cumprimenta as pessoas. Quinto. Sexto. Sétimo. O escritório. No sétimo andar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Sétimo andar. Cabalístico. Você é minha, loura.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Ele tinha do bom e do melhor. Bebida, só importada. Carro do ano. E uma mesa nova. Caríssima. Era artigo de luxo. E muito útil. A mesa valia mais do que ela. Era artigo de qualidade.&lt;br /&gt;Ela não tinha sido esculpida, grafada, assinada. Nem desenhada por ninguém. Objeto ordinário, útil, funcional. Substituível. Uma vida sem poesia. Ia morrer saltando de uma janela imunda, num cubículo imundo na área do meio dos prédios. O prédio fechado. Sete e meia da noite. Ela ia pular e ninguém ia ver.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Sete e meia da noite. A loura pisa no parapeito. Seu corpo flutua um momento no ar.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-5867784452963563160?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/5867784452963563160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=5867784452963563160' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/5867784452963563160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/5867784452963563160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2008/05/mais-bela-das-artes.html' title='A mais bela das artes'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-194442382409353405.post-7407041861023996148</id><published>2008-05-08T13:29:00.001-03:00</published><updated>2011-04-06T14:04:00.568-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimentos textuais'/><title type='text'>hoje vai ser diferente</title><content type='html'>hoje vai ser tudo diferente. tinha que ser diferente pois mais um dia como aquele poderia matá-la. qualquer coisa. Bastava um sinal, uma alteração de trajeto. Claro que não falava daquelas alterações de trajeto que fazia de casa para o trabalho ou do trabalho para casa. Passar um dia pela rua de baixo, seguir até a avenida principal e dobrar à direita. Ou ir pela rua de cima e já cair perto do túnel. Ou... Já tinha testado todas. Todas. Iguais.&lt;br /&gt;Ela esperava um milagre.&lt;br /&gt;Alguma coisa que entrasse em seu caminho de maneira irremediável. Nunca mais chegar à escola. Nunca mais bater ponto. Nunca mais o cafezinho. As louras do salão.&lt;br /&gt;Nunca mais voltar para casa. Nunca mais o marido. Nunca mais os filhos. O amante a sogra. A cunhada simpática e aquela que sabia demais. Nunca mais as mesmas coisas.&lt;br /&gt;Nunca mais agarrarse às mínimas diferenças. Uma loja que abrira na esquina. Um sabor novo de chicletes, mentalimão, frutasvermelhas. Nunca mais qualquer coisa para sobreviver. Mais um dia. Sobreviver mais um pouco.&lt;br /&gt;Nunca mais tão pouco.&lt;br /&gt;Viu quem verafisher tá namorando? Aquela ali é doida, não viu que até perdeu a guarda do filho? E a Suzane Richtofen, que cor linda de cabelo? Nem parece que matou a mãe, com aquela cara de inocente. Ainda mais loira! Não disse, pra ser notícia tem que ser loira!&lt;br /&gt;Ela já fora loura. Ruiva. Já teve o cabelo beterraba e até algumas cores mais diferentes, mas nada muito radical. Estava esperando alguma coisa mudar para mudar mesmo seu visual. Quem tinha dinheiro podia vestir qualquer coisa, mas ela não. Tinha emprego. Filho para criar. Até o milagre acontecer não podia fazer nada. A não ser comprar uma calcinha de renda vermelha. Tinha visto um na promoção do dia dos namorados. Com as laterais de tirinhas. Tirinhas de renda. Torcer para o sexo ser um pouquinho diferente pois há muito que era o mesmo.&lt;br /&gt;Ela tinha tentado de tudo, até amante. Mas também com ele logo tudo soou programado. Mesmo o friozinho na barriga, o saber-se sentir-se canalha. O preparar-se em mesmos banhos e perfumes. As mesmas horas da traição. No mesmo quartinho ordinário. O mesmo sexo oral sempre com ele como nunca fazia com o marido. O mesmo sexo anal como ele sempre comia como nunca o marido. As sempre mesmas ousadias pequenas.&lt;br /&gt;Depois o mesmo sangue correndo calmo nas veias. A mesma casa. Mesma chave. Porta. Entrar. Tirar a roupa. Quarenta minutos até os meninos. Tomar banho. O cheiro do outro. Roupa limpa. Esconder a calcinha. O sorriso vingado. A comida fria na geladeira. Fogão. Forno. Sobremesa. Filhos. Banhos. Deveres. Televisão. Graças a deus a televisão. E o jantar sem perguntas. Nem respostas. Graças a deus a novela. Não precisa mais conversar com ninguém. Tá no forno. Já dormiu. Amanhã a gente vê.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/194442382409353405-7407041861023996148?l=desautoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desautoria.blogspot.com/feeds/7407041861023996148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=194442382409353405&amp;postID=7407041861023996148' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/7407041861023996148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/194442382409353405/posts/default/7407041861023996148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desautoria.blogspot.com/2008/05/hoje-vai-ser-diferente.html' title='hoje vai ser diferente'/><author><name>Nina Caetano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10015103437944689081</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_CcioYQwRdeY/S64D2YkrxKI/AAAAAAAAATc/gOTp_-7WJp4/S220/DSC04369.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
